Dra. Marcia Costa

QUEDA DE CABELO: Tipos de Alopecia – parte I

Queda de cabelo é uma queixa comum no consultório. Na maioria dos casos, o stress, a alimentação irregular e o uso de produtos químicos e secadores de cabelos, além das pranchas, são as causas. Mas em outras há alguma doença como causadora.

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Quando o paciente relata o termo “queda de cabelo”, o médico escreve no prontuário “alopecia” que é a palavra na Medicina que designa este sinal. Assim, neste texto, em muitas vezes usaremos a palavra “alopecia” no lugar de “queda de cabelo”.

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Queda de cabelo ou alopecia.

Neste texto,  conversamos sobre o ciclo normal do cabelo e a divisão entre alopecia cicatricial e não cicatricial. Depois abordamos o primeiro tipo de queda de cabelo não cicatricial, a alopecia androgenética.

No artigo Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte II conversaremos sobre outros tipos de queda de cabelo não cicatricial: alopecia de tração, tricotilomania, alopecia areata, eflúvio telógeno e eflúvio anágeno.

Ciclo normal do cabelo

Cada folículo produz um número de cabelos, durante um tempo de vida. Há três fases:

• Fase Anágena ou fase de crescimento no couro cabeludo: dura entre três e cinco anos e o cabelo cresce cerca de 1 cm por mês. A duração da fase anágena varia de pessoa para pessoa e determina o tamanho que o cabelo vai crescer se não forem cortados. Normalmente, cerca de 85% dos folículos está na fase anágena. Não existe produto milagroso que faça o cabelo crescer além do que lhe é característico.

• Fase Catágena ou fase de involução: segue a fase anágena, quando cessa a divisão celular no bulbo piloso e ocorre a involução, que dura cerca de duas semanas.

• Fase Telógena ou fase de repouso: dura cerca de três meses. O cabelo permanece no folículo, mas não cresce e, em 2 a 3 meses, em média, é descartado. No final da fase telógena, o folículo inicia a produção do novo cabelo anágeno que desloca o antigo e este é descartado.

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Fases do fio de cabelo: anágena (crescimento), catágena (involução) e telógena (repouso).

A “muda” de cabelos

Em alguns animais, os folículos apresentam este ciclo de modo sincronizado e estes animais apresentam “troca de pelos” ou “muda” em certa época do ano. Nos seres humanos, os folículos não estão sincronizados e, portanto, não há época de “troca de cabelos” ou “muda”. Assim, durante todo o ano há queda de cabelos regular e normalmente de cerca de 50 a 100 cabelos por dia, na sua maioria despercebida.

A falta de sincronia é aleatória e, às vezes, as pessoas passam por um período mais predominantemente na fase telógena com maior queda de cabelo em escovas e pentes, causando muita ansiedade. Apenas uma variação da média de queda de cabelos normal.

A alopecia

queda de cabelo cicatricial

Sequela de processo inflamatório: incapacidade de crescer cabelo no local da cicatrização

Alopecia é um termo geral utilizado para todos os tipos de queda de cabelo temporária ou permanente, localizada ou como difusa, do couro cabeludo ou de qualquer parte do corpo. Há muitas coisas que podem causar queda de cabelo, incluindo medicamentos ou deficiência de ferro. A alopecias são geralmente divididas em dois grupos: cicatricial e não cicatricial.

Alopecia cicatricial

Alopecias cicatriciais são normalmente causadas por inflamação que resulta na destruição permanente do folículo piloso levando à queda de cabelo irreversivelmente.

Ao exame clínico, lesões agudas no couro cabeludo também podem estar presentes ou apenas as cicatrizes de processos inflamatórios passados.

Causas da destruição do folículo piloso incluem infecção fúngica, produtos químicos, como relaxantes/alisantes de cabelo, tração mecânica continuada (uso de secador de cabelos ou pranchas), e distúrbios inflamatórios que incluem lúpus eritematoso discóide, líquen plano-pilar, alguns tipos de foliculite, alopecia mucinosa, alopecia cicatricial centrífuga central, e acne keloidalis.tratada precocemente no curso da doença, às vezes é possível regenerar o cabelo.

Alopecia não cicatricial

As alopecias não cicatriciais são causas mais comuns de queda de cabelo do que as alopecias cicatriciais e incluem a alopecia androgenética padrão masculino e feminino, a alopecia areata, o eflúvio telogénico, o eflúvio anágeno e a tricotilomania, bem como outras condições menos comuns.

Às vezes, doenças como sífilis secundária, doenças da tireóide (leia sobre HIPOTIREOIDISMO: Causas, Sintomas e Tratamento), e lúpus eritematoso sistêmico podem causar queda de cabelo por alopecia não cicatricial também. Para saber sobre lúpus eritematoso sistêmico, leia LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES): Diagnóstico e Tratamento.

As causas não cicatriciais também podem ocorrer com o envelhecimento natural, esta forma de queda de cabelo é conhecida como alopecia senescente.

Alopecia androgenética: a calvície masculina

A alopecia androgenética, também conhecida como calvície masculina, é o tipo mais comum de queda de cabelo e é tão comum que muitos especialistas acreditam que ela deve ser considerada uma variante normal, como os olhos azuis ou cabelo castanho.

Esta forma de queda de cabelo é herdada de uma forma complexa de um ou ambos os pais.

Apesar de ser denominada “calvície masculina”, as mulheres também podem apresentar esta condição, pois os andrógenos, incluindo a testosterona, são hormônios presentes em homens e mulheres e desempenham um papel importante no desenvolvimento da queda de cabelo.

Mas, no caso da alopecia androgenética, não é o aumento dos níveis de testosterona que leva à queda de cabelo, embora este aumento também possa causar a queda de cabelo em outros casos, pois a maioria dos homens e mulheres com alopecia androgenética não têm níveis anormais de testosterona.

O que acontece é a presença de receptores à testosterona nas áreas afetadas causando uma ação mais exagerada da testosterona que causa a queda de cabelo.

As mulheres são mais propensas a desenvolver alopecia androgênica após a menopausa, quando elas têm menos hormônios femininos que têm ação protetora nos folículos, embora não seja tão incomum casos de início mais precoce.

A alopecia androgenética ocorre em mais da metade dos homens com mais de 50 anos de idade.

Mulheres com idade acima de 40 anos podem ter a mesma prevalência. Um estudo descobriu que até 13% das mulheres na pré-menopausa apresentam alopecia androgenética. Outro estudo relatou que a alopecia androgenética afetou 75% das mulheres com mais de 65 anos.

Padrão masculino e padrão feminino

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Padrão masculino

A alopecia androgenética de padrão masculino é caracterizada pela perda da linha de frente com perda de cabelos nas regiões temporais (entradas) e no vértice (parte superior da cabeça, o ‘cocoruto’), e pode ou não progredir ao longo do tempo.

O padrão feminino é mais variável, mas na maioria das vezes ocorre rarefação de cabelos no topo e na região da coroa, sem perda na área frontal.  Há afinamento difuso do fio de cabelo. Esta condição pode ou não progredir ao longo do tempo.

Padrão masculino e padrão feminino são termos utilizados por serem padrões mais frequentes em cada sexo, mas não são exclusivos.

Um homem pode ter perda de cabelos com padrão feminino e uma mulher pode ter perda de cabelos com padrão masculino.

É importante notar que a queda de cabelo na mulher também pode ser causado por um aumento anormal dos andrógenos, devido à presença de ovário policístico ou menos frequentemente devido a uma doença maligna que produza hormônios masculinos.

A fim de melhor estabelecer o diagnóstico, se uma mulher se apresenta com quadro de alopecia androgenética, deve-se observar se a alopecia é acompanhada de outros sinais, como irregularidade do ciclo menstrual, hirsutismo (aumento de pelos no corpo), acne na região da mandíbula e seborreia. Nestes casos, os níveis de testosterona e dihidroepiandrosterona (DHEA) devem ser medidos.

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Padrão feminino

Também deve ser investigado se há uso de esteróides anabolizantes.

O tratamento para a alopecia androgenética inclui solução tópica de minoxidil, os comprimidos de finasterida por via oral ou cirurgia de transplante de cabelo.

Para saber mais sobre calvície masculina e tratamento, leia: CALVÍCIE MASCULINA: Causas e Tratamento.

No artigo Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte II conversaremos sobre outros tipos de queda de cabelo não cicatricial: alopecia de tração, tricotilomania, alopecia areata, eflúvio telógeno e eflúvio anágeno.

CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte I

O câncer de mama é o câncer mais comum entre as mulheres.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde ocorrem mais de 1.050.000 casos novos de câncer de mama em todo o mundo, por ano.

Os tumores de mama crescem em velocidades diferentes, estima-se que em média o tumor dobra de tamanho a cada 100 dias. Portanto, pode levar vários anos até que se torne palpável, já que o ponto de partida é uma célula alterada.

A mamografia pode achar tumores que não são palpáveis, mas que já são perceptíveis à radiografia.

cancer de mama fita

Conhecer para detectar precocemente é a melhor atitude

Provavelmente estes tumores já estavam em crescimento muitos anos antes de serem detectados na mamografia.

A doença e seu tratamento afetam a imagem pessoal e a sexualidade da mulher e têm impacto social e econômico elevados, pois o câncer de mama atinge mulheres muitas vezes em idade fértil, economicamente ativas e que constituíram família.

Quando o diagnóstico é tardio, o tratamento é mutilante e agressivo.

Neste texto, conversamos sobre os dados epidemiológicos do câncer de mama, ou seja: quem são as pessoas mais sujeitas a ter câncer de mama. E também conversamos sobre os fatores de risco, quais são inevitáveis e quais são modificáveis.

No artigo CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte II, conversamos sobre a detecção precoce do câncer de mama, os sinais e sintomas, o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico.

Mais dados epidemiológicos…

O câncer de mama atinge principalmente mulheres entre 45 e 55 anos, e, embora raro, também pode atingir os homens. Para cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, 1 homem também terá sido diagnosticado.

Conforme dados do Ministério da Saúde, o câncer de mama é a primeira causa de morte, por câncer, entre as mulheres e, entre 1979 e 2000, a taxa de mortalidade aumentou de 5,77 para 9,74 por 100.000 mulheres: uma variação percentual relativa de mais de 80 % em pouco mais de duas décadas.

Em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Noruega, houve um aumento da incidência do câncer de mama acompanhado de uma redução da mortalidade, devido à detecção precoce por mamografia para rastreamento e à oferta de tratamento adequado.

No caso do Brasil e em outros países, houve o aumento da incidência acompanhado do aumento da mortalidade, o que pode ser atribuído, principalmente, ao diagnóstico tardio e ao retardo na instituição de terapêutica adequada.

Há fatores de risco inevitáveis, mas há os modificáveis

Há fatores de risco inevitáveis e fatores de risco modificáveis

Fatores de risco de desenvolver câncer de mama

A incidência do câncer de mama aumentou significativamente nos últimos vinte anos, provavelmente como consequência da mudança de padrão reprodutivo feminino.

No passado, as mulheres casavam cedo, logo engravidavam e tinham muitos filhos até a menopausa, o que reduzia número de menstruações durante este período e significava menor exposição aos estrógenos que estão mais elevados na primeira metade do ciclo menstrual.

Na sociedade atual industrializada, as mulheres têm menos filhos e, portanto, sucessivos ciclos menstruais com ação repetida de estrógeno e de progesterona nos tecidos mamários e provável aumento do risco de desenvolver câncer de mama.

Além deste fato, há outros fatores que aumentam esse risco e podem ser divididos em fatores inevitáveis e fatores modificáveis.

Há fatores que não aumentam o risco, mas podem dificultar a visualização de tumores pela mamografia, sendo muitas vezes necessária a realização de incidências adicionais nas radiografias como a presença de lesões na pele ou a colocação de próteses de silicone.

Fatores inevitáveis:

Idade: O risco aumenta agudamente a partir do 45 anos de idade, com ápice ao redor dos 65 a 70 anos. 75% a 80% das mulheres com câncer de mama têm mais de 50 anos. O risco em mulheres de 30 anos é de 1 em 2000 e em mulheres de 75 anos o risco é de 1 em 10;

História familiar: 85% a 90% dos casos não têm relação com a história familiar, ou seja, não estão ligados a predisposições genéticas. Nos 10% a 15% com história familiar positiva, o risco é elevado.

Quanto maior a proximidade do parentesco, maior o risco. Um parente de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco em 1.8 vezes. Dois parentes de primeiro grau aumenta o risco em 2.9 vezes. Se tem um parente de primeiro grau com câncer de mama antes dos 40 anos, o risco de também tê-lo antes dos 40 aumenta em 5.7 vezes.

Quando há vários casos de câncer de mama ou de ovário em familiares com menos de 50 anos, casos com câncer nas duas mamas (apresentação bilateral), ou casos de câncer de mama em homens da família, deve-se suspeitar de predisposição genética, isto quer dizer que a família provavelmente possui mutações nos genes BRCA1 e BRCA 2. Mulheres com estes genes alterados apresentam 65% de chance de virem a ter câncer de mama até os 70 anos.

Menarca precoce: ter a primeira menstruação antes dos 11 anos triplica o risco;

Menopausa tardia: ter a última menstruação depois dos 55 anos duplica o risco;

Algumas lesões benignas de mama: ter tido previamente um nódulo mamário benigno com diagnóstico de hiperplasia ductal atípica aumenta de 4 a 5 vezes o risco. A maioria das lesões benignas da mama, como fibroadenoma simples, alterações fibrocísticas, papiloma e ectasia ductal, não acarreta em maior risco de câncer de mama.

História pessoal prévia de câncer de mama: aumenta quatro vezes a chance de ter novo câncer, seja na mesma ou na outra mama.

Altura: não sabe o motivo, mas mulheres mais altas apresentam maior risco de câncer de mama. Mulheres com mais de 1,75m apresentam 20% mais risco que mulheres abaixo de 1,60m.

Densidade das mamas: mulheres com mamas mais densas apresentam maior risco de câncer de mama e uma maior dificuldade em diagnosticá-lo pela mamografia. Atenção: a densidade da mama não necessariamente tem a ver com seu tamanho.

Radiação na região do tórax: pessoas com história prévia de radioterapia na região torácica, como no tratamento do linfoma, ou que entraram em contato com material radioativo maciçamente, como em acidentes nucleares, apresentam maior risco de câncer de mama. O risco é ainda maior se a exposição ocorreu durante a juventude.

Esses são fatores inevitáveis, mas não são “desconhecidos”.

Portanto, a presença deles não é uma sentença, mas um alerta!

Fatores modificáveis

Idade da primeira gravidez e número de filhos: quanto mais cedo a primeira gravidez, menor o risco. Mulheres acima dos 40 anos que nunca tiveram filhos são as que apresentam maior risco, cerca de 30% maior. Estima-se que cada filho reduza em 7% o risco de câncer de mama;

Amamentar reduz o risco de câncer de mama

Amamentar reduz o risco de câncer de mama

Não amamentar: amamentar reduz o risco de câncer de mama em 4.3% para cada 12 meses de amamentação realizada. Mulheres com muitos filhos e com longo tempo de amamentação estão mais protegidas.

Obesidade: quanto maior o tecido gorduroso, maior o risco. Mulheres com IMC acima de 33 kg/m2 apresentam 27% mais risco que mulheres com IMC normal. Após a menopausa, este risco é ainda maior;

Dieta rica em gordura: Consumo exagerado de alimentos gordurosos aumenta o risco 1,5 vezes.

Consumo de álcool: o consumo de álcool aumenta o risco. Quanto maior o consumo, maior o risco. Quando excessivo, aumenta em 1,3 vezes. O álcool ainda parece potencializar o risco da terapia de reposição hormonal;

Uso pílulas anticoncepcionais: há controvérsia sobre a influência dos anticoncepcionais no câncer de mama. Atualmente aceita-se que haja um pequeno aumento no risco, em torno de 1,24 vezes, que desaparece após sua suspensão;

Exercícios físicos reduzem o risco de câncer de mama

Exercícios físicos reduzem o risco de câncer de mama

Reposição hormonal: principalmente a que combina estrogênio com progesterona está relacionada a um maior risco de câncer de mama (1,35 vezes). Este risco ocorre quando o uso é feito por mais de 5 anos;

Sedentarismo: exercícios físicos diminuem o risco, independente se há redução de peso, pois diminuem a quantidade de hormônio feminino circulante. 40 minutos de caminhada 3x por semana já são suficientes para reduzir o risco. Mulheres que praticam exercícios mais intensos chegam a ter até 40% menos chance de desenvolver câncer de mama. A Sociedade Americana de Oncologia recomenda 45 minutos diários de exercícios por, pelo menos, 5 dias por semana.

Trabalho noturno: Mulheres que trabalham em turnos noturnos apresentam um risco maior de câncer de mama, provavelmente por alterações na secreção dos hormônios de ritmo circadiano (ocorre durante a madrugada) que é inibida pela luz artificial.

Uma outra forma de apresentar o risco para o câncer de mama é de acordo o grau de risco: muito elevado, mediamente elevado e pouco elevado.

Fatores de risco para câncer de mama

Como o nome já diz, são fatores modificáveis, cabe a cada mulher observar e mudar o que for possível para tentar evitar o desenvolvimento do câncer de mama.

Estudos sugerem a deficiência de vitamina D neste tipo de câncer. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Este assunto continua no artigo CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte II.

Referências

ACNE (CRAVOS E ESPINHAS): Entenda as Causas

A acne é uma doença de pele muito comum, sendo a gravidade de intensidade variável, desde lesões mínimas, imperceptíveis, até lesões muito graves, deformantes, com consequente redução da qualidade da vida e danos emocionais.

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O que caracteriza a acne?

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Visão microscópica da pele, mostrando a acne

A acne é caracterizada pelo aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilossebáceo, geralmente por queratina, formando os comedões abertos (os “cravos” pretos) e os comedões fechados (os “cravos” brancos).

Se o sebo produzido pelas glândulas sebáceas não é drenado e há proliferação bacteriana, acaba ocorrendo a inflamação. Esta inflamação é a “espinha”.

Frequente em adolescentes e em adultos jovens, a acne pode se prolongar além deste período, principalmente nas mulheres, nas quais pode permanecer além dos 30 anos de idade, sendo assim chamada de acne da mulher adulta.

“Espinhas” na mulher adulta

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Diferença de localização na adolescente e na mulher adulta

A acne da mulher adulta caracteriza-se por ter apresentar lesões predominantemente na região da mandíbula e, com frequência, estar relacionada ao ciclo menstrual.

Este tipo pode ocorrer devido à ação dos hormônios masculinos, os andrógenos, na pele da mulher.

Quando os andrógenos agem nas glândulas sebáceas, há como resultado a seborreia e a acne. Se agem sobre os folículos pilosos, o resultado é o aumento de pelos no corpo, chamado hirsutismo, e queda dos cabelos, a alopecia.

Quando seborreia (caspa), acne, hirsutismo (excesso de pelos no corpo) e alopecia (queda de cabelo) estão presentes, o conjunto é chamado de Síndrome SAHA.

Cremes e medicamentos podem causar acne

Hidratantes, protetores solares e outros cremes muito oleosos também podem causar acne por obstrução da abertura do folículo pilossebáceo, por isso, para a maioria das pessoas, os produtos para uso na pele do rosto devem ser em loção oil free ou gel.

Procure no rótulo esta informação. Geralmente vem escrito “não comedogênico”.

Também alguns medicamentos podem causar lesões semelhantes à acne: lítio, isoniazida, rifampicina, etionamida, vitaminas do complexo B (B1, B6 e B12), fenobarbitúricos, hidantoína e corticoides.

Outras causas de “espinhas”

Além do uso de cremes e medicamentos, há mais quatro causas para que uma pessoa tenha acne.

A primeira causa é a predisposição hereditária

Se pai e mãe tiveram acne, o filho tem 50% de ter acne também, com gravidade variável. Ou seja, mesmo com chance aumentada, não é possível prever a gravidade, se vai ser melhor ou pior que seus pais.

O fator hormonal é a segunda causa e é uma causa comum

Os hormônios masculinos regulam a produção de sebo pelas glândulas sebáceas.

Esses hormônios são produzidos pelos ovários e pelos testículos e também pelas glândulas supra-renais.

Na puberdade, quando o corpo passa por transformações para sair da “configuração criança” para a “configuração adulto”, há aumento na produção desses hormônios e, por causa disso, aumento do tamanho das glândulas sebáceas e da quantidade de secreção, sebo, produzida.

A terceira causa é a proliferação bacteriana na pele

Com o aumento da produção de sebo e o acúmulo deste, há proliferação de bactérias, levando à inflamação da pele, com lesões avermelhadas, dolorosas e com pus.

A principal bactéria no processo é a Propineumbacterium acnes (P. acnes).

Quarta causa: fatores emocionais

E, por fim, os fatores emocionais, como numa situação de grande stress ou mesmo com a variação hormonal do ciclo menstrual.

Fatores emocionais, com estímulo através do córtex cerebral, agem sobre o sistema neuroendócrino (eixo hipotálamo – hipófise – supra-renal), levando ao aumento dos níveis de hormônios masculinos.

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Chocolate não é causa em todas as pessoas

E o chocolate não causa “espinhas”?

Alimentos gordurosos e açucarados podem provocar a acne pelo aumenta oleosidade na pele, mas isso vai depender do metabolismo de cada pessoa.

Então, não é preciso qualquer dieta, mas a pessoa deve observar qual o comportamento de sua pele ao ingerir alimentos gordurosos ou açucarados e restringir o que for significativo para o seu caso, se necessário.

E é de bom senso, por diversos outros motivos, comer esses tipos de alimentos com moderação.

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Evolução da lesão de comedão ou cravo até acne nódulo-cística

A gravidade da acne é classificada em cinco graus:

Acne grau I ou comedogênica: somente comedões fechados ou abertos (“cravos”). Não há inflamação, “espinhas”.

Acne grau II ou pápulo-pustulosa: há comedões, pápulas, que são pontos vermelhos e pústulas, que são as “espinhas”.

Acne grau III ou nódulo-cística: há comedões, “espinhas” e cistos, que são lesões maiores, inflamadas, profundas e dolorosas, que podem drenar pus.

Acne grau IV ou conglobata: é como no grau anterior, porém mais grave, pois os cistos são muitas vezes maiores (nódulos), mais inflamados e mais numerosos. Também formam fístulas entre si (comunicam-se) e drenam pus. O quadro pode ser desfigurante.

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Acne grau IV ou conglobata

Acne grau V ou acne fulminans: situação rara e muito grave, pois a pessoa apresenta febre, queda do estado geral, dor em diversas articulações e nos músculos, além de perda do apetite. Geralmente é necessária a internação hospitalar.

“Espinhas” no recém-nascido

Além desta classificação de apresentação, a acne pode ocorrer no recém-nascido.

A acne neonatal inicia nas primeiras semanas de vida, devido aos andrógenos da mãe e tende a regredir após alguns meses.

Já no lactente, a acne surge entre os 3 e 6 meses de idade e está relacionada aos andrógenos das gônadas (ovários ou testículos) ou supra-renais e tende a se um pouco mais grave e persistente, podendo durar até vários anos.

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Sequelas: cicatrizes atróficas (profundas)

A acne pode deixar sequelas?

Dependendo da agressividade, do tipo de pele e se a pessoa manipulou as lesões, isto é, se “espremeu as espinhas”, a acne pode deixar manchas e/ou cicatrizes.

“Espremer” as “espinhas” pode melhorar a ansiedade, mas piora a pele, deixando manchas e cicatrizes, onde poderia não haver essas complicações. Para tratar ansiedade, procure um psicólogo ou um psiquiatra e não a sua pele.

As cicatrizes podem ser superficiais, profundas, ou seja: atróficas, ou podem ser elevadas e endurecidas, os quelóides.

Então, não “esprema” as “espinhas” e nem os “cravos”!!!!! E use protetor solar fator 30 diariamente!!!

Tratamento

Pra iniciar o tratamento, o médico deve definir o grau de acne. Em casos leves a moderados de acne grau I e II, apenas medicamentos de uso local são indicados, como retinóides, peróxido de benzoíla e antibióticos tópicos.

Um medicamento local que trata inflamação – “espinhas”, não consegue tratar comedão – “cravos”, já que estes não tem inflamação, e o medicamento que trata comedão pode piorar a inflamação. Isso porque, para tratar uma acne grau I, o objetivo é afinar a pele, tirar as camadas mais superficiais, o que acabaria por exacerbar a inflamação.

Em linhas gerais, na acne não grave, o tratamento visa à desobstrução dos folículos e o controle da proliferação bacteriana e da oleosidade.

No grau II de maior intensidade e extensão e no grau III, há a indicação de antibióticos por via oral, além do tratamento local.

Qualquer grau citado acima tratado adequadamente por, pelo menos 3 meses, sem resultado significativo pode ser considerado como resistente.

Acnes resistentes e grau IV têm indicação de tratamento com isotretinoína oral, cujo nome comercial de referência é Roacutan.

A isotretinoína oral é eficaz em 60 % dos casos, nos quais a pessoa pode ser considerada curada. Em 20 % a acne retorna, porém mais branda e em outros 20% faz-se necessário novo curso de tratamento com o medicamento. Portanto, não há milagre.

A proteção solar

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A diferença básica entre UVB e UVA é que a UVB queima a pele, mas as duas causam danos à pele

A ação da radiação ultravioleta (UVA e UVB) do sol tende a piorar a mancha que a “espinha” faz durante a sua cicatrização. Esta mancha é chamada hiperpigmentação pós-inflamatória.

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Use protetor solar contra UVA e UVB FPS 30

Assim, parte fundamental do tratamento de acne é a proteção solar.

A proteção solar deve ser eficiente contra as radiações UVA e UVB. A radiação UVB é a que queima e é mais intensa no verão e a UVA, que não transmite calor, não varia de intensidade durante o ano e pode, além manchar a pele e causar o câncer melanoma, induzir o envelhecimento precoce da pele.

A ação da radiação ultravioleta da luz do sol pode também induzir o desenvolvimento do câncer de pele Melanoma (leia mais em Melanoma: Sinais, Riscos e Prevenção).

E pode também levar ao desenvolvimentos de manchas na pele (leia mais em MELASMA: Manchas Escuras na Pele do Rosto).

Use protetor solar fator 30 todos os dias que proteja tanto para radiação UVB quanto para UVA.

Se você tem acne, procure um dermatologista, produtos de catálogo ou comerciais podem dar alívio, mas resposta real somente com tratamento médico.

Acne, apesar de normal, é uma doença e deve ser tratada por um médico.

Para mais algumas informações, veja o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Referências

  • Pediatria – Consulta Rápida – Paula Xavier Picon – Editora: ARTMED EDITORA – Ano de Edição: 2010
  • Saúde – Entendendo as Doenças, a Enciclopédia Médica da Família – Editora: NOBEL
  • E 20 anos de Medicina

DOENÇA CELÍACA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Em artigo anterior, conversamos sobre a importância de a pessoa que tem intolerância ao glúten (leia ALIMENTOS SEM GLÚTEN (Gluten Free) Exclusivamente?) e, neste artigo conversaremos sobre o diagnóstico e tratamento da doença celíaca.

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A doença celíaca e o glúten

A doença celíaca, por ser causada pelo glúten, também é conhecida como enteropatia glúten-induzida ou glúten-sensível e é caracterizada pelo dano difuso na mucosa do intestino delgado proximal, que resulta em má absorção da maioria dos nutrientes.

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Glúten é uma proteína presente no trigo e a intolerância ao glúten causa a doença celiaca

O glúten é uma proteína que está presente em certos grãos, tais como trigo, centeio e cevada, mas não no arroz ou milho. A aveia contém glúten por “contaminação cruzada”, seja com o trigo, com a cevada ou o centeio.

O mecanismo de dano é desconhecido. Provavelmente, numa pessoa geneticamente predisposta, o glúten estimula uma resposta auto-imune mediada por células T na submucosa intestinal que resulta em destruição dos enterócitos da mucosa. Um dos alvos desta resposta auto-imune é a transglutaminase tissular (tTG), uma enzima que modifica um componente do glúten (gliadina) para uma forma que estimula as células T mais fortemente.

Surgimento dos sintomas

Os sintomas típicos geralmente se manifestam entre 6 e 24 meses de idade, com a apresentação de novos alimentos ao bebê. Até metade dos casos apresentam sintomas atípicos na infância ou na idade adulta.

A doença está presente nas pessoas geneticamente predispostas de ascendência européia e é rara em africanos e asiáticos. A maioria dos casos não é diagnosticada.

A mudança de hábito alimentar com alimentos sem glúten resulta na resolução dos sintomas e cura intestinal na maioria dos pacientes.

Sinais e sintomas da doença celíaca

Os sinais e sintomas da doença celíaca dependem do comprimento comprometido do intestino delgado e da idade em que o paciente apresenta a alteração.

Crianças menores de 2 anos são mais propensas a apresentar sintomas típicos de má absorção, incluindo diarreia, perda de peso, distensão abdominal, fraqueza, perda de massa muscular, ou retardo do crescimento.

As fezes são caracteristicamente amolecidas, volumosas, flutuantes, oleosas ou gordurosas, e mal cheirosas. Também podem ser líquidas e em evacuações de frequência elevada (até 10-12 vezes ao dia).

Crianças maiores e adultos são menos propensos a manifestar sinais de má absorção grave. Eles podem relatar diarréia crônica, dispepsia e flatulência devido à colonização bacteriana por digestão de nutrientes mal absorvidos. A gravidade da perda de peso é variável.

Muitos adultos têm pouco ou nenhum sintoma gastrointestinal, mas podem apresentar fadiga, baixa estatura, amenorréia ou redução da fertilidade, osteoporose, hipoplasia do esmalte dentário e anemia.

intolerância à lactose

Intolerância à lactose pode estar associada

É muito comum a pessoa que tem doença celíaca desenvolver intolerância à lactose devido às alterações causadas na parede do intestino, onde é produzida a lactase, uma enzima que faz o leite ser digerido para ser absorvido.

Para saber mais sobre intolerância à lactose, leia o artigo INTOLERÂNCIA À LACTOSE: a Deficiência de Lactase.

O exame físico

O exame físico pode ser normal em casos leves ou pode revelar sinais de má absorção, como a perda de massa muscular ou de gordura subcutânea, palidez devido à anemia, facilidade de sangramento devido à deficiência de vitamina K, hiperqueratose devido à deficiência de vitamina A, dor óssea devido à osteomalácia, ou sinais neurológicos (neuropatia periférica, ataxia), devido à deficiência de vitamina B12 ou vitamina E. O abdome pode estar distendido com ruídos intestinais hiperativos.

A dermatite herpetiforme

alimentos sem gluten

Pequenas bolhas (vesículas) com muita coceira: dermatite herpetiforme

Dermatite herpetiforme é considerada como uma variante cutânea da doença celíaca.

É uma erupção cutânea característica que consiste em pápulo-vesículas pruriginosas sobre as superfícies extensoras das extremidades e no tronco, couro cabeludo e pescoço. Dermatite herpetiforme ocorre em menos de 10% dos pacientes com doença celíaca, no entanto, quase todos pacientes que se apresentam com dermatite herpetiforme têm evidência de doença celíaca em biópsia da mucosa intestinal que pode não ser clinicamente evidente.

Exames complementares

Laboratoriais

Anormalidades Laboratoriais dependem do grau de envolvimento intestinal. Hemograma completo, dosagens de ferro sérico ou ferritina, ácido fólico, vitamina B12, cálcio no soro, fosfatase alcalina, albumina, beta-caroteno, e tempo de protrombina devem ser obtidos em todos os pacientes com suspeita de má absorção.

Envolvimento proximal limitado pode resultar em anemia microcítica e hipocrômica somente devido à deficiência de ferro. Mais de 10% de adultos com deficiência de ferro não devido à perda de sangue gastrointestinal podem ter doença celíaca não diagnosticada. Envolvimento mais amplo resulta em anemia megaloblástica devido à deficiência de ácido fólico ou vitamina B12.

Baixo cálcio sérico ou fosfatase alcalina elevada pode refletir absorção deficiente de cálcio ou vitamina D com osteoporose ou osteomalácia. A densitometria óssea pode ser recomendada para os pacientes com doença celíaca para investigar osteoporose.

Elevações do tempo de protrombina ou diminuição sérica de beta-caroteno reflete absorção prejudicada de vitaminas lipossolúveis.

Diarreia grave pode provocar acidose metabólica e hipocalemia. A esteatorréia (gordura nas fezes) geralmente está presente, mas pode estar ausente na doença leve.

Anticorpos

Alguns testes sorológicos podem ser utilizados para auxiliar o diagnóstico da doença celíaca e para monitorar a adesão do paciente à dieta com alimentos sem glúten exclusivamente.

Anticorpos antigliadina IgG e IgA estão presentes em mais de 90% dos pacientes com doença celíaca, mas são elevados também em outras doenças das mucosas. O anticorpo IgG é mais sensível, e o anticorpo IgA é mais específico. Porque até 10% de pacientes com doença celíaca têm deficiência de IgA, ambos os testes devem ser realizados. Uma combinação dos dois testes proporciona sensibilidade e especificidade superior a 95%.

Anticorpos IgA antiendomísio e testes de anticorpos anti-tTG IgA tem mais de 95% de sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de doença celíaca e tornaram-se os testes sorológicos preferenciais para a triagem de doença celíaca em muitos centros.

O teste para IgG antigliadina ainda é necessário para o subconjunto de pacientes com deficiência de IgA.

Os níveis de anticorpos IgA antigliadina, antiendomísio, e anti-tTG tornam-se indetectáveis após 6-12 meses de dieta sem glúten e pode ser usado para controlar o cumprimento da dieta, especialmente em pacientes que não melhoram depois da mudança para uma dieta sem glúten.

Biópsia da mucosa intestinal

doença celíaca endoscopia

Parede do intestino: alterações típicas de doença celíaca

Biópsia, por endoscopia, da mucosa do duodeno distal ou jejuno proximal é o método padrão para a confirmação do diagnóstico em pacientes com sorologia positiva para a doença celíaca.

Deve ser avaliada a possibilidade de proceder à biópsia da mucosa em pacientes com sorologia negativa, quando os sintomas são sugestivos de doença celíaca.

Biópsia da mucosa duodenal também deve ser realizada em pacientes com anemia por deficiência de ferro com endoscopia digestiva alta e colonoscopia negativas para perda de sangue gastrointestinal como causa, 5-10% podem ter doença celíaca.

Na endoscopia, são consideradas alterações típicas a presença de pregas serrilhadas, mucosa nodular ou padrão mosaico e redução ou ausência de pregas duodenais.

A histologia revela perda ou embotamento das vilosidades intestinais, hipertrofia das criptas intestinais, e extensa infiltração da lâmina própria por linfócitos e células plasmáticas.

A biópsia normal exclui o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial da doença celíaca

Por causa de suas manifestações variadas, a doença celíaca é subdiagnosticada na população adulta. Muitos pacientes com diarréia crônica ou flatulência são erroneamente diagnosticados como tendo síndrome do intestino irritável, por exemplo.

Os sintomas estão presentes há mais de 10 anos na maioria dos pacientes antes que o diagnóstico correto seja estabelecido.

Doença celíaca causa má absorção de nutrientes e deve ser distinguida de outras causas de má absorção. Má absorção grave de vários nutrientes é quase sempre causada por doença da mucosa.

Anormalidades no exame microscópico

Visão microscópica da parede do intestino.

Visão microscópica da parede do intestino. Com a agressão constante, a parede vai se tornando lisa.

A aparência histológica, ou seja: as anormalidades no exame microscópico, da doença celíaca pode assemelhar-se a outras doenças da mucosa tais como espru tropical, crescimento bacteriano, intolerância à lactose, gastroenterite viral, gastroenterite eosinofílica, e os danos na mucosa causados por hipersecreção ácida relacionada com gastrinomas.

Resposta clínica à retirada do glúten da alimentação é diagnóstico.A reversão destas anormalidades na repetição da biópsia de um paciente que realizou dieta isenta de glúten estabelece o diagnóstico. No entanto, se um paciente com biópsia compatível demonstra melhora imediata em uma dieta livre de glúten e uma diminuição dos anticorpos antigliadina, uma repetição da biópsia é desnecessária.

Tratamento da doença celíaca

doença celíaca

A retirada do glúten da dieta é essencial

A retirada do glúten da dieta é essencial. Arroz, soja, batata, milho e farinhas são seguros.

A maioria dos pacientes com doença celíaca também tem intolerância à lactose temporária ou permanentemente, e deve evitar os produtos lácteos até que os sintomas intestinais melhorem com a dieta isenta de glúten.

Os suplementos dietéticos (folato, ferro, cálcio e vitaminas A, B12, D, e E) devem ser fornecidos nas fases iniciais do tratamento, mas geralmente não são necessários a longo prazo com uma dieta isenta de glúten. Pacientes com osteoporose confirmada podem requerer reposição crônica de cálcio, vitamina D, e tratamento com bifosfonatos.

A melhora dos sintomas deve ser evidente dentro de algumas semanas na dieta isenta de glúten. A razão mais comum para o insucesso do tratamento é a remoção incompleta do glúten.

Prognóstico e complicações da doença celíaca

Se diagnosticados e tratados de forma adequada, os pacientes com doença celíaca têm um prognóstico excelente.

A doença celíaca pode estar associada com outras doenças auto-imunes, incluindo a doença de Addison, doença de Graves, diabetes mellitus tipo I, miastenia gravis, esclerose sistêmica, síndrome de Sjogren, gastrite atrófica, e insuficiência pancreática.

Em alguns pacientes, a doença celíaca pode evoluir e tornar-se refratário à dieta isenta de glúten. A causa mais comum é o não abandono intencional ou não do glúten, que pode ser sugerido por testes sorológicos positivos.

A doença celíaca, que é verdadeiramente refratária à retirada do glúten, geralmente carrega um prognóstico pobre. Ela pode ser causada pelo desenvolvimento de jejunite ulcerativa ou enteropatia ou por linfoma associado a célula T, que ocorre em até 10% dos pacientes. Estas condições devem ser consideradas em doentes anteriormente responsivos à dieta sem glúten que desenvolvem nova perda de peso, dor abdominal e má absorção. Muitos outros pacientes com sintomas refratários tem um linfoma “críptico” intestinal, isto é, uma expansão intra-epitelial monoclonal do linfócito T que pode ou não progredir.

Pacientes com doença celíaca refratária que não tem linfoma de células T intestinal ou jejunite ulcerativa pode responder aos corticosteróides ou imunossupressão com azatioprina ou ciclosporina.

Referência

ALIMENTOS SEM GLÚTEN (Gluten Free) Exclusivamente?

Para facilitar a vida de quem tem que comer alimentos sem glúten (gluten free), em 2004, no Brasil, entrou em vigor a Lei 10.674 que obriga que em todos os rótulos de alimentos industrializados venha escrito “contém glúten” ou “não contém glúten”, conforme o caso.

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Mas o que é glúten?

Glúten é um tipo de proteína encontrada na semente de muitos cereais, como o trigo, cevada e centeio, e também na aveia.

O aviso “contém glúten”, encontrado nas embalagens, serve para alertar as pessoas portadoras de intolerância a essa proteína para que, assim, não consumam este alimento.

alimentos sem gluten

Glúten é um tipo de proteína encontrada na semente de muitos cereais, como o trigo, cevada e centeio e aveia

Diversas vezes encontramos o alerta “contém glúten” em embalagens de alimentos que não levam estas farinha porque, embora o alimento seja sem glúten, pode acontecer de, no processo de fabricação, o produto passar por máquinas e formas que fabriquem outros alimentos que contêm glúten e ser “contaminado”.

Para levar o rótulo “não contém glúten”, o produto deve ser absolutamente isento desta proteína

A intolerância ao glúten

A intolerância ao glúten afeta as pessoas geneticamente predispostas, de ascendência européia, o que significa aproximadamente 1 % da população, embora este número deva estar subestimado devido aos casos não diagnosticados, já que muitas vezes os sintomas são discretos. 

A manifestação mais comum da intolerância ao glúten é no intestino, conhecida como Doença Celíaca, mas também pode ocorrer uma manifestação na pele, chamada Dermatite Herpetiforme ou Doença de Dhuring-Broq, mas vamos falar da pele mais adiante…   …agora vamos à manifestação no intestino que, devido à dificuldade de absorção dos nutrientes, leva aos sintomas gerais. 

Classicamente a doença celíaca tem como tríade de definição: diarreia, perda de peso (ou falta de crescimento nas crianças) e fadiga. Porém, a manifestação da doença pode ser variável e os sinais e sintomas serem relacionados à absorção diminuída de nutrientes, como anemia (por má absorção de ferro e/ou de ácido fólico e vitamina B12) ou somente fadiga, por exemplo. Portanto, a tríade clássica de sintomas não é mais uma obrigação para o diagnóstico.

Alterações no intestino

Mas o que acontece no intestino quando um portador da intolerância ingere alimentos com glúten?

Também pode ocorrer má absorção de cálcio e vitamina D com consequente osteopenia (conteúdo

mineral do osso reduzido) ou osteoporose (osso “fraco” com maior risco de fraturas) e redução da absorção de vitamina K e dificuldade na coagulação do sangue.

 

A inflamação contínua da mucosa intestinal pelo contato com o glúten pode levar ao desenvolvimento de neoplasias como o linfoma não Hodgkin e o adenocarcinoma do intestino delgado.

Outros tumores também podem estar associados como o carcinoma de células escamosas esofágico ou orofaríngeo.

Então, a única forma de controle dos sintomas e prevenção das neoplasias é comer alimentos sem glúten .

alimentos sem gluten

Representação das alterações microscópicas na parede do intestino: fica lisa e perde a capacidade de absorver os nutrientes

Na pele: Dermatite Herpetiforme

Na pele, a intolerância ao glúten pode se apresentar como vesículas (“bolhas” pequenas), com prurido (coceira) intenso que tendem a  se agrupar como fazem as lesões de herpes, daí o nome Dermatite Herpetiforme.

Ocorrem principalmente nas áreas extensoras dos antebraços, joelhos, cotovelos, couro cabeludo, nuca, nádegas, região interescapular e sacral, caracteristicamente com apresentação simétrica, poupando as palmas das mãos e plantas dos pés.

A Dermatite Herpetiforme afeta geralmente homens na faixa etária entre 20 e 55 anos, mas pode se manifestar em qualquer idade e em mulheres também.

A doença ocorre mais frequentemente em pacientes com doença celíaca, mas pode ocorrer sem doença gastrointestinal aparente.

alimentos sem gluten

Dermatite herpetiforme: pequenas bolhas (vesículas) na pele que coçam intensamente

A Dermatite Herpetiforme é uma doença crônica com períodos de melhora e de piora. Infecções e stress emocional podem ser gatilho para a piora.

Também o uso de antiinflamatórios não esteróides podem piorar o quadro.

O tratamento é com dapsona (que deve ser prescrita por um médico devido aos possíveis efeitos colaterais graves) e a ingesta de alimentos sem glúten é a melhor forma de controle, com remissão total dos sinais e sintomas.

Mas vamos à pergunta do título:

Alimentos sem glúten (glúten free) exclusivamente?

Sempre!

Alimentos sem glúten devem ser ingeridos sempre exclusivamente quando a pessoa é portadora de intolerância, mesmo sem manifestações graves, posto que nestas pessoas, o simples contato do glúten com o intestino e a inflamação crônica decorrente, como dito acima, podem levar ao desenvolvimento de neoplasias malignas.

Quem tem intolerância a glúten pode desenvolver doença celíaca

Quem tem intolerância a glúten pode desenvolver doença celíaca

Para outras informações como alimentos permitidos e proibidos, receitas sem glúten etc, veja o site da ACELBRA (Associação dos Celíacos do Brasil).

Num próximo artigo conversaremos melhor sobre a DOENÇA CELÍACA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento.

É muito comum a pessoa que tem doença celíaca desenvolver intolerância à lactose devido às alterações causadas na parede do intestino, onde é produzida a lactase, uma enzima que faz o leite ser digerido para ser absorvido.

Para saber mais sobre intolerância à lactose, leia o artigo INTOLERÂNCIA À LACTOSE: a Deficiência de Lactase.

Relação de alimentos permitidos (gluten free) e proibidos (com glúten):

Permitidos: arroz (e farinha de arroz, creme de arroz, arrozina, arroz integral em pó e seus derivados), batata (fécula ou farinha), milho (fubá, farinha, amido de milho, maisena, flocos, canjica e pipoca), mandioca (fécula ou farinha, como a tapioca, polvilho doce ou azedo), macarrão de cereais (arroz, milho e mandioca), cará, inhame, araruta, sagu, trigo sarraceno. Sucos de frutas e vegetais naturais, refrigerantes, chás, vinhos, champanhes, aguardentes, saquê, café. Leite em pó, esterilizados, integrais, desnatados e semi-desnatados. Leite condensado, creme de leite, Yakult, queijos frescos, tipo minas, ricota, parmesão. Pães de queijo. Açúcar de cana, mel, melado, rapadura, glucose de milho, malto-dextrina, dextrose, glicose, geléias de fruta e de mocotó, doces e sorvetes caseiros preparados com alimentos permitidos, achocolatados de cacau, balas e caramelos. Todas as carnes, incluindo presunto e linguiça caseira. Manteiga, margarina, banha de porco, gordura vegetal hidrogenada, óleos vegetais, azeite. Feijão, broto de feijão, ervilha seca, lentilha, amendoim, grão de bico, soja (extrato protéico de soja, extrato hidrossolúvel de soja). Todos os legumes e verduras. Sal, pimenta, cheiro-verde, erva, temperos caseiros, maionese caseira, vinagre fermentado de vinhos tinto e de arroz, glutamato monossódico (Ajinomoto).

Proibidos: todos os produtos elaborados com trigo (farinha, semolina, germe e farelo), aveia (flocos e farinha), centeio, cevada (farinha) e malte. Cerveja, uísque, vodka, gim. Ovomaltine, bebidas contendo malte, cafés misturados com cevada. Leites achocolatados que contenham malte ou extrato de malte, queijos fundidos, queijos preparados com cereais proibidos. Patês enlatados, embutidos (salame, salaminho e algumas salsichas), carnes preparadas à milanesa. Extrato proteico vegetal, proteína vegetal hidrolisada.

Verificar rótulo: bebidas e queijos cuja composição não esteja clara no rótulo. Iogurtes, requeijão, bebidas com leite. Doces. Maionese, catchup, mostarda e temperos industrializados.