Psiquiatria e Psicologia

DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I

A depressão é mais do que simplesmente sentir-se triste por alguns dias. Tristeza é apenas um dos sintomas da depressão, como veremos neste texto.

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Todo mundo passa por períodos de tristeza, mas quando a pessoa está deprimida, ela se sente persistentemente triste por semanas ou meses, ao invésde apenas alguns dias.

Pensar que é um problema trivial e não uma condição de saúde genuína é errado. A depressão é uma doença real, com sintomas reais, e não é um sinal de fraqueza ou algo que a pessoa pode “pular fora” sozinha.

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Depressão é mais do que tristeza.

É uma doença que causa uma sensação persistente de tristeza e perda de interesse.

Ela afeta o modo como a pessoa se sente, pensa e se comporta.

Esta doença pode levar a uma variedade de problemas emocionais e físicos. A pessoa pode ter problemas para fazer atividades normais do dia-a-dia, e se sentir como se a vida não valesse a pena viver. Algumas pessoas sentem-se geralmente miseráveis ou infelizes sem saber por quê.

A depressão é uma doença crônica que geralmente requer tratamento de longo prazo, como diabetes ou pressão arterial elevada. A maioria das pessoas pode ter uma recuperação completa com medicamentos, acompanhamento psicológico e apoio.

Neste texto conversaremos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações da doença não tratada. Este texto continua no artigo DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II, que aborda o tratamento.

Sintomas incluem:

  • Sentimentos de tristeza, infelicidade
  • Irritabilidade ou frustração, mesmo em pequenas coisas
  • Perda de interesse ou prazer nas atividades normais
  • Desejo sexual reduzido
  • Insônia ou sono excessivo
  • Alterações no apetite – depressão muitas vezes provoca diminuição do apetite e perda de peso, mas em algumas pessoas ela provoca aumento do desejo por comida e ganho de peso
  • Agitação ou inquietação
  • Irritabilidade ou acessos de raiva
  • Desaceleração ao pensar, falar ou nos movimentos do corpo
  • Fadiga, cansaço e perda de energia – até mesmo pequenas tarefas podem parecem exigir muito esforço
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa, fixar-se em erros do passado ou se culpar quando as coisas não estão indo bem
  • Dificuldade para pensar, concentrar-se, tomar decisões e lembrar das coisas
  • Pensamentos frequentes de morte ou suicídio
  • Crises de choro sem motivo aparente
  • Problemas físicos inespecíficos, como dores nas costas ou dores de cabeça

Para algumas pessoas, os sintomas são tão graves que é óbvio que algo não está certo. Para outras, os sintomas vêm de tão longo tempo que a própria pessoa e as pessoas que a cercam acreditam que é “o jeito próprio da pessoa ser”.

A depressão afeta cada pessoa de diferentes maneiras, e assim os sintomas causados por depressão variam de pessoa para pessoa. Traços herdados, idade, sexo e formação cultural, todos desempenham um papel na forma como a depressão pode afetar cada um.

Sintomas em crianças e adolescentes

Os sintomas mais comuns podem ser um pouco diferentes nas crianças e nos adolescentes de como são nos adultos.

Em crianças menores, os sintomas podem incluir tristeza, irritabilidade, falta de esperança e preocupação.

Os sintomas em adolescentes podem incluir ansiedade, raiva e evitar a interação social.

Mudanças no pensamento e sono são sinais comuns em adolescentes e adultos, mas não são tão comuns em crianças mais jovens.

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As crianças também podem sofrer de depressão

Em crianças e adolescentes, a depressão muitas vezes ocorre juntamente com problemas de comportamento e outras condições de saúde mental, tais como ansiedade ou transtorno de déficit de atenção (TDA).

O rendimento escolar pode cair em crianças que estão deprimidas.

Sintomas em idosos

A depressão não é uma parte normal do envelhecimento. No entanto, a depressão pode ocorrer e ocorre em idosos. Infelizmente, muitas vezes não é diagnosticada e tratada. Muitos idosos se sentem relutantes em procurar ajuda quando eles estão se sentindo para baixo.

Em idosos, pode seguir não diagnosticada porque os sintomas – por exemplo, fadiga, perda de apetite, problemas de sono ou perda de interesse em sexo – podem parecer ser causados por outras doenças.

Idosos podem ter sintomas menos óbvios. Eles podem sentir-se insatisfeitos com a vida em geral, entediados, impotentes ou sem valor.

Eles podem sempre querer ficar em casa, em vez de sair para socializar ou fazer coisas novas.

Pensamentos suicidas em idosos são um sinal de depressão grave, especialmente nos homens. De todas as pessoas com depressão, os idosos do sexo masculino estão em maior risco de suicídio.

Quando consultar um médico

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Médico e psicólogo devem ser consultados

Uma pessoa que se sente deprimida deve fazer uma consulta com um médico assim que possível.

Sintomas de depressão não melhoram por conta própria e a depressão pode piorar se não for tratada. A depressão não tratada pode levar a outros problemas de saúde ou problemas em outras áreas de sua vida física e mental.

Sentimentos de depressão também podem levar ao suicídio.

Causas

Não se sabe exatamente o que causa a depressão. Tal como acontece com muitas doenças mentais, uma variedade de fatores pode estar envolvida. Estes fatores incluem:

  • Diferenças biológicas: algumas pessoas com depressão parecem ter mudanças físicas em seus cérebros. O significado destas mudanças ainda é incerto.
  • Neurotransmissores: são substâncias químicas liberadas pelos neurônios no cérebro e utilizadas para a transferência de informações entre eles.  Os neurotransmissores têm papel importante na depressão. Mas falaremos disso mais adiante.
  • Hormônios: alterações no equilíbrio dos hormônios podem causar ou desencadear a depressão. Alterações hormonais podem resultar de problemas de tireóide, menopausa ou uma série de outras condições.
  • Traços herdados: a depressão é mais comum em pessoas cujos membros da família biológica também têm essa condição. Os pesquisadores estão tentando encontrar os genes que podem estar envolvidos na causa da depressão.
  • Eventos de vida: certos eventos, como a morte ou a perda de um ente querido, problemas financeiros e de alta tensão, podem desencadear a depressão em algumas pessoas.
  • Trauma na primeira infância: eventos traumáticos durante a infância, como abuso ou perda dos pais, podem causar alterações permanentes no cérebro que o tornam mais suscetível à depressão.

Fatores de risco

A depressão geralmente começa na adolescência, e no adulto jovem (20 ou 30 anos), mas pode acontecer em qualquer idade. As mulheres têm duas vezes mais esta condição que os homens, mas essa estatística pode ser devida, em parte, porque as mulheres são mais propensas a procurar tratamento e revelar o problema.

Embora a causa exata não seja conhecida, alguns fatores que parecem aumentar o risco de desenvolvimento ou desencadeamento da depressão foram identificados, incluindo:

  • Ter parentes biológicos com a depressão
  • Ser mulher
  • Experiências traumáticas na infância
  • Ter membros da família ou amigos que foram deprimidos
  • Eventos de vida estressantes, como a morte de um ente querido
  • Ter poucos amigos ou outras relações pessoais
  • Recentemente ter dado à luz (depressão pós-parto)
  • História de depressão anteriormente
  • Ter uma doença grave, tais como câncer, diabetes, doença cardíaca, doença de Alzheimer ou o HIV / SIDA
  • Tendo certos traços de personalidade, como ter baixa auto-estima e ser excessivamente dependente, auto-crítico ou pessimista
  • Abusar do álcool, nicotina ou drogas ilícitas
  • Certos medicamentos para hipertensão arterial, para dormir ou certos outros medicamentos (a pessoa deve falar com o médico antes de interromper qualquer medicação que ache que poderia estar afetando o seu estado de espírito)

Há associação entre deficiência de vitamina D e depressão. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Complicações

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A pessoa deprimida muitas vezes se afasta dos amigos

Complicações associadas podem incluir:

  • Abuso de álcool
  • Abuso de outras drogas
  • Ansiedade
  • Problemas no trabalho ou na escola
  • Conflitos familiares
  • Dificuldades de relacionamento
  • Isolamento social
  • Suicídio
  • Auto-mutilação, como cortes
  • Morte prematura por outras doenças

Os critérios de diagnóstico

Para ser diagnosticada com depressão, a pessoa deve ter cinco ou mais dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas. Pelo menos um dos sintomas deve ser um humor deprimido ou uma perda de interesse ou prazer. Os sintomas podem ser baseados em seus próprios sentimentos ou podem basear-se nas observações de alguém. Eles incluem:

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Alterações de humor e de comportamento são comuns

  • Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, como se sentindo triste, vazio ou choro constante (em crianças e adolescentes, humor depressivo pode aparecer como irritabilidade constante)
  • Diminuição do interesse ou não sentir prazer em todas – ou quase todas – as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias
  • Perda de peso significativa quando não estiver de dieta, ganho de peso, ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias (em crianças, a incapacidade de ganhar peso como o esperado pode ser um sinal)
  • Insônia ou aumento do desejo de dormir quase todos os dias
  • Agitação ou comportamento lento que pode ser observada por outros
  • Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias
  • Dificuldade em tomar decisões, ou problemas para pensar ou concentrar-se quase todos os dias
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio ou tentativa de suicídio

Outras condições que causam os sintomas da depressão

Existem várias outras condições com sintomas que podem incluir depressão. É importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado para sua condição particular. Um médico ou um psicólogo vai ajudar a determinar se os sintomas de depressão são causados por uma das seguintes condições:

  • Transtorno de adaptação: um transtorno de adaptação é uma reação emocional grave a um evento difícil em sua vida. É um tipo de doença mental relacionada ao stress que pode afetar os sentimentos, pensamentos e comportamentos.
  • Transtorno bipolar: este tipo de transtorno é caracterizado por mudanças de humor que alternam períodos de “tristeza profunda” com “alegria intensa”. Às vezes, é difícil distinguir entre transtorno bipolar e depressão, mas é importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado e medicamentos.
  • Ciclotimia: também chamada de transtorno ciclotímico, é uma forma mais branda da doença bipolar.
  • Distimia: é uma forma menos grave, mas mais crônica de depressão. Embora geralmente não seja incapacitante, a distimia pode impedir a pessoa de funcionar normalmente em sua rotina diária e de viver a vida em sua plenitude.
  • Depressão pós-parto: este é um tipo comum que ocorre em novas mães. Muitas vezes ocorre entre duas semanas e seis meses após o parto.
  • Depressão psicótica: esta é uma condição grave acompanhada por sintomas psicóticos, tais como ilusões e alucinações.
  • Transtorno afetivo sazonal: este tipo está relacionado com mudanças nas estações e exposição reduzida ao sol.

Certifique-se de entender que tipo de depressão a pessoa tem para que ela possa aprender mais sobre a sua situação específica e seus tratamentos.

Referências

DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II

A emoção humana normal que às vezes chamamos “depressão” é uma resposta comum a uma perda, fracasso ou decepção.

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Todas as faixas etárias e todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos podem experimentar depressão..

A depressão doença é diferente. É uma doença biológica e emocional que afeta os pensamentos, os sentimentos, o comportamento, o humor e a saúde física.

A depressão é uma condição ao longo da vida na qual períodos de bem-estar alternam com recorrências de doença e pode necessitar de tratamento de longo prazo para evitar o retorno dos sintomas, assim como em qualquer outra doença crônica.

Todas as faixas etárias e todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos podem experimentar depressão. Alguns indivíduos podem ter apenas um episódio de depressão na vida, mas muitas vezes as pessoas têm episódios recorrentes.

Se não tratada, os episódios geralmente duram de alguns meses a muitos anos.

No texto anterior,  DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I, conversamos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações de uma depressão não tratada. Neste texto abordamos o tratamento da depressão.

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A depressão pode e deve ser tratada o mais cedo possível

Tratamento da depressão

Inúmeros tratamentos de depressão estão disponíveis. Medicamentos e acompanhamento psicológico (psicoterapia) são muito eficazes para a maioria das pessoas.

Em alguns casos, um médico generalista ou de outra especialidade que acompanha a pessoa por outros motivos, como o ginecologista, pode receitar medicamentos para aliviar os sintomas de depressão. No entanto, muitas pessoas precisam ver um psiquiatra.

Muitas pessoas com depressão também podem se beneficiar do acompanhamento com um psicólogo. Normalmente, o tratamento mais eficaz para a depressão é uma combinação de medicamentos e psicoterapia.

Se a pessoa tem depressão grave, um responsável pode ter de guiar o seu cuidado até que esteja bem o suficiente para participar na tomada de decisão. A pessoa pode precisar de uma internação hospitalar, ou acompanhamento ambulatorial até que os sintomas melhorem.

Mas o que são neurotransmissores?

A célula que compõe o Sistema Nervoso é o neurônio e a atividade neuronal representa a comunicação entre os neurônios. Toda atividade cerebral se dá através da atividade dos neurônios.

A forma de comunicação entre os neurônios se faz por substâncias químicas e por estímulos elétricos. As substâncias químicas são os neurotransmissores.

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Neurotransmissores são substâncias químicas que fazem transferência de informações entre os neurônios

Os neurotransmissores são produzidos pelos próprios neurônios e fazem a transferência de informações entre eles.

A irregularidade na produção de neurotransmissores afeta a transmissão de informações entre os neurônios e, portanto, afeta o pensamento, sendo um fator importante na depressão.

Opções de tratamento da depressão

Medicamentos

Diversos medicamentos antidepressivos estão disponíveis para tratar a depressão. Existem vários tipos diferentes de antidepressivos. Os antidepressivos regulam os neurotransmissores para mudar o humor.

Tipos de antidepressivos incluem:

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina – muitos médicos iniciam o tratamento da depressão por prescrever um inibidor seletivo da recaptação da serotonina. Estes medicamentos são mais seguros e geralmente causam menos efeitos colaterais incômodos do que os outros tipos de antidepressivos. Os efeitos colaterais mais comuns incluem a diminuição do desejo sexual e orgasmo retardado. Outros efeitos secundários podem desaparecer à medida que o seu corpo ajusta à medicação. Eles podem incluir problemas digestivos, nervosismo, agitação, dor de cabeça e insônia.

Inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina – Os efeitos colaterais são semelhantes aos causados pelos inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Estes medicamentos podem causar aumento da sudorese, boca seca, ritmo cardíaco acelerado e constipação.

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Os medicamentos antidepressivos restabelecem os níveis normais de neutransmissores e regularizam o funcionamento dos neurônios

Antidepressivos atípicos – estes medicamentos são chamados de atípicos, porque eles não se encaixam perfeitamente em outra categoria antidepressivo. Alguns destes antidepressivos são sedativos e são normalmente tomados à noite. Em alguns casos, um destes medicamentos é adicionado a outros antidepressivos para ajudar com o sono.

Antidepressivos tricíclicos – estes antidepressivos têm sido usados por muitos anos e são geralmente tão eficazes como os novos medicamentos. Mas porque eles tendem a ter mais efeitos colaterais e de maior gravidade, os antidepressivos tricíclicos, em geral, não são prescritos a menos que a pessoa já tenha tentado um inibidor seletivo da recaptação da serotonina primeiro sem uma melhora na sua depressão. Os efeitos colaterais podem incluir boca seca, visão turva, constipação, retenção urinária, taquicardia e confusão. Os antidepressivos tricíclicos também são conhecidos por causar ganho de peso.

Inibidores da monoamina oxidase (IMAO) – IMAO são geralmente prescritos como um último recurso, quando outros medicamentos não funcionaram. Isso porque IMAO podem ter graves efeitos secundários nocivos. Eles exigem uma dieta rigorosa por causa de interações perigosas (ou mesmo mortal) com alimentos, como certos queijos, conservas e vinhos, e alguns medicamentos, incluindo descongestionantes. Estes medicamentos não podem ser combinados com os inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

Outras estratégias de medicação – o médico pode sugerir outros medicamentos para tratar sua depressão. Estes podem incluir estimulantes, medicamentos estabilizadores do humor, medicamentos contra a ansiedade ou medicamentos antipsicóticos. Em alguns casos, o médico pode recomendar a combinação de dois ou mais antidepressivos ou outros medicamentos para melhor efeito.

Encontrar o remédio certo

Todo mundo é diferente, assim, encontrar o medicamento ou medicamentos para a pessoa provavelmente pode levar a algumas tentativas e erros até encontrar o tratamento certo. Isso requer paciência, pois alguns medicamentos precisam de oito semanas ou mais para chegar ao efeito máximo e/ou para aliviar os efeitos colaterais. Se a pessoa tiver efeitos colaterais incômodos, não deve deixar de tomar o antidepressivo sem consultar o médico primeiro. Alguns antidepressivos podem causar sintomas de abstinência. A dose deve ser reduzida lentamente, pois parar de repente pode causar um súbito agravamento da depressão.

Antidepressivos e gravidez

Se a pessoa estiver grávida ou a amamentando, alguns antidepressivos podem representar um risco de saúde para o feto ou para a criança. A pessoa deve conversar com o médico se engravidar ou estiver pensando em engravidar.

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Psicoterapia: colocando o pensamento nos “eixos”

Psicoterapia

Acompanhamento psicológico é outro tratamento chave da depressão. A psicoterapia é um termo geral para uma forma de tratar a depressão, falando sobre a sua condição e as questões relacionadas com um psicólogo.

Através das sessões de psicoterapia, a pessoa aprenderá sobre as causas da depressão para que possa se entender melhor. A pessoa também aprenderá a identificar e fazer alterações no comportamento ou pensamentos, explorar as relações e experiências, encontrar melhores maneiras de lidar e resolver problemas e estabelecer metas realistas para a sua vida.

A psicoterapia pode ajudar a recuperar um sentimento de felicidade e de controle em sua vida e ajudar a aliviar os sintomas de depressão, tais como desespero e raiva. Ela também pode ajudar a pessoa a ajustar-se a uma crise ou outra dificuldade atual.

Existem vários tipos de psicoterapia que são eficazes para a depressão.

Terapia cognitivo-comportamental é uma das terapias mais utilizadas. Este tipo de terapia ajuda a identificar as crenças e comportamentos negativos e substituí-los por saudáveis e positivos. Ele é baseado na idéia de que seus próprios pensamentos – e não outras pessoas ou situações – determinam como a pessoa se sente ou se comporta. Mesmo se uma situação indesejada não mudar, a pessoa pode mudar a maneira de pensar e se comportar de uma forma positiva.

O psicólogo definirá qual o melhor tipo de terapia, conforme a pessoa.

A eletroconvulsoterapia (ECT)

Em ECT, correntes eléctricas são passados através do cérebro. Este procedimento afeta os níveis de neurotransmissores no cérebro. Embora muitas pessoas desconfiem da ECT e seus efeitos colaterais, a ECT normalmente oferece alívio imediato na depressão grave quando outros tratamentos não funcionam. O efeito secundário mais comum é a confusão, a qual pode durar de poucos minutos a várias horas. Algumas pessoas também têm perda de memória, que normalmente é temporário.

A eletroconvulsoterapia é indicada para pessoas com depressão grave que não melhoram com medicamentos e para aqueles com alto risco de suicídio.

Hospitalização

Em algumas pessoas, a depressão é tão grave que é necessária uma internação hospitalar. Hospitalização pode ser necessária se a pessoa não é capaz de cuidar de si mesmo corretamente ou quando a pessoa está em perigo imediato de prejudicar a si mesmo ou alguém. Receber tratamento psiquiátrico em um hospital pode ajudar a mantê-lo calmo e seguro até o seu humor melhorar.

Estilo de vida

A depressão não é uma doença que a pessoa pode se tratar por conta própria. Mas a pessoa pode fazer algumas coisas para si mesmo. Além do tratamento profissional, ela deve fazer as seguintes coisas:

  • Ser firme no seu plano de tratamento: não faltar às sessões de psicoterapia e aos compromissos, mesmo que não sinta vontade de ir. Mesmo se a pessoa estiver se sentindo bem, resistir a qualquer tentação de ignorar os seus medicamentos. Se a pessoa parar, os sintomas de depressão podem voltar, e a pessoa também pode experimentar sintomas de abstinência semelhantes.
  • Saber mais sobre a depressão: educação sobre a condição pode capacitar a pessoa e motivá-la a manter o seu plano de tratamento.
  • Prestar atenção aos sinais de alerta: trabalhar com o médico ou terapeuta para saber o que pode desencadear os sintomas de depressão. Fazer um plano para que a pessoa saiba o que fazer se os sintomas se agravarem. Contactar o médico ou terapeuta se detectar quaisquer alterações nos sintomas ou como a pessoa se sente. Pedir aos membros da família ou amigos para ajudar na atenção aos sinais de alerta.
  • Fazer exercício físico: a atividade física reduz sintomas de depressão. Considerar caminhada, corrida, natação, jardinagem ou assumir outra atividade que a pessoa goste.
  • Evitar álcool e drogas ilegais: pode parecer que álcool ou drogas diminuam os sintomas de depressão, mas, no longo prazo, eles geralmente agravam os sintomas e tornam a depressão difícil de tratar. Conversar com o médico ou terapeuta, se a pessoa precisar de ajuda com álcool ou abuso de substâncias.
  • Dormir: dormir bem é importante para o bem-estar tanto o físico e o mental. Se a pessoa está tendo problemas para dormir, deve conversar com o médico sobre o que fazer.

Conexões mente-corpo

A conexão entre a mente e o corpo foi estudada por séculos. Praticantes da medicina alternativa acreditam que o corpo e a mente devem estar em harmonia para a pessoa ficar saudável.

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Buscar o equilíbrio entre mente e corpo

Técnicas mente-corpo que podem ser tentadas para aliviar os sintomas de depressão incluem:

  • Ioga
  • Acupuntura
  • Meditação
  • Imaginação guiada
  • Massagem terapêutica

Basear-se unicamente sobre essas terapias não é suficiente para tratar a depressão.

Enfrentamento e apoio

Lidar com a depressão pode ser um desafio.

  • Simplificar a vida: diminuir as obrigações quando possível, e definir metas razoáveis para si mesmo. Dar-se permissão para fazer menos quando se sentir para baixo.
  • Participar de um grupo de apoio: conectar-se com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes pode ajudar a lidar com isso. Grupos de apoio locais para a depressão estão disponíveis em muitas comunidades e grupos de apoio para a depressão também são oferecidos online.
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  • Considerar escrever suas reflexões: escrever pode melhorar o humor, permitindo-lhe expressar a dor, raiva, medo ou outras emoções.
  • Ler livros e sites respeitáveis de auto-ajuda: o médico ou terapeuta pode ser capaz de recomendar livros para ler.
  • Não ficar isolado: tentar participar de atividades sociais, e se reunir com a família ou amigos regularmente.
  • Cuidar-se: comer uma dieta saudável, fazer exercícios regularmente e dormir bem.
  • Aprender maneiras de relaxar e controlar o stress: exemplos incluem meditação, ioga e tai chi.
  • Estruturar o tempo: planejar o dia e atividades. A pessoa pode achar que é útil fazer uma lista de tarefas diárias, usar notas como lembretes ou usar um planejador para manter-se organizada.
  • Não tomar decisões importantes quando está para baixo: evitar tomar decisões quando muito deprimida, pois a pessoa não pode pensar claramente.

Prevenção

Não há nenhuma maneira de prevenir. No entanto, controlar o estresse, aumentar a sua capacidade de resistência e aumentar a auto-estima podem ajudar.

Há associação entre deficiência de vitamina D e depressão. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Amizade e apoio social, especialmente em tempos de crise, pode ajudar a enfrentar períodos difíceis. Além disso, o tratamento ao primeiro sinal de um problema pode ajudar a prevenir a piora da depressão.

Tratamento de manutenção no longo prazo também pode ajudar a prevenir uma recaída dos sintomas de depressão.

No texto anterior,  DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I, conversamos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações de uma depressão não tratada. Neste texto abordamos o tratamento da depressão.

Para ler mais sobre antidepressivo recomendamos o artigo Antidrepressivos da Psiquiweb

Referências