Dermatologia

UNHA ENCRAVADA: Causas, Como Evitar e Tratamento

Unha encravada (ou também chamada onicocriptose) é quando a unha cresce para “dentro da carne” ao invés de sobre esta.

publicidade

É uma condição comum que causa desconforto ou mesmo dor intensa principalmente no dedão do pé (primeiro dedo) e pode muitas vezes infeccionar.

unha encravada

A unha fica encravada quando a borda lateral da unha fere a pele adjacente e ocorre inflamação, geralmente apresentando uma lesão chamada granuloma piogênico (falaremos sobre ele mais adiante). A unha, então, ao crescer, “enterra” no dedo.

Sintomas de uma unha encravada

unha encravada na pele

Pele inflamada

A pele inflamada fica inchada e forma uma barreira ao progresso da unha que é mais dura e, conforme cresce, vai se “enfiando” na pele, causando os sintomas mais comuns como dor e piora da inflamação.

Os sintomas de uma unha encravada variam dependendo da gravidade.

Sintomas leves de uma unha encravada:

  • inflamação do dedo, na pele ao redor da unha (pele vermelha e com inchaço – edema)
  • dor ao fazer pressão no dedo
  • não há pus

    Sintomas leves

    Sintomas leves

  • pode começar somente com desconforto sem sinais mais claros de inflamação

Sintomas moderados de uma unha encravada:

  • aumento da inflamação do dedo
  • dor
  • infecção do dedo: pus (de cor branca, verde ou amarela) na área afetada
  • sangramento

Sintomas graves de uma unha encravada:

unha encravada moderada

Sintomas moderados

  • a inflamação fica maior: dor, inchaço e vermelhidão intensos
  • um crescimento excessivo da pele ao redor da lesão (hipertrofia)
  • infecção grave

Causas de unha encravada

Existem várias coisas diferentes que podem causar unha encravada.

A causa mais comum é o trauma na pele por corte de maneira incorreta do canto das unhas ou o uso de sapatos apertados, como sapatos de bico fino.

unha encravada final

Sintomas graves

As causas de unha encravada são:

  • o corte incorreto das unhas
  • transpiração excessiva ou má higiene dos pés
  • sapatos apertados e meias apertadas
  • traumas únicos ou pequenos e constantes
  • Micose de unha
  • forma natural da unha (concavidade)
  • Medicamentos prescritos, particularmente retinóides orais, como a isotretinoína e acitretina.

Corte incorreto das unhas

Cortar erradamente as unhas aumenta o risco de desenvolver unha encravada.

cortando os cantos: errado!

Cortando os cantos: errado!

Ao cortar as unhas do pé muito curtas ou cortar os cantos, há favorecimento para que a pele ao redor desta eleve-se sobre a unha e passe a bloquear o crescimento da unha.

Outro problema, é que comumente ocorre o trauma na pele (cortar sem querer) que pode desenvolver um granuloma piogênico (explicado mais adiante).

 A maneira correta de cortar as unhas é em linha reta.

O corte reto, com os cantos livres, ajuda a unha a crescer normalmente e pode prevenir o surgimento de unhas encravadas.

corte em linha reata com cantos "para fora": correto!

Corte em linha reta com cantos “para fora”: correto!

Transpiração excessiva ou má higiene dos pés

A transpiração excessiva ou má higiene dos pés pode tornar a pele muito úmida e macia em torno das unhas dos pés o que torna mais fácil para a unha perfurar a pele e inserir-se dentro dela.

Sapatos e meias apertados

O uso de sapatos e meias apertados faz pressão sobre a pele ao redor da unha.

A pele pressionada pode sofrer trauma pela ponta da unha e inflamar.

Esse trauma pode ser pequeno e constante ou pode ser em um dia único, no qual o calçado usado não seja de costume, ou a pessoa passe muito tempo de pé, ou que sofra um trauma adicional usando este calçado, como uma “topada” ou um “pisão”.

calçado apertado

Calçados apertados também podem causar um “desvio” da unha para dentro, resultando em uma unha encravada.

Traumas únicos ou pequenos e constantes

Um trauma único na ponta do dedo pode causar uma lesão chamada granuloma piogênico que evolui com inflamação e encravamento da unha.

Traumas pequenos e constantes, como chutar a bola no futebol, causam “desvios” no crescimento da unha e possível encravamento.

Micose de unha

Às vezes, a unha com micose pode tornar-se mais quebradiça.

Micose de unha: a unha "lascada" pode encravar na pele

Micose

A unha quebradiça pode “lascar”, tornando mais fácil para a unha perfurar a pele adjacente.

A perfuração levará à inflamação e unha encravada.

Para saber mais sobre micose de unha leia o artigo MICOSE DE UNHA: Sinais e Tipos de Onicomicose.

Forma natural da unha

A unha pode apresentar-se côncava, ocorrendo pressão de suas bordas sobre a pele da base e encravamento.

A unha pode ser naturalmente dessa forma ou gradualmente passar a ser dessa forma.

Ela passa ser dessa forma com o tempo, devido ao uso de calçados apertados, que empurram os cantos das unhas para dentro, ou devido ao

unha encravada côncava

Unha côncava que penetra na pele

costume de sempre cortar os cantos, que também desvia o crescimento da borda da unha para dentro.

Neste caso, não é a pele que inflama primariamente e envolve a unha, é a unha que pressiona a pele e encrava literalmente na pele, ocorrendo secundariamente a inflamação desta.

Medicamentos como causa de unha encravada

Alguns medicamentos podem fazer, como efeito colateral, paroníquia (com granuloma piogênico) que é uma inflamação da pele ao redor da unha (dobra ungueal), ocorrendo inflamação e encravamento da unha.

Os medicamentos prescritos que particularmente fazem isto são os retinóides orais, como a isotretinoína (Roacutan) e acitretina (Neotigason).

Unha encravada e granuloma piogênico

A unha, ao traumatizar a pele adjacente, age como um corpo estranho, ou seja: é um objeto dentro da pele.

Devido à presença da unha como corpo estranho, uma resposta inflamatória ocorre na área de penetração, levando ao desenvolvimento de tecido de granulação, isto é, uma “carne esponjosa” que sangra facilmente.

Granuloma piogênico visível

Granuloma piogênico visível

Geralmente, o granuloma piogênico fica na parte interna na pele da borda da unha e não é visível, apenas percebe-se a inflamação, a dor intensa e o sangramento fácil, mas, em alguns casos, pode-se ver um granuloma piogênico que “cresceu para fora” da borda interna.

O granuloma piogênico pode desenvolver em outras partes do corpo também, se houver trauma local.

Como dito acima alguns medicamentos podem fazer, como efeito colateral, granuloma piogênico.

Tratamento da unha encravada

Na maioria dos casos, há a formação de granuloma piogênico na pele da borda interna adjacente à unha.

Esses granuloma piogênico pode ser tratado pelo dermatologista com aplicação de ácido tricloroacético (ou outro de preferência do médico) ou por cirurgia.

A cirurgia consiste na retirada da lateral da unha afetada (e não da unha inteira!) para se ter acesso ao granuloma piogênico e fazer a remoção deste por curetagem ou eletrocoagulação (geralmente a combinação destes métodos).

O médico pode optar, conforme o caso, em fazer a eletrocoagulação (cauterização) da matriz da unha para evitar que a unha cresça nesta lateral (matricectomia).

Também conforme cada caso, o procedimento cirúrgico pode ser mais complexo e ser realizada uma verdadeira plástica do local (cantoplastia).

Retirar cirurgicamente a unha inteira não é recomendável, pois pode ocorrer trauma na matriz da unha e esta não nascer mais ou passar a nascer defeituosa.

retirada lateral da unha

Cirurgia: retirada lateral da unha para acessar o granuloma piogênico

.

 

Compressa de água morna e sal ajuda muito a reduzir a inflamação devido à promover a drenagem do pus da região.

Antibióticos podem ser necessários para tratar a infecção.

Tratamento caseiro de casos leves

Se detectada precocemente e ainda com inflamação muito leve (sem granuloma piogênico), o próprio paciente pode tratar em casa e impedir de o problema se tornar pior, e, por vezes, pode conseguir curar.

Pode-se fazer o seguinte:

  1. Mergulhe o dedo na água morna por 10 minutos para amolecer as dobras de pele ao redor da unha afetada.
  2. Em seguida, usando um cotonete, empurre a dobra da pele sobre a unha encravada para baixo e para fora da unha. O movimento deve ser a partir da matriz da unha para a extremidade (para fora).
  3. Repita a cada dia durante algumas semanas, permitindo que a unha cresça livremente.
  4. Não use um objeto pontiagudo como tesouras de manicure para cavar sob a unha, pois pode infeccionar.
  5. Como o crescimento da unha, coloque um pequeno pedaço de algodão (“fiapo”) ou fio dental por baixo para ajudar a unha crescer sobre a pele e não para dentro dela. Trocar o algodão diariamente.
  6. Não corte da unha, permita que ela cresça para fora.
  7. Passe a cortar a unha em linha reta e não arredondada nos cantos.

    unha encravada tratamento caseiro

    Coloque um “fiapo” de algodão ou fio dental entre a unha e a pele para ajudar a unha a crescer livremente por cima da pele

.

 

Não tente usar uma agulha para drenar o pus de seu dedo do pé. Isso pode fazer a infecção piorar. Procure um médico.

Como cortar corretamente as unhas?

As unhas devem ser cortadas em linha reta, com os cantos das unhas visíveis sobre a pele.

Os cantos das unhas devem ultrapassar a pele.

As unhas não devem ser cortadas muito curtas.

Se as unhas são muito duras, são mais fáceis de cortar depois do banho, quando ficam um pouco amolecidas.

corte das unhas

Corte das unhas

.

 

 

Outras precauções para evitar a unha encravada …e outros problemas nas unhas e nos pés

Mantenha os pés limpos e secos.

Sempre que possível, deixe seus pés respirarem: ao longo do dia, tire o calçado. Aproveite momentos como a hora do almoço para isso.

Evite sapatos apertados e use meias de algodão ao invés de tecidos sintéticos.

Não use o mesmo calçado todos os dias. Coloque ao sol para secar bem o sapato que está “descansando”.

Troque as meias diariamente ou mais de uma vez por dia, se transpira muito.

Passe hidratante nos pés (incluindo nas unhas e entre os dedos) antes de calçar as meias, isso evita o maceramento da pele entre os dedos.

Se você tem diabetes ou doença arterial periférica, aprenda a cuidar bem dos seus pés. Pessoas com diabetes têm dificuldade em sentir os dedos dos pés e podem cortar-se sem perceber: cuidado ao cortar as unhas! (leia Diabetes Mellitus: Causas, Sintomas, Tratamento e Prevenção)

Para saber mais sobre micose de unha leia o artigo MICOSE DE UNHA: Sinais e Tipos de Onicomicose.

Referências

QUEDA DE CABELO: Tipos de Alopecia – parte II

No artigo ‘QUEDA DE CABELO: Tipos de Alopecia – parte I destacamos que “alopecia” é o termo médico para “queda de cabelo”, conversamos sobre o ciclo normal do cabelo e a divisão entre alopecia cicatricial e não cicatricial.

publicidade

Depois abordamos o primeiro tipo de queda de cabelo não cicatricial, a alopecia androgenética. 

Neste texto, conversaremos sobre outros tipos de queda de cabelo não cicatricial: alopecia de tração, tricotilomania, alopecia areata, eflúvio telógeno e eflúvio anágeno.

Alopecia de tração

alopecia tração 2 queda de cabelo

Alopecia de tração: tração dos fios e a aplicação de produtos químicos levam à queda dos cabelos

Alopecia de tração é uma queda de cabelo causada por insulto direto ao fio de cabelo, como a tração demasiada conforme a forma de pentear ou prender os cabelos e a exposição a produtos químicos (relaxamentos e escovas) e a altas temperaturas em secadores de cabelos e pranchas.

Caracteristicamente afeta as regiões temporais, mas difusamente pode-se perceber um cabelo, fino, quebradiço e com fios em diversos tamanhos.

Se a agressão continuar, pode evoluir para alopecia cicatricial que é irreversível.

Tricotilomania

Tricotilomania é uma perda de cabelo auto-induzida, ou seja: um ato de arrancar ou quebrar o cabelo devido ao hábito de manipulá-lo, isto é, de ficar mexendo, fazendo redemoinho com o dedo, por exemplo, que muitas vezes é feito inconscientemente. Ocorre mais frequentemente em crianças ou adolescentes.

queda de cabelo tricotilomania 2

Tricotilomania: o hábito de “arrancar” os fios de cabelo pode ser inconsciente como uma “mania” de enroscar os fios nos dedos antes de dormir ou quando concentrado numa leitura

A perda de cabelo é assimétrica e tem uma forma incomum, com cabelos quebrados que não são facilmente removidos.

Áreas únicas ou múltiplas podem ser afetadas, incluindo sobrancelhas e cílios.

Há pouca ou nenhuma inflamação. Fios de cabelos novos de até 1,5 centímetros podem também ser visíveis antes de serem longos o suficiente para serem puxados novamente.

Normalmente não representa qualquer problema emocional.

Em crianças pequenas muitas vezes é um hábito que acabará por resolver por conta própria, como na criança que fica fazendo redemoinho na hora de dormir ou no adolescente que envolve o cabelo em torno de um dedo e puxa-o ao concentrar-se durante o estudo, por exemplo. Já, em adultos, pode significar algum transtorno emocional mais importante.

O tratamento, quando necessário, envolve a modificação comportamental e, em adolescentes e adultos, pode estar indicado, em alguns casos, o tratamento psiquiátrico para controle da ansiedade ou transtorno obsessivo-compulsivo.

queda de cabelo areata

Alopecia areata: geralmente relacionada ao stress

Alopecia areata

Alopecia areata é um tipo de queda de cabelo não-cicatricial que pode afetar homens e mulheres, adultos e crianças. O padrão circular ou oval de queda de cabelo é característico.

Há geralmente uma área redonda ou oval com a pele normal e lisa (aspecto de bola de bilhar) desprovida de cabelo. Este cabelo perdido geralmente cresce novamente, sem quaisquer problemas ou qualquer outra perda de cabelo.

Não existe uma correlação entre o número de áreas e a gravidade. Alopecia areata pode afetar qualquer região, embora o couro cabeludo seja o mais comum.

A barba é afetada em cerca de um quarto dos homens e, mais raramente, as sobrancelhas ou extremidades podem estar envolvidos.

A perda de 40% do cabelo ou mais ocorre em apenas cerca de 1 em 10 das pessoas.

As formas mais extensas ocorrem em 7%. Estas são chamadas de alopecia totalis, se todos os cabelos do couro cabeludo são perdidos e alopecia universalis, se todos os pelos do corpo, incluindo sobrancelhas, são perdidos. Nas formas totalis e universalis de alopecia areata o cabelo pode não voltar a crescer.

A causa exata é desconhecida, mas existe uma predisposição genética, e há consenso a favor de uma resposta auto-imune. Cerca de 20% das pessoas com alopecia areata também têm um parente que tem ou teve alopecia areata.

Tratamentos para alopecia areata

Embora o cabelo muitas vezes possa voltar a crescer por conta própria na alopecia areata, existem tratamentos que podem ser úteis. Ainda assim, não há cura para alopecia areata, ou seja, o problema tende à recorrência.

Os esteróides tópicos, injeções de corticosteróides na pele são utilizados quando necessário.

Muitos outros tratamentos tópicos podem ser usados.

Para a doença mais extensa, por vezes, pode ser prescrito medicação por via oral. Estes atuam para suprimir o sistema imunológico, mas também não são sempre eficazes.

Eflúvio telógeno

escova com cabelo

Eflúvio telógeno: o cabelo “sai em punhados”

Eflúvio telógeno é uma forma comum de queda de cabelo.

A perda de cabelo é passageira e pode ser devido à algum medicamento, gravidez e parto, hipotireoidismo e hipertireoidismo, dieta extremamente restritiva ou algum tipo de stress físico ou psicológico, tais como uma cirurgia de grande médio ou porte, hemorragias (inclusive ocasionalmente doação de sangue), trauma grave ou uma doença febril aguda.

Também pode ocorrer por deficiência nutricional, principalmente de ferro ou zinco.

No couro cabeludo normal, os cabelos estão em diferentes fases.

Quando a pessoa passa por uma das condições acima, é possível que um número significativo de fios de cabelo passe prematuramente da fase anágena para a fase catágena e, em seguida, telógena (de repouso),  sendo os fios de cabelo descartados de 2 a 4 meses depois o evento. Costuma afetar menos de 50% do couro cabeludo.

Geralmente a pessoa não associa a queda e cabelo ao evento ou doença anterior devido ao tempo decorrido. A queixa comum é de que o cabelo “sai em punhados” ao pentear ou lavar.

Medicamentos como causa de eflúvio telógeno

Alguns medicamentos que comumente causam eflúvio telógeno são medicamentos anti-convulsivantes, medicamentos para hipertensão arterial como beta-bloqueadores e bloqueadores do canal de cálcio, anti-depressivos, anti-inflamatórios não-esteróides (incluindo o ibuprofeno), anticoagulantes, retinóides (incluindo excesso de vitamina A) e medicamentos para tratamento de alterações da tireóide.

Nesta situação, estes medicamentos só devem ser interrompidos pelo médico que identificará se realmente o medicamento é o causador da queda de cabelo, já que diversas outras condições podem ser a causa.

Gravidez e eflúvio telógeno: a desesperadora queda de cabelo 3 meses depois do parto…

O eflúvio telógeno após o parto tem um componente diferente, pois durante a gravidez os cabelos crescem com mais força, porque os pelos anágenos não passam para a fase catágena e continuam a crescer.

Então, após o parto, todos os pelos que deveriam ter entrado antes em fase catágena durante a gravidez entram ao mesmo tempo nesta fase e, em seguida, na fase telógena e 3 meses mais tarde são descartados abruptamente.

Não há nenhum tratamento específico para o eflúvio telógeno e o cabelo voltará a crescer espontaneamente quase sempre.

Eflúvio anágeno

Queda de cabelo difusa que ocorre como um resultado da exposição a determinadas substâncias.

A causa mais comum de queda de cabelo por eflúvio anágeno são as drogas de quimioterapia para o tratamento de câncer.

Câncer de mama (leia em CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte I e CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte II) e câncer de próstata (leia em CÂNCER DE PRÓSTATA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamentosão exemplos de neoplasias tratadas com quimioterapia.

Após a exposição tóxica, o crescimento do cabelo é abruptamente interrompido e o folículo em fase anágena é descartado após 1 a 4 semanas. A queda de cabelo afeta 80% a 90% do couro cabeludo.

A recuperação completa pode ser esperada uma vez que o fator desencadeante tenha sido removido.

Outros problemas

  • Dermatite seborreica: a produção de grandes quantidades de caspa frequentemente está associada com afinamento dos cabelos.
  • Tinea capitis (micose no couro cabeludo): pode causar queda de cabelo local, com os típicos “pelos tonsurados”, isto é, cortados como por tesoura rente ao couro cabeludo.
  • sífilis secundária: provoca um padrão típico de perda de cabelo chamado de alopecia em clareira.
  • Defeitos estruturais dos pelos: anormalidades estruturais dos fios de cabelo que os deixam frágeis. Algumas têm causa genética: moniletrix, pili torti , tricotiodistrofia  e doença de Menke. A tricorrhexis nodosa é causada por traumatismo excessivo como, escovar intensamente, exposição prolongada ao sol e natação.

Considerações finais

A queda de cabelo traz um dano estético que afeta a auto-estima e, em alguns caso, a causa pode ser um problema orgânico ainda mais sério. Assim, é importante que a pessoa procure um médico ao invés de seguir orientações de terceiros ou receitas milagrosas para queda de cabelo.

Somente um médico pode dar o diagnóstico e o tratamento corretos.

O tratamento irá variar conforme a causa e, em muitos casos, a melhora virá com a mudança de hábito em como a mulher manipula o seu cabelo e na melhora na qualidade da alimentação.

Este texto é continuação de QUEDA DE CABELO: Tipos de Alopecia – parte I.

Referências

QUEDA DE CABELO: Tipos de Alopecia – parte I

Queda de cabelo é uma queixa comum no consultório. Na maioria dos casos, o stress, a alimentação irregular e o uso de produtos químicos e secadores de cabelos, além das pranchas, são as causas. Mas em outras há alguma doença como causadora.

publicidade

Quando o paciente relata o termo “queda de cabelo”, o médico escreve no prontuário “alopecia” que é a palavra na Medicina que designa este sinal. Assim, neste texto, em muitas vezes usaremos a palavra “alopecia” no lugar de “queda de cabelo”.

queda de cabelo a

Queda de cabelo ou alopecia.

Neste texto,  conversamos sobre o ciclo normal do cabelo e a divisão entre alopecia cicatricial e não cicatricial. Depois abordamos o primeiro tipo de queda de cabelo não cicatricial, a alopecia androgenética.

No artigo Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte II conversaremos sobre outros tipos de queda de cabelo não cicatricial: alopecia de tração, tricotilomania, alopecia areata, eflúvio telógeno e eflúvio anágeno.

Ciclo normal do cabelo

Cada folículo produz um número de cabelos, durante um tempo de vida. Há três fases:

• Fase Anágena ou fase de crescimento no couro cabeludo: dura entre três e cinco anos e o cabelo cresce cerca de 1 cm por mês. A duração da fase anágena varia de pessoa para pessoa e determina o tamanho que o cabelo vai crescer se não forem cortados. Normalmente, cerca de 85% dos folículos está na fase anágena. Não existe produto milagroso que faça o cabelo crescer além do que lhe é característico.

• Fase Catágena ou fase de involução: segue a fase anágena, quando cessa a divisão celular no bulbo piloso e ocorre a involução, que dura cerca de duas semanas.

• Fase Telógena ou fase de repouso: dura cerca de três meses. O cabelo permanece no folículo, mas não cresce e, em 2 a 3 meses, em média, é descartado. No final da fase telógena, o folículo inicia a produção do novo cabelo anágeno que desloca o antigo e este é descartado.

queda de cabelo ciclo 2

Fases do fio de cabelo: anágena (crescimento), catágena (involução) e telógena (repouso).

A “muda” de cabelos

Em alguns animais, os folículos apresentam este ciclo de modo sincronizado e estes animais apresentam “troca de pelos” ou “muda” em certa época do ano. Nos seres humanos, os folículos não estão sincronizados e, portanto, não há época de “troca de cabelos” ou “muda”. Assim, durante todo o ano há queda de cabelos regular e normalmente de cerca de 50 a 100 cabelos por dia, na sua maioria despercebida.

A falta de sincronia é aleatória e, às vezes, as pessoas passam por um período mais predominantemente na fase telógena com maior queda de cabelo em escovas e pentes, causando muita ansiedade. Apenas uma variação da média de queda de cabelos normal.

A alopecia

queda de cabelo cicatricial

Sequela de processo inflamatório: incapacidade de crescer cabelo no local da cicatrização

Alopecia é um termo geral utilizado para todos os tipos de queda de cabelo temporária ou permanente, localizada ou como difusa, do couro cabeludo ou de qualquer parte do corpo. Há muitas coisas que podem causar queda de cabelo, incluindo medicamentos ou deficiência de ferro. A alopecias são geralmente divididas em dois grupos: cicatricial e não cicatricial.

Alopecia cicatricial

Alopecias cicatriciais são normalmente causadas por inflamação que resulta na destruição permanente do folículo piloso levando à queda de cabelo irreversivelmente.

Ao exame clínico, lesões agudas no couro cabeludo também podem estar presentes ou apenas as cicatrizes de processos inflamatórios passados.

Causas da destruição do folículo piloso incluem infecção fúngica, produtos químicos, como relaxantes/alisantes de cabelo, tração mecânica continuada (uso de secador de cabelos ou pranchas), e distúrbios inflamatórios que incluem lúpus eritematoso discóide, líquen plano-pilar, alguns tipos de foliculite, alopecia mucinosa, alopecia cicatricial centrífuga central, e acne keloidalis.tratada precocemente no curso da doença, às vezes é possível regenerar o cabelo.

Alopecia não cicatricial

As alopecias não cicatriciais são causas mais comuns de queda de cabelo do que as alopecias cicatriciais e incluem a alopecia androgenética padrão masculino e feminino, a alopecia areata, o eflúvio telogénico, o eflúvio anágeno e a tricotilomania, bem como outras condições menos comuns.

Às vezes, doenças como sífilis secundária, doenças da tireóide (leia sobre HIPOTIREOIDISMO: Causas, Sintomas e Tratamento), e lúpus eritematoso sistêmico podem causar queda de cabelo por alopecia não cicatricial também. Para saber sobre lúpus eritematoso sistêmico, leia LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES): Diagnóstico e Tratamento.

As causas não cicatriciais também podem ocorrer com o envelhecimento natural, esta forma de queda de cabelo é conhecida como alopecia senescente.

Alopecia androgenética: a calvície masculina

A alopecia androgenética, também conhecida como calvície masculina, é o tipo mais comum de queda de cabelo e é tão comum que muitos especialistas acreditam que ela deve ser considerada uma variante normal, como os olhos azuis ou cabelo castanho.

Esta forma de queda de cabelo é herdada de uma forma complexa de um ou ambos os pais.

Apesar de ser denominada “calvície masculina”, as mulheres também podem apresentar esta condição, pois os andrógenos, incluindo a testosterona, são hormônios presentes em homens e mulheres e desempenham um papel importante no desenvolvimento da queda de cabelo.

Mas, no caso da alopecia androgenética, não é o aumento dos níveis de testosterona que leva à queda de cabelo, embora este aumento também possa causar a queda de cabelo em outros casos, pois a maioria dos homens e mulheres com alopecia androgenética não têm níveis anormais de testosterona.

O que acontece é a presença de receptores à testosterona nas áreas afetadas causando uma ação mais exagerada da testosterona que causa a queda de cabelo.

As mulheres são mais propensas a desenvolver alopecia androgênica após a menopausa, quando elas têm menos hormônios femininos que têm ação protetora nos folículos, embora não seja tão incomum casos de início mais precoce.

A alopecia androgenética ocorre em mais da metade dos homens com mais de 50 anos de idade.

Mulheres com idade acima de 40 anos podem ter a mesma prevalência. Um estudo descobriu que até 13% das mulheres na pré-menopausa apresentam alopecia androgenética. Outro estudo relatou que a alopecia androgenética afetou 75% das mulheres com mais de 65 anos.

Padrão masculino e padrão feminino

queda de cabelo 9

Padrão masculino

A alopecia androgenética de padrão masculino é caracterizada pela perda da linha de frente com perda de cabelos nas regiões temporais (entradas) e no vértice (parte superior da cabeça, o ‘cocoruto’), e pode ou não progredir ao longo do tempo.

O padrão feminino é mais variável, mas na maioria das vezes ocorre rarefação de cabelos no topo e na região da coroa, sem perda na área frontal.  Há afinamento difuso do fio de cabelo. Esta condição pode ou não progredir ao longo do tempo.

Padrão masculino e padrão feminino são termos utilizados por serem padrões mais frequentes em cada sexo, mas não são exclusivos.

Um homem pode ter perda de cabelos com padrão feminino e uma mulher pode ter perda de cabelos com padrão masculino.

É importante notar que a queda de cabelo na mulher também pode ser causado por um aumento anormal dos andrógenos, devido à presença de ovário policístico ou menos frequentemente devido a uma doença maligna que produza hormônios masculinos.

A fim de melhor estabelecer o diagnóstico, se uma mulher se apresenta com quadro de alopecia androgenética, deve-se observar se a alopecia é acompanhada de outros sinais, como irregularidade do ciclo menstrual, hirsutismo (aumento de pelos no corpo), acne na região da mandíbula e seborreia. Nestes casos, os níveis de testosterona e dihidroepiandrosterona (DHEA) devem ser medidos.

queda de cabelo 7

Padrão feminino

Também deve ser investigado se há uso de esteróides anabolizantes.

O tratamento para a alopecia androgenética inclui solução tópica de minoxidil, os comprimidos de finasterida por via oral ou cirurgia de transplante de cabelo.

Para saber mais sobre calvície masculina e tratamento, leia: CALVÍCIE MASCULINA: Causas e Tratamento.

No artigo Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte II conversaremos sobre outros tipos de queda de cabelo não cicatricial: alopecia de tração, tricotilomania, alopecia areata, eflúvio telógeno e eflúvio anágeno.

ACNE (CRAVOS E ESPINHAS): Entenda as Causas

A acne é uma doença de pele muito comum, sendo a gravidade de intensidade variável, desde lesões mínimas, imperceptíveis, até lesões muito graves, deformantes, com consequente redução da qualidade da vida e danos emocionais.

publicidade

O que caracteriza a acne?

acne - folículo2

Visão microscópica da pele, mostrando a acne

A acne é caracterizada pelo aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilossebáceo, geralmente por queratina, formando os comedões abertos (os “cravos” pretos) e os comedões fechados (os “cravos” brancos).

Se o sebo produzido pelas glândulas sebáceas não é drenado e há proliferação bacteriana, acaba ocorrendo a inflamação. Esta inflamação é a “espinha”.

Frequente em adolescentes e em adultos jovens, a acne pode se prolongar além deste período, principalmente nas mulheres, nas quais pode permanecer além dos 30 anos de idade, sendo assim chamada de acne da mulher adulta.

“Espinhas” na mulher adulta

acne -mulher-adulta

Diferença de localização na adolescente e na mulher adulta

A acne da mulher adulta caracteriza-se por ter apresentar lesões predominantemente na região da mandíbula e, com frequência, estar relacionada ao ciclo menstrual.

Este tipo pode ocorrer devido à ação dos hormônios masculinos, os andrógenos, na pele da mulher.

Quando os andrógenos agem nas glândulas sebáceas, há como resultado a seborreia e a acne. Se agem sobre os folículos pilosos, o resultado é o aumento de pelos no corpo, chamado hirsutismo, e queda dos cabelos, a alopecia.

Quando seborreia (caspa), acne, hirsutismo (excesso de pelos no corpo) e alopecia (queda de cabelo) estão presentes, o conjunto é chamado de Síndrome SAHA.

Cremes e medicamentos podem causar acne

Hidratantes, protetores solares e outros cremes muito oleosos também podem causar acne por obstrução da abertura do folículo pilossebáceo, por isso, para a maioria das pessoas, os produtos para uso na pele do rosto devem ser em loção oil free ou gel.

Procure no rótulo esta informação. Geralmente vem escrito “não comedogênico”.

Também alguns medicamentos podem causar lesões semelhantes à acne: lítio, isoniazida, rifampicina, etionamida, vitaminas do complexo B (B1, B6 e B12), fenobarbitúricos, hidantoína e corticoides.

Outras causas de “espinhas”

Além do uso de cremes e medicamentos, há mais quatro causas para que uma pessoa tenha acne.

A primeira causa é a predisposição hereditária

Se pai e mãe tiveram acne, o filho tem 50% de ter acne também, com gravidade variável. Ou seja, mesmo com chance aumentada, não é possível prever a gravidade, se vai ser melhor ou pior que seus pais.

O fator hormonal é a segunda causa e é uma causa comum

Os hormônios masculinos regulam a produção de sebo pelas glândulas sebáceas.

Esses hormônios são produzidos pelos ovários e pelos testículos e também pelas glândulas supra-renais.

Na puberdade, quando o corpo passa por transformações para sair da “configuração criança” para a “configuração adulto”, há aumento na produção desses hormônios e, por causa disso, aumento do tamanho das glândulas sebáceas e da quantidade de secreção, sebo, produzida.

A terceira causa é a proliferação bacteriana na pele

Com o aumento da produção de sebo e o acúmulo deste, há proliferação de bactérias, levando à inflamação da pele, com lesões avermelhadas, dolorosas e com pus.

A principal bactéria no processo é a Propineumbacterium acnes (P. acnes).

Quarta causa: fatores emocionais

E, por fim, os fatores emocionais, como numa situação de grande stress ou mesmo com a variação hormonal do ciclo menstrual.

Fatores emocionais, com estímulo através do córtex cerebral, agem sobre o sistema neuroendócrino (eixo hipotálamo – hipófise – supra-renal), levando ao aumento dos níveis de hormônios masculinos.

Chocolate 3

Chocolate não é causa em todas as pessoas

E o chocolate não causa “espinhas”?

Alimentos gordurosos e açucarados podem provocar a acne pelo aumenta oleosidade na pele, mas isso vai depender do metabolismo de cada pessoa.

Então, não é preciso qualquer dieta, mas a pessoa deve observar qual o comportamento de sua pele ao ingerir alimentos gordurosos ou açucarados e restringir o que for significativo para o seu caso, se necessário.

E é de bom senso, por diversos outros motivos, comer esses tipos de alimentos com moderação.

acne - folículo

Evolução da lesão de comedão ou cravo até acne nódulo-cística

A gravidade da acne é classificada em cinco graus:

Acne grau I ou comedogênica: somente comedões fechados ou abertos (“cravos”). Não há inflamação, “espinhas”.

Acne grau II ou pápulo-pustulosa: há comedões, pápulas, que são pontos vermelhos e pústulas, que são as “espinhas”.

Acne grau III ou nódulo-cística: há comedões, “espinhas” e cistos, que são lesões maiores, inflamadas, profundas e dolorosas, que podem drenar pus.

Acne grau IV ou conglobata: é como no grau anterior, porém mais grave, pois os cistos são muitas vezes maiores (nódulos), mais inflamados e mais numerosos. Também formam fístulas entre si (comunicam-se) e drenam pus. O quadro pode ser desfigurante.

acne IV

Acne grau IV ou conglobata

Acne grau V ou acne fulminans: situação rara e muito grave, pois a pessoa apresenta febre, queda do estado geral, dor em diversas articulações e nos músculos, além de perda do apetite. Geralmente é necessária a internação hospitalar.

“Espinhas” no recém-nascido

Além desta classificação de apresentação, a acne pode ocorrer no recém-nascido.

A acne neonatal inicia nas primeiras semanas de vida, devido aos andrógenos da mãe e tende a regredir após alguns meses.

Já no lactente, a acne surge entre os 3 e 6 meses de idade e está relacionada aos andrógenos das gônadas (ovários ou testículos) ou supra-renais e tende a se um pouco mais grave e persistente, podendo durar até vários anos.

acne cicatriz

Sequelas: cicatrizes atróficas (profundas)

A acne pode deixar sequelas?

Dependendo da agressividade, do tipo de pele e se a pessoa manipulou as lesões, isto é, se “espremeu as espinhas”, a acne pode deixar manchas e/ou cicatrizes.

“Espremer” as “espinhas” pode melhorar a ansiedade, mas piora a pele, deixando manchas e cicatrizes, onde poderia não haver essas complicações. Para tratar ansiedade, procure um psicólogo ou um psiquiatra e não a sua pele.

As cicatrizes podem ser superficiais, profundas, ou seja: atróficas, ou podem ser elevadas e endurecidas, os quelóides.

Então, não “esprema” as “espinhas” e nem os “cravos”!!!!! E use protetor solar fator 30 diariamente!!!

Tratamento

Pra iniciar o tratamento, o médico deve definir o grau de acne. Em casos leves a moderados de acne grau I e II, apenas medicamentos de uso local são indicados, como retinóides, peróxido de benzoíla e antibióticos tópicos.

Um medicamento local que trata inflamação – “espinhas”, não consegue tratar comedão – “cravos”, já que estes não tem inflamação, e o medicamento que trata comedão pode piorar a inflamação. Isso porque, para tratar uma acne grau I, o objetivo é afinar a pele, tirar as camadas mais superficiais, o que acabaria por exacerbar a inflamação.

Em linhas gerais, na acne não grave, o tratamento visa à desobstrução dos folículos e o controle da proliferação bacteriana e da oleosidade.

No grau II de maior intensidade e extensão e no grau III, há a indicação de antibióticos por via oral, além do tratamento local.

Qualquer grau citado acima tratado adequadamente por, pelo menos 3 meses, sem resultado significativo pode ser considerado como resistente.

Acnes resistentes e grau IV têm indicação de tratamento com isotretinoína oral, cujo nome comercial de referência é Roacutan.

A isotretinoína oral é eficaz em 60 % dos casos, nos quais a pessoa pode ser considerada curada. Em 20 % a acne retorna, porém mais branda e em outros 20% faz-se necessário novo curso de tratamento com o medicamento. Portanto, não há milagre.

A proteção solar

melasma 5

A diferença básica entre UVB e UVA é que a UVB queima a pele, mas as duas causam danos à pele

A ação da radiação ultravioleta (UVA e UVB) do sol tende a piorar a mancha que a “espinha” faz durante a sua cicatrização. Esta mancha é chamada hiperpigmentação pós-inflamatória.

melanoma proteção 3

Use protetor solar contra UVA e UVB FPS 30

Assim, parte fundamental do tratamento de acne é a proteção solar.

A proteção solar deve ser eficiente contra as radiações UVA e UVB. A radiação UVB é a que queima e é mais intensa no verão e a UVA, que não transmite calor, não varia de intensidade durante o ano e pode, além manchar a pele e causar o câncer melanoma, induzir o envelhecimento precoce da pele.

A ação da radiação ultravioleta da luz do sol pode também induzir o desenvolvimento do câncer de pele Melanoma (leia mais em Melanoma: Sinais, Riscos e Prevenção).

E pode também levar ao desenvolvimentos de manchas na pele (leia mais em MELASMA: Manchas Escuras na Pele do Rosto).

Use protetor solar fator 30 todos os dias que proteja tanto para radiação UVB quanto para UVA.

Se você tem acne, procure um dermatologista, produtos de catálogo ou comerciais podem dar alívio, mas resposta real somente com tratamento médico.

Acne, apesar de normal, é uma doença e deve ser tratada por um médico.

Para mais algumas informações, veja o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Referências

  • Pediatria – Consulta Rápida – Paula Xavier Picon – Editora: ARTMED EDITORA – Ano de Edição: 2010
  • Saúde – Entendendo as Doenças, a Enciclopédia Médica da Família – Editora: NOBEL
  • E 20 anos de Medicina

ROSÁCEA: Vermelhidão no Rosto – Causas e Tratamento

A rosácea afeta cerca de 1 em cada 10 pessoas, mais comumente pessoas com idade de 30 a 50 anos com pele clara, mas também pode afetar as pessoas de pele mais escura.

publicidade

As mulheres são mais comumente afetadas, porém os homens costumam ter quadros mais graves. Geralmente há outros casos na família.

Rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta o rosto, caracterizada por rubor facial, dilatação de vasinhos da pele (telangiectasias), pápulas (lesões elevadas de até 1cm), pústulas (lesões elevadas com pus, parecidas com “espinhas”) e, em casos graves, aumento da espessura da pele do nariz (rinofima).

Rosácea

Rosácea: vermelhidão no rosto.

Sinais e Sintomas de Rosácea

A rosácea é praticamente limitada às partes centrais da face (bochechas, testa, nariz, ao redor da boca e queixo).

O aspecto das lesões da rosácea, às vezes, se parecem com as lesões da acne. Por isso, alguns chamam inapropriadamente de “acne rosácea”. Porém, é uma condição diferente de acne.

Para ler sobre as causas e tratamento da acne (cravos e espinhas), clique ACNE (CRAVOS E ESPINHAS): Entenda as Causas.

A doença é crônica e apresenta crises de tempos em tempo, conforme a exposição aos fatores desencadeantes, e se manifesta em quatro fases:

Pré-rosácea - caracterizada por rubor facial

Pré-rosácea – caracterizada por rubor facial

Primeira fase – pré-rosácea

A primeira fase é chamada de pré-rosácea, nesta fazem acontecem episódios de rubor (“flushing”), muitas vezes acompanhados de sensação de ardência desconfortável. Estes sintomas persistem por toda as outras fases da doença.

Fase vascular da Rosácea - as áreas mais avermelhadas são as telangiectasias (vasinhos da pele dilatados)

Fase vascular – as áreas mais avermelhadas são as telangiectasias

Segunda – fase vascular

A segunda é a fase vascular, onde os pacientes desenvolvem eritema (vermelhidão) e edema (inchaço) facial com múltiplas telangiectasias (dilatação de vasinhos da pele), possivelmente como resultado da instabilidade vasomotora persistente.

Fase inflamatória - páulas e pústulas semalhantes à acne

Fase inflamatória – pápulas e pústulas semalhantes à acne

Terceira – fase inflamatória

Na terceira fase, a fase inflamatória, surgem as pápulas (lesões elevadas de até 1cm) e pústulas (lesões semelhantes a “espinhas” da acne).

Quarta – fase final

Fase final - rinofima

Fase final – rinofima

Na fase final, que se desenvolve em algumas pessoas, a inflamação da pele, a deposição de colagéno e a hiperplasia (aumento) das glândulas sebáceas levam ao espessamento da pele das bochechas e do nariz que é chamado rinofima.

O rinofima é uma complicação mais comum nos homens e se desenvolve lentamente ao longo de um período de anos.

As fases da rosácea são geralmente sequenciais, mas alguns pacientes vão diretamente para a fase inflamatória, ignorando as fases anteriores.

O tratamento pode fazer a rosácea retornar para uma fase anterior.

A progressão para a fase tardia é evitável.

Rosácea ocular

A rosácea também pode atingir os olhos – a rosácea ocular – e geralmente acompanha a rosácea facial, mas também pode precedê-la.

Rosácea ocular

Rosácea ocular

A rosácea ocular se manifesta com inflamação dos olhos (uma combinação de blefaroconjuntivite, irite, esclerite e ceratite).

O sintomas são coceira, sensação de corpo estranho (sensação de “areia nos olhos”), eritema (olhos vermelhos) e edema (inchaço) do olho.

A rosácea ocular não é comum, mas pode ser grave.

Causas e Fatores Desencadeantes

A causa é desconhecida, mas sugere-se desde alterações no controle da dilatação dos vasos sanguíneos da pele, uso de corticósteroides tópicos principalmente os fuorados, danos da radiação solar até a presença de uma quantidade elevada de ácaros nos folículos pilosos (pelos da face) chamado Demodex folliculorum. Também costuma haver uma predisposição genética.

As crises de rosácea podem ser desencadeados por:

  • exposição ao sol
  • estresse emocional
  • tempo/clima frio ou quente
  • bebidas alcoólicas ou quentes
  • alimentos condimentados
  • exercício físico intenso
  • vento
  • cosméticos
  • banhos quentes

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, ou seja, a apresentação destes sintomas é suficiente para que o médico faça o diagnóstico.

O médico somente solicitará exames, provavelmente biópsia de pele, se o quadro não for típico.

Tratamento da Rosácea

Rosácea é uma doença progressiva, o que significa que fica pior com o tempo, se não for tratada.

É uma doença crônica que não pode ser curada, mas o tratamento com medicamentos e o controle dos fatores desencadeantes podem ajudar a controlar os seus sintomas e evitar a sua progressão.

Controle dos fatores desencadeantes

É importante que cada pessoa identifique e evite os gatilhos que fazem com que a crise de rosácea aconteça.

Evitar os fatores desencadeantes conhecidos podem ajudar a reduzir a gravidade e a freqüência das crises de rosácea.

Proteção contra radiação solar

Todos nós devemos usar protetor solar diariamente a pessoa que tem rosácea não pode se descuidar desse hábito.

O filtro solar deve ser aplicado mesmo em dias nublados, pois a radiação UVA atravessa as nuvens. Quem ilumina o dia é sol!

O fator de proteção solar (FPS) deve ser 30. Pode até ser um FPS superior, mas não é necessário. Mais importante que um FPS alto é aplicar o protetor solar pela manhã e reaplicar no início da tarde, se estiver em ambiente fechado, e a cada 2 horas, se estiver exposto ao sol. A proteção de ser contra radiação UVA e UVB.

Evitar a radiação solar

Controle dos fatores desencadeantes

Para as pessoas muito sensíveis, um filtro solar para crianças pode ser melhor tolerado.

Para maior proteção, o uso de chapéu de abas largas também pode ajudar a reduzir a quantidade de radiação UV que atinge o rosto.

Cuidados na higiene

A higiene do rosto deve ser cuidadosa. Abaixo seguem algumas dicas:

  • Cosméticos e xampus podem irritar a pele e devem ser escolhidos com cuidado
  • Ao lavar o rosto, use sabonetes neutros e evite sabonetes perfumados
  • Não use esfoliantes
Cuidados na higiene

Cuidados na higiene

  • Não limpe o rosto com produtos que contenham álcool
  • Lave o rosto com água morna e deixe a pele secar completamente antes de aplicar medicação ou maquiagem
  • Procure produtos adequados para a pele sensível. Estes são geralmente descritos como hipoalergênicos, sem fragrância e não-comedogênico (não vai obstruir os poros)
  • Use um creme hidratante para acalmar a pele, se necessário, mas não use cremes que contenham óleo
  • Evite cosméticos à base de óleo ou à prova d’água que necessitem de solventes para remoção
  • Se o produto for em gel, que seja gel aquoso – não use gel alcoólico
  • Evite adstringentes, tonificadores e outros produtos faciais ou para os cabelos que contenham ingredientes que podem irritar a pele, tais como fragrâncias, álcool, mentol, hamamélis, óleo de eucalipto, cânfora, óleo de cravo, pimenta, lauril sulfato de sódio e lanolina
  • Ao secar, não esfregue a toalha no rosto, pois isso também pode irritar a pele. 

Estresse emocional

Depois da luz solar, o estresse é a segunda causa mais relatada de gatilho para a rosácea.

Alguns hábitos de vida podem reduzir o estresse, como por exemplo:

  • fazer exercícios regularmente, mas evitar o exercício extenuante  (que pode desencadear crise de rosácea)
  • manter uma alimentação saudável e equilibrada
  • ter a quantidade certa de sono
  • ou outras técnicas de relaxamento, como: exercícios de respiração profunda, meditação e ioga
rosacea condimentado

Alimentos condimentados devem ser evitados

Alimentos e bebidas

Os gatilhos alimentares e relacionados com a bebida mais comumente relatados são álcool e alimentos condimentados. Evite-os.

No entanto, cada pessoa pode apresentar sua própria sensibilidade a alimentos. Assim, cada um deve observar quais outros alimentos estão relacionados às suas crises de rosácea.

O tempo/clima frio

Cobrir o rosto e o nariz com um lenço pode ajudar a proteger a pele do frio e do vento.

Tratamento com medicamentos

Antes de tudo, é necessário alertar que os corticosteróides tópicos (creme, gel ou pomada que contém medicamentos, como hidrocortisona, dexametasona ou betametasona) não devem ser utilizados porque, apesar de trazerem alívio no curto prazo, podem piorar os sintomas a longo prazo e tornar a rosácea mais difícil de controlar com outras medicações.

Mirvaso efeito 3

Mirvaso: antese após 3 horas da aplicação

Uma variedade de tratamentos tópicos (que são aplicados na pele) e por via oral têm sido usados para a rosácea.

Eles são eficazes principalmente para o tratamento da fase inflamatória da rosácea (pápulas e pústulas). Eles não têm eficácia na fase vascular da rosácea (rubor, vermelhidão e telangiectasias). A fase vascular pode ser melhor tratada com laser e luz pulsada (ver abaixo).

E tanto a fase vascular quanto a fase pré-rosácea, desde o primeiro semestre de 2015, podem ser tratadas com um novo medicamento da Galderma, o Mirvaso (ver abaixo).

Rosácea grave

Rosácea grave

Para os pacientes com rosácea inflamatória moderada a grave ou aqueles com rosácea ocular, a combinação de medicamentos por via oral e tópicos é muitas vezes necessária. As opções por via oral incluem tetraciclinas e eritromicina.

O tratamento pode levar vários meses antes de haver qualquer melhoria significativa nos sintomas, mas alguns pacientes experimentam melhora após o primeiro mês.

Em casos graves, a isotretinoína em baixa dose pode ser eficaz.

Medicamentos tópicos

Brimonidina: Mirvaso é um gel de brimonidina que reduz o calibre dos vasos sanguíneos da pele. O medicamento é aplicado uma vez por dia, em 5 áreas de pele do rosto: testa, queixo, nariz e ambas as bochechas, evitando a área dos olhos. É aplicado a uma pequena quantidade, o equivalente a uma ervilha. O efeito pode ocorrer após apenas 30 minutos de utilização e mantido durante 12 horas. Imediatamente após a aplicação do medicamento, lave as mãos.

Brimonidina em gel: Mirvaso

Brimonidina em gel: Mirvaso

Metronidazol: em creme ou gel aquoso, com concentração até 1%, é um antibiótico geralmente recomendado para o tratamento de rosácea inflamatória leve a moderada.

O uso de metronidazol tópico deve ser uma ou duas vezes por dia, durante vários meses.

Metronidazol não costuma causar efeitos secundários, no entanto, pode irritar a pele. Isso geralmente é mais comum com géis que contenham álcool.

Ácido azeláico: em creme ou gel aquoso, com concentração de 20%, é uma alternativa ao metronidazol tópico.

O ácido azeláico ajuda a desobstruir os poros e reduzir a inflamação (vermelhidão e inchaço).

O uso do ácido azeláico deve ser duas vezes por dia, por vários meses.

Os efeitos colaterais de ácido azelaico podem incluir:

Tratamento tópico da rosácea

Tratamento tópico da rosácea

  • ardência na pele
  • coceira
  • pele seca

Cerca de um terço das pessoas que usam o ácido azeláico experimentam efeitos colaterais. No entanto, os efeitos colaterais são geralmente de curta duração.

Peróxido de benzoíla: em gel aquoso, loção ou creme, com concentração de 2,5%, aplicado uma vez ao dia (geralmente à noite), pode ser um boa opção para melhor controle  das pápulas e pústulas inflamatórias.

Outras opções, como clindamicina e eritromicina na forma de creme, gel aquoso ou loção cremosa, também podem ser utilizadas.

Medicamentos por via oral

Tratamento com antibióticos por via oral

Antibióticos por via oral

Para os sintomas mais graves de rosácea inflamatória, podem ser recomendados antibióticos por via oral. Neste caso, os antibióticos são utilizados pela sua capacidade de reduzir a inflamação da pele e não pela sua capacidade de matar as bactérias.

Tal como acontece com outros tratamentos, deve-se usar antibióticos por via oral durante várias semanas antes de notar uma melhora significativa nos sintomas. Pode ser necessário uma ou duas vezes por dia, durante vários meses.

Como o uso a longo prazo de antibióticos devem ser evitado, uma estratégia possível é diminuir gradualmente a dose dos antibióticos orais após seis a 12 semanas, ou talvez, após uma melhora inicial, mudar para medicamentos tópicos apenas.

Uma boa resposta pode ser obtida com a utilização de doxiciclina 100mg por dia administrada isoladamente ou em combinação com metronidazol ou peróxido de benzoíla tópico.

Os dois antibióticos por via oral que são mais comumente usados para tratar a rosácea são:

  • Tetraciclinas
  • Eritromicina

Tetraciclinas

Estes incluem tetraciclina, oxitetraciclina, doxiciclina, limeciclina e minociclina.

Uma contra-indicação importante é o uso em mulheres grávidas ou amamentando, pois podem causar defeitos congênitos no feto e interferir no desenvolvimento normal do osso ou alterar a cor dos dentes nas crianças amamentadas.

Esse antibiótico pode interferir com o anticoncepcional oral, causando falha durante as primeiras semanas de tratamento.

Mulheres sexualmente ativas, em idade fértil, devem usar um método contraceptivo de barreira (camisinha ou diafragma, por exemplo).

As tetraciclinas também podem tornar a pele mais sensível à luz solar. Evite se expor ao sol.

Eritromicina

A eritromicina pode ser usada em mulheres grávidas ou amamentando.

Os efeitos colaterais mais frequentes são os gastrintestinais (cólicas abdominais e mal-estar), estando relacionados com a dose.

Náuseas, vômitos e diarréia ocorrem pouco frequentemente com as doses usuais.

Isotretinoína

Isotretinoina para rosácea grave

Isotretinoina para rosácea grave

A isotretinoína é um medicamento frequentemente utilizado para tratar a acne severa. Contudo, em baixas doses, é também por vezes usado para tratar a rosácea quando outros tratamentos não obtiverem êxito.

rosacea isotret gravidez nãoA isotretinoína pode causar mal-formação do feto.

Mulheres em idade fértil só devem tomar este medicamento em uso de um método anticoncepcional seguro.

A venda é controlada.

Laser e luz intensa pulsada (IPL)

Os sintomas de vermelhidão e a diltatação dos vasos sanguíneos (telangiectasias) podem ser melhorados com laser vascular (NdYag) ou luz intensa pulsada (IPL).

Podem ser necessárias duas a seis sessões.

O tratamento com laser não traz cura e pode haver recidiva.

A eletrocoagulação é um método de custo muito menor que o laser e pode eliminar as telangiectasias, porém não resolve a vermelhidão.

Cirurgia

Rinofima: antes e após 6 meses da cirurgia. Fonte: COSTA, T. C. et al. (vide referência)

Rinofima: antes e após 6 meses da cirurgia.
Fonte: COSTA, T. C. et al. (vide referência)

O espessamento da pele (rinofima) é uma fase final da rosácea que afeta o nariz e a pele adjacente.

A cirurgia plástica pode reparar  e remodelar o nariz, sendo um tratamento simples e eficaz, com excelentes resultados estéticos.

Embora possa ser necessário mais de um tempo cirúrgico, a recorrência é extremamente rara.

Tratamento Caseiro de Alívio da Rosácea

Na fase pré-rosácea (rubor) e vascular (vermelhidão e dilatação dos vasinhos da pele), compressas com chá de camomila frio, ou de água e leite em partes iguais, ou de água com amido de milho, aplicando-se três vezes ao dia durante 15 minutos, podem aliviar os sintomas.

Referências