Nutrição

INTOLERÂNCIA À LACTOSE: a Deficiência de Lactase

Intolerância à lactose é a incapacidade de digerir leite e derivados. Esta condição traz sintomas, de certo modo inespecíficos, como mal-estar, aumento de gases, distensão do abdome (“barriga inchada”) e até diarréia.

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A intolerância à lactose nos adultos é muito comum, pois a deficiência de lactase afeta cerca de 75% da população mundial adulta.

A deficiência de lactase é a causa, pois conduz à má digestão da lactose e à consequente intolerância.

A lactase é uma enzima que hidrolisa a lactose, o açúcar predominante do leite, em glicose e galactose, para que assim seja absorvida pelo intestino.

A intolerância à lactose pode ser causada por três tipos de deficiência de lactase:

intolerância à lactose

Incapacidade de digerir leite e derivados por deficiência da enzima lactase

  1. A deficiência de lactase do tipo primária: afeta pessoas de ascendência não européia pura, com predisposição genética. Manifesta-se durante a infância, adolescência ou mesmo na idade adulta, pois a concentração dos níveis da enzima lactase é alta ao nascimento, mas diminui regularmente com o passar dos anos. Até 95% dos adultos não europeus ou de ascendência não européia pura são intolerantes à lactose em comparação com menos de 25% dos adultos de ascendência européia pura. É uma condição permanente;
  2. A deficiência de lactase secundária: uma condição causada por dano à mucosa do intestino delgado proximal que deixa de produzir lactase suficientemente, como a doença de Crohn, doença celíaca, gastroenterite viral, giardíase, síndrome do intestino curto e desnutrição. Pode ser temporária ou permanente, conforme a resolução da causa; 
  3. A forma congênita de deficiência de lactase: que é comum em prematuros nascidos com menos de trinta semanas de gravidez que nascem sem a capacidade de produzir lactase. Nos recém-nascidos de gestações completas, os casos são raros e de caráter hereditário.

Sintomas e Sinais

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Os sintomas são inespecíficos, mas cólicas, flatulência e diarréia são os mais comuns

Os portadores têm grande diversidade de sintomas clínicos, em função tanto da gravidade da deficiência de lactase e quanto da quantidade de lactose ingerida, isto é, quanto maior a quantidade de lactose ingerida, maior a probabilidade de haver sintomas.

Devido à natureza não específica destes sintomas, tanto os indivíduos que têm intolerância à lactose quanto os que não têm intolerância à lactose costumam atribuir erroneamente uma variedade de sintomas abdominais à intolerância à lactose.

Geralmente a deficiência de lactase é parcial e a maioria dos pacientes com intolerância à lactose pode beber um ou dois copos de 200 a 250 ml de leite por dia, sem sintomas, se tomados com alimentos e em intervalos de tempo grandes. Raros pacientes têm intolerância quase completa.

O que acontece é que a lactose mal absorvida é fermentada por bactérias intestinais, produzindo gás e ácidos orgânicos.

A presença de lactose não metabolizada e ácidos orgânicos resulta em um aumento da carga osmótica das fezes com consequente formação de fezes com mais água, podendo causar o que se chama diarreia osmótica, ou seja: fezes mais líquidas e, portanto, diarréia por maior quantidade de água nas fezes.

Com leve a moderada má absorção de lactose, os pacientes podem experimentar distensão abdominal (inchaço), cólicas abdominais e flatulência. Com maior ingestão de lactose, uma diarréia osmótica será o resultado. A pessoa pode se queixar de ardência anal e assadura, porque a acidez fecal passa a ser intensa (pH 6,0).

A deficiência de lactase isoladamente não resulta em outros sinais de má absorção ou perda de peso. Se outros sinais de má absorção como emagrecimento, sinais de deficiência de nutrientes, anemia ou fezes gordurosas, por exemplo, estiverem presentes, devem ser investigados outros distúrbios gastrointestinais, como doença celíaca ou outra causa de mau funcionamento da mucosa intestinal.

A intolerância à lactose pode manifestar-se na infância ou na idade de adulta, na forma primária ou secundária. Em adultos, a predisposição genética pode manifestar-se tardiamente em pessoas com deficiência de lactase parcial que aumentaram a ingestão de leite e derivados.

Os testes de laboratório

O teste laboratorial mais utilizado para o diagnóstico de intolerância à lactose é o teste de tolerância à lactose que consiste em monitorar a glicose sanguínea após uma dose oral de lactose.

O teste é considerado positivo se as medidas de glicemia não demonstrarem uma elevação de 18 mg/dL entre a glicemia de jejum inicial e as glicemias consecutivas realizadas 20, 40 e 60 minutos. Há possibilidade de erro nos diabéticos.

A ocorrência de diarréia, ainda no laboratório e ou nas primeiras horas a seguir, reforça a conclusão de diagnóstico positivo para intolerância à lactose.

Há também o teste de respiração de hidrogénio: após ingestão de 50 g de lactose, um aumento na respiração de hidrogénio maior do que 20 ppm dentro de 90 minutos é um teste positivo, indicativo do metabolismo bacteriano de carboidratos. No Brasil, embora simples e sensível, não dispomos deste teste.

Um outro teste laboratorial é o teste de acidez nas fezes: os ácidos orgânicos produzidos da fermentação da lactose no intestino podem ser detectados nas fezes.

Na prática clínica, muitos médicos prescrevem uma dieta sem lactose durante 2 semanas. Se o resultado for a resolução dos sintomas (inchaço, flatulência, diarréia) é altamente sugestiva a deficiência de lactase.

Diagnóstico diferencial

Os sintomas de intolerância à lactose tardia são inespecíficos e podem imitar um número de distúrbios gastrointestinais, tais como doença inflamatória do intestino, desordens de má absorção das mucosas, a síndrome do intestino irritável, e a insuficiência pancreática. Além disso, a deficiência de lactase desenvolve-se frequentemente secundária a outras doenças gastrointestinais (como mencionado acima). A deficiência de lactase concomitante deve ser sempre considerada nestes distúrbios gastrointestinais.

Tratamento

O objetivo do tratamento em pacientes com deficiência isolada de lactase é alcançar o conforto do paciente. Os pacientes geralmente encontram o seu “limite” de ingestão de leite e derivados que irá ocorrer sintomas. Os alimentos que são ricos em lactose incluem leite (12 g / copo), sorvete (9 g / copo), e queijo cottage (8 g / copo). Queijos envelhecidos têm um menor teor de lactose (0,5 g / ml).

Iogurte não pasteurizado contém bactérias que produzem a lactase e é geralmente bem tolerado.

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Há diferentes graus de intolerância: deve-se evitar o leite na medida da incapacidade.

Usar preferencialmente leite integral e acrescentar chocolate ao leite podem aumentar a tolerância à lactose.

Muitos pacientes vão escolher simplesmente restringir ou eliminar produtos lácteos.

Ao distribuir a ingestão de produtos lácteos durante todo o dia, em quantidades de menos de 12 g de lactose (um copo de leite), a maioria dos pacientes pode ingerir produtos lácteos sem sintomas e não necessitam de suplementos de lactase.

A suplementação de cálcio deve ser considerada a fim de prevenir a osteoporose.

Já há, na maioria dos supermercados, leite com baixa lactose que foi pré-tratado com lactase e  tornou-se 70-100% livre de lactose.

Substitutos da enzima lactase são comercialmente disponíveis.

Cápsulas de lactase podem ser tomadas com produtos lácteos, melhorando a absorção de lactose e eliminando os sintomas.

O número de cápsulas ingeridas depende do grau de intolerância à lactose.

Para mais informações sobre intolerância à lactose recomendamos o site Sem Lactose.

Para mais informações, leia DOENÇA CELÍACA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento e ALIMENTOS SEM GLÚTEN (Gluten Free) Exclusivamente?.

Referências

DOENÇA CELÍACA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Em artigo anterior, conversamos sobre a importância de a pessoa que tem intolerância ao glúten (leia ALIMENTOS SEM GLÚTEN (Gluten Free) Exclusivamente?) e, neste artigo conversaremos sobre o diagnóstico e tratamento da doença celíaca.

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A doença celíaca e o glúten

A doença celíaca, por ser causada pelo glúten, também é conhecida como enteropatia glúten-induzida ou glúten-sensível e é caracterizada pelo dano difuso na mucosa do intestino delgado proximal, que resulta em má absorção da maioria dos nutrientes.

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Glúten é uma proteína presente no trigo e a intolerância ao glúten causa a doença celiaca

O glúten é uma proteína que está presente em certos grãos, tais como trigo, centeio e cevada, mas não no arroz ou milho. A aveia contém glúten por “contaminação cruzada”, seja com o trigo, com a cevada ou o centeio.

O mecanismo de dano é desconhecido. Provavelmente, numa pessoa geneticamente predisposta, o glúten estimula uma resposta auto-imune mediada por células T na submucosa intestinal que resulta em destruição dos enterócitos da mucosa. Um dos alvos desta resposta auto-imune é a transglutaminase tissular (tTG), uma enzima que modifica um componente do glúten (gliadina) para uma forma que estimula as células T mais fortemente.

Surgimento dos sintomas

Os sintomas típicos geralmente se manifestam entre 6 e 24 meses de idade, com a apresentação de novos alimentos ao bebê. Até metade dos casos apresentam sintomas atípicos na infância ou na idade adulta.

A doença está presente nas pessoas geneticamente predispostas de ascendência européia e é rara em africanos e asiáticos. A maioria dos casos não é diagnosticada.

A mudança de hábito alimentar com alimentos sem glúten resulta na resolução dos sintomas e cura intestinal na maioria dos pacientes.

Sinais e sintomas da doença celíaca

Os sinais e sintomas da doença celíaca dependem do comprimento comprometido do intestino delgado e da idade em que o paciente apresenta a alteração.

Crianças menores de 2 anos são mais propensas a apresentar sintomas típicos de má absorção, incluindo diarreia, perda de peso, distensão abdominal, fraqueza, perda de massa muscular, ou retardo do crescimento.

As fezes são caracteristicamente amolecidas, volumosas, flutuantes, oleosas ou gordurosas, e mal cheirosas. Também podem ser líquidas e em evacuações de frequência elevada (até 10-12 vezes ao dia).

Crianças maiores e adultos são menos propensos a manifestar sinais de má absorção grave. Eles podem relatar diarréia crônica, dispepsia e flatulência devido à colonização bacteriana por digestão de nutrientes mal absorvidos. A gravidade da perda de peso é variável.

Muitos adultos têm pouco ou nenhum sintoma gastrointestinal, mas podem apresentar fadiga, baixa estatura, amenorréia ou redução da fertilidade, osteoporose, hipoplasia do esmalte dentário e anemia.

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Intolerância à lactose pode estar associada

É muito comum a pessoa que tem doença celíaca desenvolver intolerância à lactose devido às alterações causadas na parede do intestino, onde é produzida a lactase, uma enzima que faz o leite ser digerido para ser absorvido.

Para saber mais sobre intolerância à lactose, leia o artigo INTOLERÂNCIA À LACTOSE: a Deficiência de Lactase.

O exame físico

O exame físico pode ser normal em casos leves ou pode revelar sinais de má absorção, como a perda de massa muscular ou de gordura subcutânea, palidez devido à anemia, facilidade de sangramento devido à deficiência de vitamina K, hiperqueratose devido à deficiência de vitamina A, dor óssea devido à osteomalácia, ou sinais neurológicos (neuropatia periférica, ataxia), devido à deficiência de vitamina B12 ou vitamina E. O abdome pode estar distendido com ruídos intestinais hiperativos.

A dermatite herpetiforme

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Pequenas bolhas (vesículas) com muita coceira: dermatite herpetiforme

Dermatite herpetiforme é considerada como uma variante cutânea da doença celíaca.

É uma erupção cutânea característica que consiste em pápulo-vesículas pruriginosas sobre as superfícies extensoras das extremidades e no tronco, couro cabeludo e pescoço. Dermatite herpetiforme ocorre em menos de 10% dos pacientes com doença celíaca, no entanto, quase todos pacientes que se apresentam com dermatite herpetiforme têm evidência de doença celíaca em biópsia da mucosa intestinal que pode não ser clinicamente evidente.

Exames complementares

Laboratoriais

Anormalidades Laboratoriais dependem do grau de envolvimento intestinal. Hemograma completo, dosagens de ferro sérico ou ferritina, ácido fólico, vitamina B12, cálcio no soro, fosfatase alcalina, albumina, beta-caroteno, e tempo de protrombina devem ser obtidos em todos os pacientes com suspeita de má absorção.

Envolvimento proximal limitado pode resultar em anemia microcítica e hipocrômica somente devido à deficiência de ferro. Mais de 10% de adultos com deficiência de ferro não devido à perda de sangue gastrointestinal podem ter doença celíaca não diagnosticada. Envolvimento mais amplo resulta em anemia megaloblástica devido à deficiência de ácido fólico ou vitamina B12.

Baixo cálcio sérico ou fosfatase alcalina elevada pode refletir absorção deficiente de cálcio ou vitamina D com osteoporose ou osteomalácia. A densitometria óssea pode ser recomendada para os pacientes com doença celíaca para investigar osteoporose.

Elevações do tempo de protrombina ou diminuição sérica de beta-caroteno reflete absorção prejudicada de vitaminas lipossolúveis.

Diarreia grave pode provocar acidose metabólica e hipocalemia. A esteatorréia (gordura nas fezes) geralmente está presente, mas pode estar ausente na doença leve.

Anticorpos

Alguns testes sorológicos podem ser utilizados para auxiliar o diagnóstico da doença celíaca e para monitorar a adesão do paciente à dieta com alimentos sem glúten exclusivamente.

Anticorpos antigliadina IgG e IgA estão presentes em mais de 90% dos pacientes com doença celíaca, mas são elevados também em outras doenças das mucosas. O anticorpo IgG é mais sensível, e o anticorpo IgA é mais específico. Porque até 10% de pacientes com doença celíaca têm deficiência de IgA, ambos os testes devem ser realizados. Uma combinação dos dois testes proporciona sensibilidade e especificidade superior a 95%.

Anticorpos IgA antiendomísio e testes de anticorpos anti-tTG IgA tem mais de 95% de sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de doença celíaca e tornaram-se os testes sorológicos preferenciais para a triagem de doença celíaca em muitos centros.

O teste para IgG antigliadina ainda é necessário para o subconjunto de pacientes com deficiência de IgA.

Os níveis de anticorpos IgA antigliadina, antiendomísio, e anti-tTG tornam-se indetectáveis após 6-12 meses de dieta sem glúten e pode ser usado para controlar o cumprimento da dieta, especialmente em pacientes que não melhoram depois da mudança para uma dieta sem glúten.

Biópsia da mucosa intestinal

doença celíaca endoscopia

Parede do intestino: alterações típicas de doença celíaca

Biópsia, por endoscopia, da mucosa do duodeno distal ou jejuno proximal é o método padrão para a confirmação do diagnóstico em pacientes com sorologia positiva para a doença celíaca.

Deve ser avaliada a possibilidade de proceder à biópsia da mucosa em pacientes com sorologia negativa, quando os sintomas são sugestivos de doença celíaca.

Biópsia da mucosa duodenal também deve ser realizada em pacientes com anemia por deficiência de ferro com endoscopia digestiva alta e colonoscopia negativas para perda de sangue gastrointestinal como causa, 5-10% podem ter doença celíaca.

Na endoscopia, são consideradas alterações típicas a presença de pregas serrilhadas, mucosa nodular ou padrão mosaico e redução ou ausência de pregas duodenais.

A histologia revela perda ou embotamento das vilosidades intestinais, hipertrofia das criptas intestinais, e extensa infiltração da lâmina própria por linfócitos e células plasmáticas.

A biópsia normal exclui o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial da doença celíaca

Por causa de suas manifestações variadas, a doença celíaca é subdiagnosticada na população adulta. Muitos pacientes com diarréia crônica ou flatulência são erroneamente diagnosticados como tendo síndrome do intestino irritável, por exemplo.

Os sintomas estão presentes há mais de 10 anos na maioria dos pacientes antes que o diagnóstico correto seja estabelecido.

Doença celíaca causa má absorção de nutrientes e deve ser distinguida de outras causas de má absorção. Má absorção grave de vários nutrientes é quase sempre causada por doença da mucosa.

Anormalidades no exame microscópico

Visão microscópica da parede do intestino.

Visão microscópica da parede do intestino. Com a agressão constante, a parede vai se tornando lisa.

A aparência histológica, ou seja: as anormalidades no exame microscópico, da doença celíaca pode assemelhar-se a outras doenças da mucosa tais como espru tropical, crescimento bacteriano, intolerância à lactose, gastroenterite viral, gastroenterite eosinofílica, e os danos na mucosa causados por hipersecreção ácida relacionada com gastrinomas.

Resposta clínica à retirada do glúten da alimentação é diagnóstico.A reversão destas anormalidades na repetição da biópsia de um paciente que realizou dieta isenta de glúten estabelece o diagnóstico. No entanto, se um paciente com biópsia compatível demonstra melhora imediata em uma dieta livre de glúten e uma diminuição dos anticorpos antigliadina, uma repetição da biópsia é desnecessária.

Tratamento da doença celíaca

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A retirada do glúten da dieta é essencial

A retirada do glúten da dieta é essencial. Arroz, soja, batata, milho e farinhas são seguros.

A maioria dos pacientes com doença celíaca também tem intolerância à lactose temporária ou permanentemente, e deve evitar os produtos lácteos até que os sintomas intestinais melhorem com a dieta isenta de glúten.

Os suplementos dietéticos (folato, ferro, cálcio e vitaminas A, B12, D, e E) devem ser fornecidos nas fases iniciais do tratamento, mas geralmente não são necessários a longo prazo com uma dieta isenta de glúten. Pacientes com osteoporose confirmada podem requerer reposição crônica de cálcio, vitamina D, e tratamento com bifosfonatos.

A melhora dos sintomas deve ser evidente dentro de algumas semanas na dieta isenta de glúten. A razão mais comum para o insucesso do tratamento é a remoção incompleta do glúten.

Prognóstico e complicações da doença celíaca

Se diagnosticados e tratados de forma adequada, os pacientes com doença celíaca têm um prognóstico excelente.

A doença celíaca pode estar associada com outras doenças auto-imunes, incluindo a doença de Addison, doença de Graves, diabetes mellitus tipo I, miastenia gravis, esclerose sistêmica, síndrome de Sjogren, gastrite atrófica, e insuficiência pancreática.

Em alguns pacientes, a doença celíaca pode evoluir e tornar-se refratário à dieta isenta de glúten. A causa mais comum é o não abandono intencional ou não do glúten, que pode ser sugerido por testes sorológicos positivos.

A doença celíaca, que é verdadeiramente refratária à retirada do glúten, geralmente carrega um prognóstico pobre. Ela pode ser causada pelo desenvolvimento de jejunite ulcerativa ou enteropatia ou por linfoma associado a célula T, que ocorre em até 10% dos pacientes. Estas condições devem ser consideradas em doentes anteriormente responsivos à dieta sem glúten que desenvolvem nova perda de peso, dor abdominal e má absorção. Muitos outros pacientes com sintomas refratários tem um linfoma “críptico” intestinal, isto é, uma expansão intra-epitelial monoclonal do linfócito T que pode ou não progredir.

Pacientes com doença celíaca refratária que não tem linfoma de células T intestinal ou jejunite ulcerativa pode responder aos corticosteróides ou imunossupressão com azatioprina ou ciclosporina.

Referência

ALIMENTOS SEM GLÚTEN (Gluten Free) Exclusivamente?

Para facilitar a vida de quem tem que comer alimentos sem glúten (gluten free), em 2004, no Brasil, entrou em vigor a Lei 10.674 que obriga que em todos os rótulos de alimentos industrializados venha escrito “contém glúten” ou “não contém glúten”, conforme o caso.

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Mas o que é glúten?

Glúten é um tipo de proteína encontrada na semente de muitos cereais, como o trigo, cevada e centeio, e também na aveia.

O aviso “contém glúten”, encontrado nas embalagens, serve para alertar as pessoas portadoras de intolerância a essa proteína para que, assim, não consumam este alimento.

alimentos sem gluten

Glúten é um tipo de proteína encontrada na semente de muitos cereais, como o trigo, cevada e centeio e aveia

Diversas vezes encontramos o alerta “contém glúten” em embalagens de alimentos que não levam estas farinha porque, embora o alimento seja sem glúten, pode acontecer de, no processo de fabricação, o produto passar por máquinas e formas que fabriquem outros alimentos que contêm glúten e ser “contaminado”.

Para levar o rótulo “não contém glúten”, o produto deve ser absolutamente isento desta proteína

A intolerância ao glúten

A intolerância ao glúten afeta as pessoas geneticamente predispostas, de ascendência européia, o que significa aproximadamente 1 % da população, embora este número deva estar subestimado devido aos casos não diagnosticados, já que muitas vezes os sintomas são discretos. 

A manifestação mais comum da intolerância ao glúten é no intestino, conhecida como Doença Celíaca, mas também pode ocorrer uma manifestação na pele, chamada Dermatite Herpetiforme ou Doença de Dhuring-Broq, mas vamos falar da pele mais adiante…   …agora vamos à manifestação no intestino que, devido à dificuldade de absorção dos nutrientes, leva aos sintomas gerais. 

Classicamente a doença celíaca tem como tríade de definição: diarreia, perda de peso (ou falta de crescimento nas crianças) e fadiga. Porém, a manifestação da doença pode ser variável e os sinais e sintomas serem relacionados à absorção diminuída de nutrientes, como anemia (por má absorção de ferro e/ou de ácido fólico e vitamina B12) ou somente fadiga, por exemplo. Portanto, a tríade clássica de sintomas não é mais uma obrigação para o diagnóstico.

Alterações no intestino

Mas o que acontece no intestino quando um portador da intolerância ingere alimentos com glúten?

Também pode ocorrer má absorção de cálcio e vitamina D com consequente osteopenia (conteúdo

mineral do osso reduzido) ou osteoporose (osso “fraco” com maior risco de fraturas) e redução da absorção de vitamina K e dificuldade na coagulação do sangue.

 

A inflamação contínua da mucosa intestinal pelo contato com o glúten pode levar ao desenvolvimento de neoplasias como o linfoma não Hodgkin e o adenocarcinoma do intestino delgado.

Outros tumores também podem estar associados como o carcinoma de células escamosas esofágico ou orofaríngeo.

Então, a única forma de controle dos sintomas e prevenção das neoplasias é comer alimentos sem glúten .

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Representação das alterações microscópicas na parede do intestino: fica lisa e perde a capacidade de absorver os nutrientes

Na pele: Dermatite Herpetiforme

Na pele, a intolerância ao glúten pode se apresentar como vesículas (“bolhas” pequenas), com prurido (coceira) intenso que tendem a  se agrupar como fazem as lesões de herpes, daí o nome Dermatite Herpetiforme.

Ocorrem principalmente nas áreas extensoras dos antebraços, joelhos, cotovelos, couro cabeludo, nuca, nádegas, região interescapular e sacral, caracteristicamente com apresentação simétrica, poupando as palmas das mãos e plantas dos pés.

A Dermatite Herpetiforme afeta geralmente homens na faixa etária entre 20 e 55 anos, mas pode se manifestar em qualquer idade e em mulheres também.

A doença ocorre mais frequentemente em pacientes com doença celíaca, mas pode ocorrer sem doença gastrointestinal aparente.

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Dermatite herpetiforme: pequenas bolhas (vesículas) na pele que coçam intensamente

A Dermatite Herpetiforme é uma doença crônica com períodos de melhora e de piora. Infecções e stress emocional podem ser gatilho para a piora.

Também o uso de antiinflamatórios não esteróides podem piorar o quadro.

O tratamento é com dapsona (que deve ser prescrita por um médico devido aos possíveis efeitos colaterais graves) e a ingesta de alimentos sem glúten é a melhor forma de controle, com remissão total dos sinais e sintomas.

Mas vamos à pergunta do título:

Alimentos sem glúten (glúten free) exclusivamente?

Sempre!

Alimentos sem glúten devem ser ingeridos sempre exclusivamente quando a pessoa é portadora de intolerância, mesmo sem manifestações graves, posto que nestas pessoas, o simples contato do glúten com o intestino e a inflamação crônica decorrente, como dito acima, podem levar ao desenvolvimento de neoplasias malignas.

Quem tem intolerância a glúten pode desenvolver doença celíaca

Quem tem intolerância a glúten pode desenvolver doença celíaca

Para outras informações como alimentos permitidos e proibidos, receitas sem glúten etc, veja o site da ACELBRA (Associação dos Celíacos do Brasil).

Num próximo artigo conversaremos melhor sobre a DOENÇA CELÍACA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento.

É muito comum a pessoa que tem doença celíaca desenvolver intolerância à lactose devido às alterações causadas na parede do intestino, onde é produzida a lactase, uma enzima que faz o leite ser digerido para ser absorvido.

Para saber mais sobre intolerância à lactose, leia o artigo INTOLERÂNCIA À LACTOSE: a Deficiência de Lactase.

Relação de alimentos permitidos (gluten free) e proibidos (com glúten):

Permitidos: arroz (e farinha de arroz, creme de arroz, arrozina, arroz integral em pó e seus derivados), batata (fécula ou farinha), milho (fubá, farinha, amido de milho, maisena, flocos, canjica e pipoca), mandioca (fécula ou farinha, como a tapioca, polvilho doce ou azedo), macarrão de cereais (arroz, milho e mandioca), cará, inhame, araruta, sagu, trigo sarraceno. Sucos de frutas e vegetais naturais, refrigerantes, chás, vinhos, champanhes, aguardentes, saquê, café. Leite em pó, esterilizados, integrais, desnatados e semi-desnatados. Leite condensado, creme de leite, Yakult, queijos frescos, tipo minas, ricota, parmesão. Pães de queijo. Açúcar de cana, mel, melado, rapadura, glucose de milho, malto-dextrina, dextrose, glicose, geléias de fruta e de mocotó, doces e sorvetes caseiros preparados com alimentos permitidos, achocolatados de cacau, balas e caramelos. Todas as carnes, incluindo presunto e linguiça caseira. Manteiga, margarina, banha de porco, gordura vegetal hidrogenada, óleos vegetais, azeite. Feijão, broto de feijão, ervilha seca, lentilha, amendoim, grão de bico, soja (extrato protéico de soja, extrato hidrossolúvel de soja). Todos os legumes e verduras. Sal, pimenta, cheiro-verde, erva, temperos caseiros, maionese caseira, vinagre fermentado de vinhos tinto e de arroz, glutamato monossódico (Ajinomoto).

Proibidos: todos os produtos elaborados com trigo (farinha, semolina, germe e farelo), aveia (flocos e farinha), centeio, cevada (farinha) e malte. Cerveja, uísque, vodka, gim. Ovomaltine, bebidas contendo malte, cafés misturados com cevada. Leites achocolatados que contenham malte ou extrato de malte, queijos fundidos, queijos preparados com cereais proibidos. Patês enlatados, embutidos (salame, salaminho e algumas salsichas), carnes preparadas à milanesa. Extrato proteico vegetal, proteína vegetal hidrolisada.

Verificar rótulo: bebidas e queijos cuja composição não esteja clara no rótulo. Iogurtes, requeijão, bebidas com leite. Doces. Maionese, catchup, mostarda e temperos industrializados.