Ginecologia e Obstetrícia

CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte II

No artigo CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte I conversamos sobre os dados epidemiológicos do câncer de mama, ou seja: quem são as pessoas mais sujeitas a ter câncer de mama. E também conversamos sobre os fatores de risco, quais são inevitáveis e quais são modificáveis.

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Neste texto vamos conversar sobre a detecção precoce do câncer de mama, os sinais e sintomas, o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico para quem tem câncer de mama.

Detecção precoce do câncer de mama

mamografia, que é uma radiografia simples das mamas, é o método de escolha para o diagnóstico e rastreamento do câncer de mama. Este exame apresenta sensibilidade de 46% a 80% e especificidade de 82% a 99%.

Seu valor preditivo, isto é, a capacidade que ele tem de dizer se há ou não um tumor, depende do tamanho e localização da lesão, da densidade mamária, da qualidade do equipamento e da habilidade do quem fornece o laudo.

A mamografia é uma radiografia da mama e pode detectar o câncer precocemente

A mamografia é uma radiografia da mama

Mesmo quando a qualidade é excelente, a taxa de falso negativo é de 10 a 15 %, podendo chegar a 40% em mulheres com mamas densas. Falso negativo é quando o resultado do exame é normal e a mulher tem câncer de mama.

Para a detecção precoce do câncer de mama, o Ministério da Saúde recomenda: Considerando isso, uma mamografia normal não exclui a possibilidade de haver câncer de mama se, ao exame clínico, for percebida alguma anormalidade e o médico deve continuar a investigação por outros métodos diagnósticos.

  • Rastreamento por meio do exame clínico da mama, a partir de 40 anos de idade, anualmente.;
  • Rastreamento por mamografia, para as mulheres com idade entre 50 a 69 anos, com o máximo de dois anos entre os exames;
  • Exame clínico da mama e mamografia anual, a partir dos 35 anos, para as mulheres com risco elevado de desenvolver câncer de mama;
A mamografia é uma radiografia da mama

A mamografia pode detectar precocemente o câncer de mama

Para o Ministério da Saúde, as mulheres com risco elevado para o desenvolvimento do câncer de mama são:

  • Mulheres com história familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama, abaixo dos 50 anos de idade;
  • Mulheres com história familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama bilateral ou câncer de ovário, em qualquer faixa etária;
  • Mulheres com história familiar de câncer de mama masculino;
  • Mulheres com diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipia ou carcinoma lobular in situ.

Sinais e sintomas do câncer de mama

cancer de mama sinais ok 3

Aqui são apresentados os sinais possíveis, mas não restrinja a suspeita de câncer de mama à presença do que é mostrado acima. Qualquer alteração deve ser levada ao médico o mais rápido possível.

O câncer de mama normalmente não dói.

A mulher pode perceber um nódulo (“caroço”) endurecido que antes não percebia. Ela também pode notar uma deformidade na mamas, ou estas podem estar assimétricas. Pode ainda perceber uma retração na pele ou um líquido sanguinolento saindo pelo mamilo.

Em casos mais avançados pode aparecer uma ulceração (“ferida”) na pele com odor desagradável. No carcinoma inflamatório, a mama pode aumentar rapidamente de tamanho e ficar quente e vermelha.

Diagnóstico do câncer de mama

Exame clínico

O exame clínico da mama é fundamental para o diagnóstico de câncer de mama. O exame clínico da mama é parte do exame físico e ginecológico, e, a partir dele, é que indica-se a solicitação dos exames complementares. É composto de inspeção estática e dinâmica das mamas com a mulher sentada, palpação das axilas e palpação das mamas com a mulher deitada (decúbito dorsal).

Ultra-sonografia

A ultra-sonografia (USG) é o método de escolha para avaliação das lesões palpáveis em mulheres com menos de 35 anos, já que, nessa idade, a densidade da mama reduz o valor preditivo da mamografia. Naquelas com idade igual ou maior a 35 anos, a mamografia é o método de indicado.

A mamografia pode ser complementada pela ultra-sonografia quando o nódulo é sem expressão em mama densa ou em zona cega na mamografia, quando o nódulo é regular ou levemente lobulado podendo ser um cisto e quando a densidade é assimétrica e difusa, podendo ser lesão sólida, cisto ou parênquima mamário.

Dependendo do aspecto radiológico e ultra-sonográfico, se a lesão é ou não palpável e dos resultados de cada exame, o especialista indicará o seguimento adequado para o diagnóstico da lesão, como  punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para diagnóstico citológico ou punção por agulha grossa (PAG) ou biópsia cirúrgica convencional para diagnóstico histológico.

Tratamento do câncer de mama

Para o tratamento do câncer de mama, a abordagem deve ser integral, por uma equipe multidisplinar.

As modalidades terapêuticas disponíveis atualmente são a cirúrgica e a radioterápica para o tratamento loco-regional e a hormonioterapia e a quimioterapia para o tratamento sistêmico.

Cirurgia

Há diferentes tipos de cirurgia e a escolha de qual o procedimento adequado depende do estadiamento clínico e do tipo histológico do tumor. A cirurgia pode ser conservadora ressecção de um segmento da mama (setorectomia, tumorectomia alargada e quadrantectomia), com retirada dos gânglios axilares ou linfonodo sentinela, ou a cirurgia pode ser não-conservadora (mastectomia). A extensão da mastectomia pode variar e a reconstrução pode ou não ser imediata, conforme a extensão do tumor e sua agressividade.

Radioterapia

É utilizada com o objetivo de destruir as células remanescentes após a cirurgia ou para reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia. Após cirurgias conservadoras sempre deve ser aplicada em toda a mama da paciente mesmo com as margens cirúrgicas livres de comprometimento neoplásico.

Quimioterapia e hormonioterapia

A terapia sistêmica segue-se ao tratamento cirúrgico a fim de reduzir o risco de recorrência. Em alguns casos, o médico poderá optar por realizar a quimioterapia antes do procedimento cirúrgico e, após este, indicar radioterapia.

A quimioterapia também está indicada na doença metastática.

A quimioterapia pode causar queda de cabelo que é reversível depois do tratamento. Esse tipo de queda de cabelo é chamado de eflúvio anágeno.

Leia sobre eflúvio anágeno no artigo Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte II. Para outros tipos de queda de cabelo, recomendamos ler a primeira parte: Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte I‘.

Para aquelas que apresentarem receptores hormonais positivos, a hormonioterapia, também está recomendada.

Fatores prognósticos

Os principais fatores prognósticos do câncer de mama são o tamanho do tumor, o comprometimento axilar, o tipo histológico, o grau histológico, receptores hormonais e c-erb B2.

O médico especialista avaliará cada caso, conforme o conjunto destes fatores.

Pode-se adiantar que uma mulher com tumor menor que 2 cm a sobrevida em 5 anos é de 75% e a sobrevida cai para 16% quando tamanho é maior que 7 cm.

Seguimento

O seguimento das pacientes com câncer de mama após tratamento deve contemplar história, exame físico, mamografia e exame ginecológico conforme o tempo decorrido.

No quadro abaixo segue recomendações para o seguimento de mulheres com câncer de mama. O médico definirá como será o seguimento conforme cada caso.

seguimento cancer de mama

Considerações finais

cancer de mama homem

Homens também podem desenvolver câncer de mama

A mulher deve conhecer as suas mamas para saber se alguma coisa anormal está acontecendo. As mamas se modificam ao longo do ciclo menstrual e ao longo da vida. Se perceber alguma alteração, a mulher deve procurar o seu médico rapidamente. Só o médico pode dizer se a alteração pode ou não ser devido a um câncer de mama.

Se a mulher tem o hábito de realizar o autoexame das mamas deve entender que este não substitui o exame físico realizado pelo médico. Portanto, toda mulher deve ir ao ginecologista uma vez por ano para fazer o exame preventivo do colo de útero e, nesta consulta, o médico deve examinar as mamas também: faz parte do exame físico ginecológico.

Embora menos comum, o câncer de mama também pode atingir os homens que, por isso, devem observar os sinais da doença como nódulo não doloroso abaixo do mamilo, retração da pele, ulceração e saída de líquido dos mamilos. Homens, não tenham preconceito!

Este artigo é continuação de CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte I.

Referências

CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte I

O câncer de mama é o câncer mais comum entre as mulheres.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde ocorrem mais de 1.050.000 casos novos de câncer de mama em todo o mundo, por ano.

Os tumores de mama crescem em velocidades diferentes, estima-se que em média o tumor dobra de tamanho a cada 100 dias. Portanto, pode levar vários anos até que se torne palpável, já que o ponto de partida é uma célula alterada.

A mamografia pode achar tumores que não são palpáveis, mas que já são perceptíveis à radiografia.

cancer de mama fita

Conhecer para detectar precocemente é a melhor atitude

Provavelmente estes tumores já estavam em crescimento muitos anos antes de serem detectados na mamografia.

A doença e seu tratamento afetam a imagem pessoal e a sexualidade da mulher e têm impacto social e econômico elevados, pois o câncer de mama atinge mulheres muitas vezes em idade fértil, economicamente ativas e que constituíram família.

Quando o diagnóstico é tardio, o tratamento é mutilante e agressivo.

Neste texto, conversamos sobre os dados epidemiológicos do câncer de mama, ou seja: quem são as pessoas mais sujeitas a ter câncer de mama. E também conversamos sobre os fatores de risco, quais são inevitáveis e quais são modificáveis.

No artigo CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte II, conversamos sobre a detecção precoce do câncer de mama, os sinais e sintomas, o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico.

Mais dados epidemiológicos…

O câncer de mama atinge principalmente mulheres entre 45 e 55 anos, e, embora raro, também pode atingir os homens. Para cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, 1 homem também terá sido diagnosticado.

Conforme dados do Ministério da Saúde, o câncer de mama é a primeira causa de morte, por câncer, entre as mulheres e, entre 1979 e 2000, a taxa de mortalidade aumentou de 5,77 para 9,74 por 100.000 mulheres: uma variação percentual relativa de mais de 80 % em pouco mais de duas décadas.

Em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Noruega, houve um aumento da incidência do câncer de mama acompanhado de uma redução da mortalidade, devido à detecção precoce por mamografia para rastreamento e à oferta de tratamento adequado.

No caso do Brasil e em outros países, houve o aumento da incidência acompanhado do aumento da mortalidade, o que pode ser atribuído, principalmente, ao diagnóstico tardio e ao retardo na instituição de terapêutica adequada.

Há fatores de risco inevitáveis, mas há os modificáveis

Há fatores de risco inevitáveis e fatores de risco modificáveis

Fatores de risco de desenvolver câncer de mama

A incidência do câncer de mama aumentou significativamente nos últimos vinte anos, provavelmente como consequência da mudança de padrão reprodutivo feminino.

No passado, as mulheres casavam cedo, logo engravidavam e tinham muitos filhos até a menopausa, o que reduzia número de menstruações durante este período e significava menor exposição aos estrógenos que estão mais elevados na primeira metade do ciclo menstrual.

Na sociedade atual industrializada, as mulheres têm menos filhos e, portanto, sucessivos ciclos menstruais com ação repetida de estrógeno e de progesterona nos tecidos mamários e provável aumento do risco de desenvolver câncer de mama.

Além deste fato, há outros fatores que aumentam esse risco e podem ser divididos em fatores inevitáveis e fatores modificáveis.

Há fatores que não aumentam o risco, mas podem dificultar a visualização de tumores pela mamografia, sendo muitas vezes necessária a realização de incidências adicionais nas radiografias como a presença de lesões na pele ou a colocação de próteses de silicone.

Fatores inevitáveis:

Idade: O risco aumenta agudamente a partir do 45 anos de idade, com ápice ao redor dos 65 a 70 anos. 75% a 80% das mulheres com câncer de mama têm mais de 50 anos. O risco em mulheres de 30 anos é de 1 em 2000 e em mulheres de 75 anos o risco é de 1 em 10;

História familiar: 85% a 90% dos casos não têm relação com a história familiar, ou seja, não estão ligados a predisposições genéticas. Nos 10% a 15% com história familiar positiva, o risco é elevado.

Quanto maior a proximidade do parentesco, maior o risco. Um parente de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco em 1.8 vezes. Dois parentes de primeiro grau aumenta o risco em 2.9 vezes. Se tem um parente de primeiro grau com câncer de mama antes dos 40 anos, o risco de também tê-lo antes dos 40 aumenta em 5.7 vezes.

Quando há vários casos de câncer de mama ou de ovário em familiares com menos de 50 anos, casos com câncer nas duas mamas (apresentação bilateral), ou casos de câncer de mama em homens da família, deve-se suspeitar de predisposição genética, isto quer dizer que a família provavelmente possui mutações nos genes BRCA1 e BRCA 2. Mulheres com estes genes alterados apresentam 65% de chance de virem a ter câncer de mama até os 70 anos.

Menarca precoce: ter a primeira menstruação antes dos 11 anos triplica o risco;

Menopausa tardia: ter a última menstruação depois dos 55 anos duplica o risco;

Algumas lesões benignas de mama: ter tido previamente um nódulo mamário benigno com diagnóstico de hiperplasia ductal atípica aumenta de 4 a 5 vezes o risco. A maioria das lesões benignas da mama, como fibroadenoma simples, alterações fibrocísticas, papiloma e ectasia ductal, não acarreta em maior risco de câncer de mama.

História pessoal prévia de câncer de mama: aumenta quatro vezes a chance de ter novo câncer, seja na mesma ou na outra mama.

Altura: não sabe o motivo, mas mulheres mais altas apresentam maior risco de câncer de mama. Mulheres com mais de 1,75m apresentam 20% mais risco que mulheres abaixo de 1,60m.

Densidade das mamas: mulheres com mamas mais densas apresentam maior risco de câncer de mama e uma maior dificuldade em diagnosticá-lo pela mamografia. Atenção: a densidade da mama não necessariamente tem a ver com seu tamanho.

Radiação na região do tórax: pessoas com história prévia de radioterapia na região torácica, como no tratamento do linfoma, ou que entraram em contato com material radioativo maciçamente, como em acidentes nucleares, apresentam maior risco de câncer de mama. O risco é ainda maior se a exposição ocorreu durante a juventude.

Esses são fatores inevitáveis, mas não são “desconhecidos”.

Portanto, a presença deles não é uma sentença, mas um alerta!

Fatores modificáveis

Idade da primeira gravidez e número de filhos: quanto mais cedo a primeira gravidez, menor o risco. Mulheres acima dos 40 anos que nunca tiveram filhos são as que apresentam maior risco, cerca de 30% maior. Estima-se que cada filho reduza em 7% o risco de câncer de mama;

Amamentar reduz o risco de câncer de mama

Amamentar reduz o risco de câncer de mama

Não amamentar: amamentar reduz o risco de câncer de mama em 4.3% para cada 12 meses de amamentação realizada. Mulheres com muitos filhos e com longo tempo de amamentação estão mais protegidas.

Obesidade: quanto maior o tecido gorduroso, maior o risco. Mulheres com IMC acima de 33 kg/m2 apresentam 27% mais risco que mulheres com IMC normal. Após a menopausa, este risco é ainda maior;

Dieta rica em gordura: Consumo exagerado de alimentos gordurosos aumenta o risco 1,5 vezes.

Consumo de álcool: o consumo de álcool aumenta o risco. Quanto maior o consumo, maior o risco. Quando excessivo, aumenta em 1,3 vezes. O álcool ainda parece potencializar o risco da terapia de reposição hormonal;

Uso pílulas anticoncepcionais: há controvérsia sobre a influência dos anticoncepcionais no câncer de mama. Atualmente aceita-se que haja um pequeno aumento no risco, em torno de 1,24 vezes, que desaparece após sua suspensão;

Exercícios físicos reduzem o risco de câncer de mama

Exercícios físicos reduzem o risco de câncer de mama

Reposição hormonal: principalmente a que combina estrogênio com progesterona está relacionada a um maior risco de câncer de mama (1,35 vezes). Este risco ocorre quando o uso é feito por mais de 5 anos;

Sedentarismo: exercícios físicos diminuem o risco, independente se há redução de peso, pois diminuem a quantidade de hormônio feminino circulante. 40 minutos de caminhada 3x por semana já são suficientes para reduzir o risco. Mulheres que praticam exercícios mais intensos chegam a ter até 40% menos chance de desenvolver câncer de mama. A Sociedade Americana de Oncologia recomenda 45 minutos diários de exercícios por, pelo menos, 5 dias por semana.

Trabalho noturno: Mulheres que trabalham em turnos noturnos apresentam um risco maior de câncer de mama, provavelmente por alterações na secreção dos hormônios de ritmo circadiano (ocorre durante a madrugada) que é inibida pela luz artificial.

Uma outra forma de apresentar o risco para o câncer de mama é de acordo o grau de risco: muito elevado, mediamente elevado e pouco elevado.

Fatores de risco para câncer de mama

Como o nome já diz, são fatores modificáveis, cabe a cada mulher observar e mudar o que for possível para tentar evitar o desenvolvimento do câncer de mama.

Estudos sugerem a deficiência de vitamina D neste tipo de câncer. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Este assunto continua no artigo CÂNCER DE MAMA: Riscos e Diagnóstico – parte II.

Referências

RISCOS dos MEDICAMENTOS na GRAVIDEZ

Hoje em dia qualquer pessoa sabe que uma mulher grávida não pode tomar um medicamento sem o conhecimento de seu obstetra devido aos riscos dos medicamentos na gravidez, mas nem sempre foi assim… O conhecimento dos riscos dos medicamentos na gravidez  é um fato relativamente recente.

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Não há medicamento que faça somente bem

O efeito colateral de um remédio nada mais é do que um efeito normal, porém indesejado. Portanto, em mulheres grávidas, o risco ao feto é um efeito possível e que, quando do conhecimento do médico, deve ser sempre evitado.

risco dos medicamentos na gravidez

Dentro do útero, a criança “toma” todas os medicamentos que a mãe toma, mas seu corpo ainda está em formação e podem haver danos.

Assim como há medicamentos que já foram largamente usados por mulheres grávidas e não foram relatados efeitos na formação do feto, há outros que no passado causaram desastres, como a Talidomida que muitas mulheres tomaram para enjoo no primeiro trimestre de gravidez e seu filhos nasceram com malformações.

Dentro deste espectro há medicamentos cujo risco na gravidez não se pode estudar e o médico deve avaliar a relação entre o risco potencial ao feto e o benefício à mãe: algumas vezes não tratar a mãe devido ao risco potencial da medicação ao feto pode ser uma escolha com maiores danos à mãe, à criança e à família.

O estabelecimento da segurança ou do risco de um medicamento na gravidez, na verdade, é um estudo inacabado, pois mesmo uma medicação hoje considerada segura pode mostrar futuramente relevância estatística em um risco hoje desconhecido.

Portanto, somente tome medicamentos quando prescrito por seu médico, pois ele avaliará você individualmente.

medicamentos na gravidez 2

Nunca deve-se tomar medicamentos por conta própria. O médico avaliará os benefícios e os riscos.

A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) elaborou um Manual de Drogas na Gravidez que lista 357 medicamentos, mostrando suas indicações, contra-indicações, posologia (dose e forma de tomar), efeitos adversos, uso na gravidez e na amamentação e a classificação de risco na gravidez segundo o FDA (Food and Drug Administration).

Portanto, não é útil apenas para guiar a prescrição da gestante, mas de qualquer paciente.

Para acessar o manual, clique em Manual de Medicamentos na Gravidez .

Para ler o original no site da Febrasgo clique aqui.

Classificação dos riscos dos medicamentos na gravidez

Os riscos dos medicamentos na gravidez estão classificados em cinco categorias: 

AEstudos controlados em mulheres não demonstraram risco para o feto no primeiro ou demais trimestres. A possibilidade de dados é remota.

BNão há evidência de riscos destes medicamento na gravidez no ser humano, isto é, estudos de reprodução animal não demonstraram risco fetal, mas não há estudos controlados no ser humano; ou estudos em reprodução animal demonstraram efeitos adversos que não foram confirmados em estudos controlados no ser humano nos vários trimestres.

CO risco não pode ser afastado; aqui estão incluídos fármacos recentemente lançados no mercado e/ou ainda não estudados. Relatos em animais revelaram efeitos adversos no feto. Não há estudos controlados em mulheres ou em animais. As drogas podem ser ministradas somente se o benefício justificar o potencial de malformação no feto.

DHá evidência positiva de riscos destes medicamentos na gravidez em seres humanos, porém, os benefícios do uso em gestantes podem ser aceitáveis.

X. O fármaco está contra-indicado durante a gravidez e em mulheres que pretendam engravidar. Estudos em animais ou seres humanos revelaram efeitos deletérios sobre o concepto que ultrapassam os benefícios.

O texto de introdução do Manual de Drogas na Gravidez da Febrasgo mostra a importância de se estabelecer os riscos do uso de medicamentos durante a gravidez.

Riscos conhecidos após dolorosas constatações ao longo dos anos em medicamentos que foram usados por gestantes numa época em que os próprios médicos não conheciam as drogas como causa de malformações fetais, conforme relatado abaixo.

Embora estudos experimentais anteriormente realizados tenham demonstrado ser possível produzir malformações em peixes e pintos (Stockard, 1921; Bagg, 1922), foi Gregg (1944) que chamou a atenção para o fator ambiental no determinismo das malformações quando descreveu a síndrome fetal rubeólica.

Nesta mesma época, Warkany, referindo-se ao produto conceptual disse que a exemplo da célula nem tudo é genético, pois o citoplasma desempenha o papel de meio ambiente.

Desde então, o estudo da etiologia das malformações, além dos fatores genéticos (20%), cromossômicos (15%) e causas multifatoriais (65%) passou a incluir também os fatores ambientais (10%: irradiação e infecções, 2-3%; doença materna, 1-2%; fármacos e outros agentes químicos, 4-5%) considerados importantes na gênese das dismorfoses.

A par disso, o conceito de teratogênese também foi alterado, além do aspecto anatômico-estrutural, hoje são consideradas igualmente as alterações funcionais, a restrição do crescimento, do desenvolvimento psicomotor e/ou das anormalidades comportamentais.

medicamentos na gravidez

Manual de Drogas na Gravidez: mostra a classificação dos riscos dos medicamentos

Ainda que a incidência de teratogênese determinada por medicamentos não seja prevalente, nos parece o fator de mais fácil prevenção, pois depende do conhecimento científico e do uso terapêutico racional, inerentes ao exercício profissional.

Quando se estuda o binômio fármacos e gravidez devem ser considerados três compartimentos, cada um deles com características próprias.

No organismo materno as modificações gravídicas gerais influem sobremaneira nos processos de absorção, distribuição e, principalmente, metabolismo e excreção das drogas.

A placenta, por sua vez, com os mecanismos de transferência bem definidos e sistemas enzimáticos ativos, também interfere no comportamento das drogas que vão para o concepto e de seus metabólitos que retornam ao organismo materno.

Quanto ao compartimento fetal, o período embriogênico compreendido entre a segunda e 12ª semanas é extremamente sensível, devido à velocidade com que ocorre a multiplicação celular; tal fato dá margem para que os fármacos promovam malformações. A partir de então, há amadurecimento progressivo dos órgãos facilitando, à medida que se aproxima o termo da gestação, as várias etapas de metabolização e excreção.

Além destes fatos, devem ser considerados o estado de saúde materno, os genótipos materno e fetal, como também as vias de introdução e as doses que podem alterar o efeito dos medicamentos.”

Para acessar o manual, clique em Manual de Medicamentos na Gravidez .

 

MANUAL de MEDICAMENTOS na GRAVIDEZ

Este manual foi elaborado pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e lista 357 medicamentos, mostrando suas indicações, contra-indicações, posologia (dose e forma de tomar), efeitos adversos, uso na gravidez e na amamentação e a classificação de risco na gravidez da FDA (Food and Drug Administration).

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Portanto, não é útil apenas para guiar a prescrição da gestante, mas de qualquer paciente.

É um excelente Manual de Medicamentos.

O manual lista os medicamentos em ordem alfabética, sendo fácil a localização do remédio procurado.

A informação é a base de prevenção de problemas.