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LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES): Diagnóstico e Tratamento

Há duas formas principais de lúpus – o lúpus eritematoso sistêmico e o lúpus cutâneo.

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O lúpus eritematoso sistêmico pode afetar quase todos os órgãos do corpo, incluindo o seu articulações, pele, rins, células do sangue, cérebro, coração e pulmões.

O lúpus cutâneo afeta apenas a pele, principalmente rosto, couro cabeludo e as áreas expostas à luz solar.

Este texto abordará o lúpus eritematoso sistêmico (LES).

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória crônica que ocorre quando o sistema imunológico, que é o sistema de defesa, ataca os órgãos do próprio corpo. Essa agressão ao próprio corpo é o que é chamado de doença autoimune.

lupus-butterfly

A borboleta é o símbolo do lúpus devido à mancha característica que ocorre no rosto que lembra uma borboleta.

O sistema imunológico, que é o sistema de defesa do corpo, deve combater infecções e outros perigos para a saúde. Para isso, o sistema imunológico deve reconhecer o que é um material interno ou externo. E reconhecer, do que é externo, o que é amigo ou inimigo.

Quando o sistema de defesa reage ao que é interno, acontece uma doença auto-imune, como o lupus eritematoso sistêmico.

Quando o sistema de defesa reage a um material externo inofensivo como a um inimigo, identificando-o como um perigo e provoca uma resposta protetora, acontece a alergia (leia sobre alergia alimentar em ALERGIA ALIMENTAR: Sintomas e Tratamento).

Essa autoimunidade é contra o tecido conjuntivo dos órgãos do corpo, o colágeno. O lúpus eritematoso sistêmico, portanto, é uma colagenose. Há outras colagenoses, como esclerodermia ou dermatomiosite. Nem sempre há um limite nítido entre cada doença e as colagenoses podem ocorrer simultaneamente. Mas esses assunto é muito extenso, voltemos para o lúpus eritematosos sistêmico.

A inflamação causada pelo lúpus eritematoso sistêmico pode afetar muitos órgãos e sistemas diferentes do corpo, incluindo as articulações, pele, rins, células do sangue, cérebro, coração e pulmões. Por causa disso, os sinais e sintomas do lúpus eritematoso sistêmico muitas vezes imitam os de outras doenças, o que faz esta doença ser difícil de diagnosticar.

O sinal mais característico de lúpus eritematoso sistêmico é uma lesão de pele no centro do rosto e que se distribui simetricamente em ambos os lados e, assim, se assemelha às asas de uma borboleta. Este sinal é muito comum no lúpus eritematoso sistêmico, mas algumas pessoas podem não apresentá-lo.

Algumas pessoas nascem com tendência a desenvolver lúpus, o que pode ser desencadeada por infecções, certos medicamentos ou até mesmo luz solar.

Não há cura para o lúpus eritematoso sistêmico, mas os tratamentos podem ajudar a controlar os sintomas.

Causas de lúpus eritematoso sistêmico

Como já dito, o lúpus eritematoso sistêmico ocorre quando o sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis do corpo.

A causa exata do lúpus eritematoso sistêmico, na maioria dos casos, é desconhecida e provavelmente a causa é uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais. Sendo assim, alguns gatilhos potenciais incluem:

  • Luz do sol: a exposição ao sol pode desencadear as manchas na pele peculiares ao lúpus ou mesmo uma resposta interna em pessoas suscetíveis.
  • Medicamentos: lúpus eritematoso sistêmico pode ser desencadeado por certos tipos de medicamentos, como clorpromazina, metildopa, hidralazina, isoniazida, d-penicilamina e minociclina. O lúpus induzido por drogas costuma desaparecer quando a medicação que desencadeou é suspensa.

Fatores de risco

Os fatores que podem aumentar o risco de lúpus eritematoso sistêmico incluem:

  • Sexo feminino: a doença é mais comum em mulheres, na proporção de 9 mulheres para 1 homem.
  • Idade: embora o lúpus eritematoso sistêmico afete pessoas de todas as idades, a doença acontece com mais freqüência entre as idades de 15 e 40 anos.
  • Raça: o lúpus eritematoso sistêmico é mais comum em afro-descendentes, hispânicos e asiáticos.

Sinais e sintomas

Como o lúpus eritematoso sistêmico pode afetar diversos órgãos do corpo, as manifestações da doença são diferentes para cada pessoa.

Os sinais e sintomas podem surgir subitamente, em conjunto, ou se desenvolverem lentamente quase que “um a um”. No início, eles podem ser confundidos com outros problemas, já que existem muitas causas possíveis para dores nas articulações e cansaço. Os sintomas variam de leve a grave.

Geralmente, a maioria das pessoas tem doença leve caracterizada por episódios de piora de tempos em tempos. Os sinais e sintomas dependem de quais os sistemas do corpo são afetados pela doença.

Os sinais e sintomas mais comuns, conforme as alterações nos órgãos do corpo, incluem:

  • Fadiga persistente, perda de peso e febre sem infecção;
  • Alterações dermatológicas:
    • no rosto: mancha em forma de borboleta que cobre as bochechas e a ponte do nariz (eritema malar);
    • no corpo: lesões eritematosas (avermelhadas), infiltradas, com escamas ceratolíticas aderidas e tampões foliculares, que evolui com cicatriz atrófica e discromia (rash discóide)
    • fotossensibilidade: manchas de pele (exantema) como reação exagerada à exposição ao sol;

      Mancha no rosto que lembra o desenho de uma borboleta

      Mancha que lembra o desenho de uma borboleta

    • queda de cabelo (para causas de alopecia veja: Queda de cabelo: tipos de alopecia – parte I e Queda de cabelo: tipos de alopecia – parte II;
    • pequenas úlceras na boca ou nasofaringe e região genital. As úlceras na boca podem ser grandes, múltiplas e não dolorosas;
  • Alterações oculares: sensação de olhos secos;
  • Alterações cardíacas: como hipertensão arterial sistêmica (pressão alta), endocardite não infecciosa (Libman-Sacks) e risco aumentado de doença cardíaca coronária;
  • Alterações pulmonares: inflamação nos pulmões e embolia pulmonar;
  • Serosites (inflamação nas membranas que envolvem o coração e os pulmões, pericárdio e pleura): ocorrendo falta de ar e dor no peito que piora quando a pessoa faz uma respiração profunda;
  • Alterações hematológicas: anemia é muito comum, mas também pode haver redução dos leucócitos e das plaquetas.A tendência de formar coágulos de sangue é uma complicação rara. Algumas gânglios linfáticos podem aumentar de tamanho;

    Fenômeno de Raynaud no lúpus eritematoso sistêmico

    Fenômeno de Raynaud

  • Alterações na circulação: dedos das mãos e pés que tornam-se branco ou azul quando expostos ao frio ou durante períodos de estresse (fenômeno de Raynaud). O fenômeno de Raynaud ocorre em cerca de um quinto dos pacientes, mas muitas vezes é suave;
  • Alterações gastrointestinais: por exemplo, náusea, má-digestão, dor abdominal
  • Alteração na função dos rins: cerca de 1 em cada 3 pessoas com lúpus eritematoso sistêmico pode desenvolver inflamação dos rins, o que pode levar a perda de proteína e sangue na urina. Em casos graves, pode ocorrer insuficiência renal, mas é uma complicação rara. Sinais e sintomas de problemas nos rins podem incluir prurido generalizado, dor no peito, náusea, vômito e inchaço nas pernas (edema);
  • Alterações neurológicas e psiquiátricas: dor de cabeça, crises convulsivas, confusão mental e perda de memória, além depressão e ansiedade e até mesmo psicose;
  • Inflamação na articulações: dor, rigidez e inchaço (artrite), com duração de algumas semanas em duas ou mais articulações, principalmente nas mãos, punhos e joelhos.

Principais sinais e sintomas de lúpus eritematoso sistêmico

Exames complementares

Como o lúpus eritematoso sistêmico é uma doença que pode afetar diversos órgãos e sistemas do corpo, os exames solicitados dependerão do quadro clínico que a pessoa apresenta. Então, é impossível descrever todos os exames que devem ser realizados para o diagnóstico e acompanhamento de um paciente com lúpus eritematoso sistêmico. A seguir, citaremos os mais comuns.

Os exames de sangue podem incluir:

Hemograma completo: O hemograma pode indicar anemia (baixa de hemácias – glóbulos vermelhos), dado comum no lúpus eritematoso sistêmico. Os leucócitos (glóbulos brancos) ou plaquetas podem ser afetados e reduzidos em pacientes com lúpus também. Assim, no hemograma, pode haver anemia hemolítica ou leucopenia (contagem de leucócitos menor que 4.000/mm3 em duas ou mais ocasiões) ou linfopenia (contagem de linfócitos menor que 1.500/mm3 em duas ou mais ocasiões) ou plaquetopenia (contagem de plaquetas menor que 100.000/mm3 na ausência de outra causa).

Velocidade de hemossedimentação (VHS): Este teste de sangue determina a taxa à qual as células vermelhas do sangue se depositam no fundo de um tubo dentro de uma hora. Uma taxa mais rápida do que a taxa normal pode indicar uma doença sistêmica, como o lúpus eritematoso sistêmico. A taxa de sedimentação não é específica para qualquer uma doença. Ele pode ser elevada no lúpus e em outra condição inflamatória, câncer ou uma infecção.

Avaliação da função renal e da função hepática: Exames de sangue para avaliar como os rins e fígado estão funcionando são úteis, já que o lúpus eritematoso sistêmico pode afetar esses órgãos. Para observar a função renal solicita-se a dosagem de ureia e de creatinina. Para a função hepática, TGO, TGO G-GT e bilirrubinas, geralmente.

Fator Anti-Núcleo (FAN): também conhecido por teste de anticorpos antinucleares (ANA), é um exame para detectar os anticorpos que o sistema imunológico produz contra as células do próprio corpo, ou seja: indica autoimunidade. Embora a maioria das pessoas com lúpus eritematoso sistêmico tenha FAN positivo, a maioria das pessoas com FAN positivo não têm lúpus eritematoso sistêmico. Em outras palavras: ter FAN positivo isoladamente não indica lúpus e ter FAN negativo não descarta lúpus. O FAN positivo pode ocorrer em outras colagenoses e também pode existir na população normal.

Auto-anticorpos: diversos auto-anticorpos estão associados ao lúpus eritematoso sistêmico, não cabendo aqui descrever todos. Destacamos o anti-DNA, anti-Sm e anticorpos antifosfolípides, estes caracterizados por níveis anormais de IgG ou IgM anticardiolipina; ou teste positivo para anticoagulante lúpico; ou teste falso-positivo para sífilis (VDRL positivo) por, no mínimo, seis meses.

Relação entre padrões de FAN x colagenoses x auto-anticorpos

Nem todo FAN positivo é sinal de colagenose. Quase 20% da população normal tem FAN positivo, predominantemente nos idosos.

Não cabe aqui falar tudo sobre FAN, pois ficaria muito extenso. Comentaremos alguns padrões de FAN e suas implicações:

  • Padrão homogêneo: três auto-anticorpos devem ser lembrados
    • Anti-DNA: específico para lúpus eritematoso sistêmico, mas com sensibilidade relativamente baixa. Pode indicar lúpus eritematoso sistêmico com risco de lesão renal e neurológica.
    • Anti-Histona: pode aparecer em todas as colagenoses – típico em lúpus eritematoso sistêmico induzido por drogas.
    • Anti-nucleossoma: específico para lúpus eritematoso sistêmico. Indica risco de doença renal.
  • Padrão pontilhado – dois tipos:
    • Pontilhado fino: Observar auto-anticorpos anti-Ro/SSA e anti-Ro/SSB – todas as colagenoses com boa sensibilidade e síndrome SICA
    • Pontilhado grosso: Observar auto-anticorpos anti-RNP e anti-Sm.
      • Anti-RNP: pode ocorrer em todas as colagenoses e sempre ocorre em doença mista do tecido conjuntivo. Em apresentações com Raynaud.
      • Ant-Sm: específico para lúpus eritematoso sistêmico.
    • Pontilhado fino + nucleolar: Observar auto-anticorpo anti-SCL70 (esclerodermia).
  • Padrão nucleolar: esclerodermia
  • Centrômero: esclerodermia limitada e CREST
  • Padrão pontilhado fino denso: não tem significado clínico, ou seja: não é específico para qualquer doença. Se o resultado for este padrão, deve-se repetir o exame para confirmar. Se confirmado, manter somente em observação. Pode ocorrer em pessoas sem doença.

Exame de urina

O exame de urina pode mostrar um nível de proteína aumentado ou células vermelhas do sangue na urina. Observa-se proteinúria persistente (> 0,5 g/dia ou 3+) ou cilindrúria anormal.

Radiografia da mão

Radiografia da mão

Outros exames

Radiografia do tórax: pode revelar líquido na pleura (membrana que recobre os pulmões) ou inflamação nos pulmões

Radiografia das mãos: pode revelar alterações nas tecidos que envolvem os ossos (partes moles) e alterações nas articulações.

Ecocardiograma: pode verificar se há problemas nas válvulas e outras partes do coração e também no pericárdio (membrana que recobre o coração).

Biópsia: em alguns casos, é necessário testar uma pequena amostra de tecido renal para determinar qual a extensão do dano no rim. A amostra pode ser obtida com uma agulha, ou através de uma pequena incisão.

Diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico

Diagnosticar lúpus eritematoso sistêmico é difícil porque os sinais e sintomas variam muito de pessoa para pessoa. Sinais e sintomas de lúpus podem variar ao longo do tempo e se sobrepõem com os de muitas outras doenças. Não há um teste específico para diagnosticar lúpus eritematoso sistêmico.

O diagnóstico da doença é baseado numa combinação de achados clínicos e evidências laboratoriais.

O Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology) classificou 11 critérios e a presença de 4 dos 11 critérios produz uma sensibilidade de 85% e uma especificidade de 95% para o diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico.

A seguir estão os critérios de diagnóstico do Colégio Americano de Reumatologia:

  1. Serosite
  2. Úlceras orais
  3. Artrite
  4. Fotossensibilidade
  5. Alterações hematológicas
  6. Alterações renais
  7. FAN positivo
  8. Alterações imunológicas – presença de auto-anticorpos
  9. Alterações neurológicas
  10. Eritema malar
  11. Rash discóide

Outros tipos de complicações

O lúpus eritematoso sistêmico também aumentar o risco de:

  • Infecção: pessoas com lúpus eritematoso sistêmico são mais vulneráveis à infecções, pois tanto a doença e quanto os tratamentos enfraquecem o sistema imunológico. As infecções que mais comumente afetam as pessoas com lúpus eritematoso sistêmico incluem infecções do trato urinário, respiratórias, fúngicas, intestinais por Salmonella e também herpes.
  • Câncer: lúpus eritematoso sistêmico parece aumentar o risco de câncer.
  • Morte do tecido do osso (necrose avascular): isso ocorre quando o suprimento de sangue a um osso diminui, muitas vezes levando a pequenas rachaduras no osso e, eventualmente, ao colapso do osso. A articulação do quadril é a mais comumente afetada.
  • Complicações na gravidez: mulheres com lúpus eritematoso sistêmico têm um risco aumentado de aborto espontâneo. Lúpus eritematoso sistêmico aumenta o risco de pressão alta durante a gravidez (pré-eclâmpsia) e parto prematuro. Para reduzir o risco dessas complicações, recomenda-se adiamento da gravidez até que a doença esteja sob controle por pelo menos 6 meses.
  • Aterosclerose: O acúmulo de placas de gordura na parede interna dos vasos é precoce e agravado pelo uso crônico de corticosteróides, hipertensão arterial, menopausa precoce e dislipidemias (aumento de colesterol e triglicerídeos). A inflamação crônica nos vasos sanguíneos favorece também a formação da placa aterosclerótica. No lúpus eritematoso sistêmico há maior risco de infarto agudo do miocárdio (7 vezes maior que a população normal).

Tratamento do lúpus eritematoso sistêmicolupus comprimidos 3

A doença não tem cura e o objetivo do tratamento é o controle.

Cada pessoa, em cada fase necessitará de um tipo de tratamento. Somente o médico reumatologista, conforme sua avaliação, poderá definir a melhor conduta.

Os medicamentos mais comumente usados para controlar o lúpus incluem:

Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs): são comumente prescritos para aliviar dores articulares ou musculares. Exemplos destes são o ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco. Os principais possíveis efeitos colaterais são dor ou sangramento no estômago e alterações renais. Se necessário, outros medicamentos podem ser prescritos para proteger o estômago da agressão dos anti-inflamatórios.

Drogas antimaláricas: os medicamentos comumente usados para tratar a malária, como a cloroquina, também podem ajudar a controlar o lúpus eritematoso sistêmico. Não está claro como este medicamento funciona no lúpus. Pode demorar 6-12 semanas para se tornar plenamente eficaz. Os efeitos colaterais são raros. O mais sério é o dano ao olho (retina), o que é incomum. Geralmente é solicitada uma avaliação oftalmológica antes do início do tratamento e, em seguida, a cada 6 meses.

Corticosteróides: prednisona e outros tipos de corticosteróides podem combater a inflamação do lúpus, mas muitas vezes produzem efeitos colaterais a longo prazo – incluindo ganho de peso, fácil contusões, enfraquecimento dos ossos (osteoporose), pressão alta, diabetes, perda de massa muscular, glaucoma, catarata, úlceras gástricas e aumento do risco de infecção. O risco de efeitos secundários aumenta com doses mais elevadas e a terapia a longo prazo. Apesar dos efeitos colaterais, em casos graves de lúpus eritematoso sistêmico, o benefício do resultado compensa o risco dos efeitos colaterais e o uso do corticosteróide pode salvar a vida do paciente. Nunca se deve tomar corticosteóide por conta própria.

Imunossupressores: as drogas que suprimem o sistema imunológico podem ser úteis em casos graves de lúpus eritematoso sistêmico. Exemplos incluem a ciclofosfamida , azatioprina, micofenolato mofetil, leflunomida e metotrexato. Os efeitos colaterais potenciais podem incluir um risco aumentado de infecção, danos no fígado e nos rins, diminuição da fertilidade e aumento do risco de câncer.

Imunobiológicos: medicamentos recentes que agem modulando o sistema imunológico.

Outras Medidas

  1. Informação: o paciente e sua família devem estar bem informados pelo médico quanto às características da doença, sua evolução e complicações.
  2. Apoio psicológico: conhecendo a doença e seus risco, deve lidar com o lúpus eritematoso sistêmico como um desafio a ser vencido e estar motivado para o tratamento e saber tirar proveito da mudança de vida que traz.
  3. Atividade física: deve manter repouso nos períodos de crise da doença. Mas, por causa da redução da capacidade aeróbica, deve buscar medidas visando a melhora do condicionamento físico. A atividade física regular reduz o risco cardiovascular e promove melhora da fadiga e da qualidade de vida.
  4. Alimentação: não há evidência científica de que os alimentos possam influenciar o desencadeamento ou a evolução da doença.
  5. Purple awareness ribbon and shadowMas alimentação deve ser balanceada, evitando-se excessos de sal, carboidratos e gorduras.
  6. Suplementação da vitamina D: a suplementação de vitamina D deve ser considerada devido ao déficit de vitamina D que pode ocorrer com a fotoproteção e o uso de antimaláricos.
  7. Fotoproteção: contra luz solar e outras formas de irradiação ultravioleta. O paciente deve usar filtro solar FPS 30 a cada 2 a 3 horas, ou, pelo meno, pela manhã e no início da tarde, todos os dia, durante todo o ano, mesmo em ambiente fechado.
  8. Não fumar: além de ser fator de risco para aterosclerose, diminui a eficácia dos antimaláricos, favorecendo a manutenção ou a piora das lesões na pele.
  9. Controlar os fatores de risco cardiovascular: glicemia, hipertensão arterial, dislipidemia e obesidade.

Referências:

CÂNCER DE PRÓSTATA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A próstata é uma glândula que se localiza na parte baixa do abdome, logo abaixo da bexiga e à frente do reto, e só o homem a possui.

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A próstata envolve a porção inicial da uretra (tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada).

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma) e é a quarta causa de morte por neoplasias.

O câncer de próstata é a neoplasia mais comum em homens com mais de 50 anos de idade. 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.

Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte.

A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

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Anatomia masculina destacando a próstata

Os sintomas muitas vezes só se tornam aparentes quando a próstata é grande o suficiente para afetar a uretra e dificultar a liberação da urina.

Quando isso acontece, o homem pode perceber um aumento da necessidade de urinar, esforçando-se ao urinar e uma sensação de que bexiga não foi totalmente esvaziada.

Estes sinais não significam que a pessoa tem câncer de próstata. É mais provável que eles sejam causados por outro motivo, como a hiperplasia prostática benigna (também conhecida como hiperplasia benigna da próstata ou aumento da próstata).

Fatores de risco para o câncer de próstata

As causas do câncer de próstata são em grande parte desconhecidas, mas conhece-se alguns fatores de risco:

  • Idade: as chances de desenvolver câncer de próstata aumentam à medida que o homem envelhece. A maioria dos casos se desenvolve em homens com 50 anos ou mais.
  • História familiar: homens que têm parentes masculinos de primeiro grau (como um pai ou irmão) afetados por câncer de próstata antes dos 60 anos têm um risco aumentado em 3 a 10 vezes desenvolver este câncer. Pesquisas também mostram que ter um parente próximo do sexo feminino que desenvolveu câncer de mama também pode aumentar o risco de desenvolver câncer de próstata.
  • Grupo étnico: o câncer de próstata é mais comum entre homens de ascendência africano-caribenhos e africano, é relativamente raro entre os homens de Ásia.

    tomate

    O tomate contém carotenóides que reduzem o risco de câncer de próstata

  • Alimentação: a ingestão de carne vermelha, gorduras e leite e parece aumentar o risco de câncer de próstata. Enquanto o consumo de frutas, vegetais ricos em carotenóides (como o tomate e a cenoura) e leguminosas (como feijões, ervilhas e soja) parece ter um efeito protetor. Também têm papel protetor as vitaminas (A, D e E) e os minerais (selênio). Há evidências de uma dieta rica em cálcio está associada a um risco aumentado de desenvolver câncer de próstata. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.
  • Consumo excessivo de álcool e tabagismo: alguns estudos incluem estes fatores como de risco para o câncer de próstata.
  • Obesidade: uma pesquisa recente sugere que pode haver uma ligação entre obesidade e câncer de próstata.
  • Exercício: homens que se exercitam regularmente apresentam menor risco de desenvolver câncer de próstata.

Os sintomas do câncer de próstata

O câncer de próstata geralmente não causa sintomas até que o tumor tenha crescido suficientemente para pressionar e “apertar” a uretra.
Isto normalmente resulta em problemas relacionados com a micção. Os sintomas podem incluir:

  • Necessidade de urinar com mais frequência, muitas vezes durante a noite
  • Urgência miccional (vontade súbita de urinar associada ao desconforto na bexiga)
  • Dificuldade em começar a urinar (hesitação)
  • Esforço ou tomar um longo tempo ao urinar
  • Redução da força do jato urinário
  • Sensação de que a bexiga não esvaziou totalmente

Esses sintomas não devem ser ignorados, mas eles não querem dizer que a pessoa definitivamente tem câncer de próstata. Próstatas, em muitos homens, se tornam maiores à medida que envelhecem, devido a uma condição conhecida como hiperplasia prostática benigna, que não é câncer.

Os sintomas de que o câncer esta se espalhando incluem dor nas costas e nos ossos, perda de apetite, dor nos testículos e perda de peso inexplicada.

Diagnóstico do câncer de próstata

Os testes mais utilizados para o câncer de próstata são exames de sangue, exame físico de próstata (conhecido como exame de toque retal) e biópsia.

PSA

O antígeno específico da próstata (PSA) é uma proteína produzida pela glândula da próstata. Todos os homens têm uma pequena quantidade de PSA no sangue, e aumenta com a idade.

O câncer de próstata pode aumentar a produção de PSA, e por isso um teste de PSA procura por níveis elevados de PSA no sangue que pode ser um sinal da doença em seus estágios iniciais.

Entretanto, o teste de PSA não é um teste específico para o câncer de próstata. Mais de 65% dos homens com níveis de PSA elevado não têm câncer, pois os níveis de PSA sobem em todos os homens à medida que envelhecem.

O PSA pode estar aumentado devido a um câncer de próstata, mas também devido a um grande crescimento não-canceroso da próstata, a hiperplasia prostática benigna (HPB), ou a uma infecção do trato urinário ou inflamação da próstata (prostatite). Os níveis de PSA elevados em um homem com câncer de próstata não determinam o prognóstico.

Além de não estar elevado somente nos casos de câncer de próstata, muitos homens que têm câncer de próstata não apresentam um nível de PSA elevado, portanto, um teste de PSA não pode identificar o câncer de próstata por conta própria, e as mudanças nos níveis de PSA por si só não são um bom motivo para iniciar o tratamento. Um conjunto de fatores deve ser analisado pelo médico.

O PSA não é um exame de diagnóstico, mas de rastreamento. O valor preditivo positivo do PSA, ou seja, a chance de um PSA alterado indicar que o paciente tem câncer de próstata é em torno de 28%. O que significa que cerca de 72% dos pacientes com dosagem do PSA alterada não têm câncer de próstata e muitas vezes são submetidos a biópsias desnecessárias.

Segundo o INCA, aceita-se como valores limites normais até 4 ng/ml, porém podem existir tumores com PSA abaixo deste valor. Quando o PSA estiver acima de 10 ng/ml há indicação formal para biópsia. Para valores entre 4-10 ng/ml deve-se também levar em consideração a velocidade do PSA e a relação PSA livre/total.

Enfim, o resultado do teste de PSA não é conclusivo, já que um PSA elevado não é diagnóstico de câncer de próstata, e são necessários outros testes e investigações para diagnosticar o câncer de próstata.

Exame de toque retal

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Exame de toque retal

O próximo passo é um exame de toque retal.

O reto é perto da próstata, por isso o médico pode verificar e sentir se a superfície da glândula mudou através do reto. A pessoa pode se sentir um pouco desconfortável, mas não deve ser doloroso.

O câncer de próstata pode fazer a glândula ficar dura. No entanto, na maioria dos casos, o câncer não causa alterações na glândula e um exame de toque retal pode não ser capaz de detectar o câncer.

O exame de toque retal é útil para excluir o aumento da próstata causado por hiperplasia prostática benigna, pois, na hiperplasia prostática benigna, a glândula tem consistência firme e suave.

O exame de toque retal tem suas limitações, pois somente as porções posterior e lateral da próstata podem ser palpadas, deixando 40% a 50% dos tumores fora do seu alcance. Porém, apesar disso, as estimativas de sensibilidade variam entre 55% e 68% e é um exame extremamente importante.

Isoladamente, o valor preditivo positivo do exame de toque retal é estimado entre 25% e 28%. Mas quando utilizado em associação à dosagem do PSA, sua sensibilidade pode chegar a 95%.

Biópsia

Com base em uma série de fatores, incluindo os níveis de PSA, os resultados de um exame de toque retal, a idade do homem e a história familiar, o médico indicará a realização de uma biópsia.

O teste mais comumente utilizado é a biópsia guiada por ultrassom transretal.

O procedimento pode ser desconfortável e por vezes doloroso. Como acontece com qualquer processo, pode haver complicações, incluindo sangramento e infecção.

A biópsia é um exame que, quando positivo, dá 100% de certeza do diagnóstico, porém, quando negativo, não pode dar 100% de confiança. Isto porque o local exato do câncer na próstata é desconhecido. Os médicos podem ver a próstata através do exame de ultrassom, mas não o tumor se estiver presente. Assim, são coletados fragmentos de diversos pontos da próstata para aumentar a sensibilidade, mas pode acontecer, se o tumor for muito pequeno, de este não estar presente nas amostras coletadas.

Por esta razão, uma biópsia pode ser falso negativa em um em cada cinco homens com câncer de próstata. Isso significa que pode ser necessário realizar outra biópsia se os sintomas persistirem, ou o seu nível de PSA continua a subir.

As células cancerosas são avaliadas quanto à sua semelhança com as células prostáticas normais e classificadas numa escala de graduação do câncer da próstata que varia de 1 a 5, com o grau 1 sendo a forma menos agressiva, pois quanto mais semelhante, menos agressiva.

Gleason

As amostras de tecido a partir da biópsia são estudadas e, se as células cancerosas são encontradas, é realizado um escore para estimar o quão rapidamente o câncer pode se espalhar.

Esta medida é conhecida como a pontuação de Gleason, que varia de 2 a 10. O patologista gradua de 1 a 5 as duas áreas mais frequentes do tumor e soma os resultados. Quanto mais baixo é o escore de Gleason, melhor será o prognóstico do paciente e menor a probabilidade de o câncer se espalhar.

A pontuação de Gleason de 2 a 4 significa que é improvável que o câncer se espalhe.

A pontuação de Gleason de 5 a 7 significa que há uma chance moderada de o câncer se espalhar, o que depende de outros fatores.

A pontuação de Gleason de 8 ou acima significa que há uma chance significativa de o câncer se espalhar, com dano em outros órgãos, afetando a sobrevida.

Ultrassom transretal

Pode ser usado para orientar a biópsia da próstata. Também pode ser útil na determinação do volume prostático e para avaliar a extensão local da doença.

prostata cintilografia

Cintilografia óssea

Cintilografia óssea

Uma vez diagnosticado o câncer de próstata, é fundamental no estadiamento do tumor.

A cintilografia óssea é um exame altamente sensível, porém pouco específico. É indicada em todo paciente portador de câncer da próstata com PSA > 20ng/ml e PSA entre 10-20 com graduação histológica de Gleason > 7.

Ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Os mesmos parâmetros acima devem ser utilizados para a pesquisa de metástases linfonodais utilizando-se métodos de imagem pélvica como o ultrassom, a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética.

Tratamento do câncer de próstata

O tratamento vai depender de circunstâncias individuais. Dependendo do tipo de câncer de próstata que a pessoa tem, sua vida pode ser afetada de diferentes formas.

O tratamento deve ser individualizado para cada paciente levando-se em conta a idade, o estadiamento do tumor, o grau histológico, o tamanho da próstata, as co-morbidades, a expectativa de vida, os anseios do paciente e os recursos técnicos disponíveis.

Ao contrário de muitos outros tipos, a maioria dos cânceres de próstata evolui lentamente. Os homens podem tê-lo por anos sem sintomas. Durante este tempo, os homens com câncer de próstata de baixo risco (que não se espalhou além da próstata) podem não precisar de tratamento.

O bom atendimento significa manter a observação sobre o câncer, garantindo que não se desenvolva em um câncer de rápido crescimento. Isto porque, num câncer de baixíssima probabilidade de evolução, o tratamento pode trazer muito mais dano à qualidade de vida do que o próprio tumor. Esta conduta é a chamada observação vigilante.

Observação vigilante

“Observação vigilante é uma opção frente à doença localizada, porém deve ser empregada apenas em pacientes acima de 75 anos, com expectativa de vida limitada e tumores de baixo grau histológico. “(INCA)

Cerca de um em cada cinco homens com câncer de próstata tem um câncer de rápido crescimento. Estes homens cujo câncer é mais propenso a se espalhar devem ser submetidos ao tratamento.

Todas as opções de tratamento acarretam o risco de efeitos secundários significativos, incluindo a disfunção erétil e incontinência urinária. Por esta razão, muitos homens optam por adiar o tratamento até que haja um risco de que o câncer pode se espalhar.

Quando o tratamento é necessário, o objetivo é o de curar ou controlar a doença, de modo que não reduza a expectativa de vida e afete a vida quotidiana tão pouco quanto possível. Às vezes, se o câncer já se espalhou, o objetivo não é curar, mas prolongar a vida e atrasar ou aliviar os sintomas.

As opções de tratamento incluem cirurgia para retirada da próstata, radioterapia e supressão androgênica (cirúrgica ou medicamentosa).

A quimioterapia também está indicada na doença metastática.

A quimioterapia pode causar queda de cabelo que é reversível depois do tratamento. Esse tipo de queda de cabelo é chamado de eflúvio anágeno.

Leia sobre eflúvio anágeno no artigo Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte II. Para outros tipos de queda de cabelo, recomendamos ler a primeira parte: Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte I.

Pessoas com câncer devem ser tratadas por uma equipe multidisciplinar. Esta é uma equipe de especialistas que trabalham em conjunto para oferecer o melhor tratamento e cuidados.

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Prevenção

Já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis.

Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.

Referências