Especialidade

RISCOS dos MEDICAMENTOS na GRAVIDEZ

Hoje em dia qualquer pessoa sabe que uma mulher grávida não pode tomar um medicamento sem o conhecimento de seu obstetra devido aos riscos dos medicamentos na gravidez, mas nem sempre foi assim… O conhecimento dos riscos dos medicamentos na gravidez  é um fato relativamente recente.

publicidade

Não há medicamento que faça somente bem

O efeito colateral de um remédio nada mais é do que um efeito normal, porém indesejado. Portanto, em mulheres grávidas, o risco ao feto é um efeito possível e que, quando do conhecimento do médico, deve ser sempre evitado.

risco dos medicamentos na gravidez

Dentro do útero, a criança “toma” todas os medicamentos que a mãe toma, mas seu corpo ainda está em formação e podem haver danos.

Assim como há medicamentos que já foram largamente usados por mulheres grávidas e não foram relatados efeitos na formação do feto, há outros que no passado causaram desastres, como a Talidomida que muitas mulheres tomaram para enjoo no primeiro trimestre de gravidez e seu filhos nasceram com malformações.

Dentro deste espectro há medicamentos cujo risco na gravidez não se pode estudar e o médico deve avaliar a relação entre o risco potencial ao feto e o benefício à mãe: algumas vezes não tratar a mãe devido ao risco potencial da medicação ao feto pode ser uma escolha com maiores danos à mãe, à criança e à família.

O estabelecimento da segurança ou do risco de um medicamento na gravidez, na verdade, é um estudo inacabado, pois mesmo uma medicação hoje considerada segura pode mostrar futuramente relevância estatística em um risco hoje desconhecido.

Portanto, somente tome medicamentos quando prescrito por seu médico, pois ele avaliará você individualmente.

medicamentos na gravidez 2

Nunca deve-se tomar medicamentos por conta própria. O médico avaliará os benefícios e os riscos.

A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) elaborou um Manual de Drogas na Gravidez que lista 357 medicamentos, mostrando suas indicações, contra-indicações, posologia (dose e forma de tomar), efeitos adversos, uso na gravidez e na amamentação e a classificação de risco na gravidez segundo o FDA (Food and Drug Administration).

Portanto, não é útil apenas para guiar a prescrição da gestante, mas de qualquer paciente.

Para acessar o manual, clique em Manual de Medicamentos na Gravidez .

Para ler o original no site da Febrasgo clique aqui.

Classificação dos riscos dos medicamentos na gravidez

Os riscos dos medicamentos na gravidez estão classificados em cinco categorias: 

AEstudos controlados em mulheres não demonstraram risco para o feto no primeiro ou demais trimestres. A possibilidade de dados é remota.

BNão há evidência de riscos destes medicamento na gravidez no ser humano, isto é, estudos de reprodução animal não demonstraram risco fetal, mas não há estudos controlados no ser humano; ou estudos em reprodução animal demonstraram efeitos adversos que não foram confirmados em estudos controlados no ser humano nos vários trimestres.

CO risco não pode ser afastado; aqui estão incluídos fármacos recentemente lançados no mercado e/ou ainda não estudados. Relatos em animais revelaram efeitos adversos no feto. Não há estudos controlados em mulheres ou em animais. As drogas podem ser ministradas somente se o benefício justificar o potencial de malformação no feto.

DHá evidência positiva de riscos destes medicamentos na gravidez em seres humanos, porém, os benefícios do uso em gestantes podem ser aceitáveis.

X. O fármaco está contra-indicado durante a gravidez e em mulheres que pretendam engravidar. Estudos em animais ou seres humanos revelaram efeitos deletérios sobre o concepto que ultrapassam os benefícios.

O texto de introdução do Manual de Drogas na Gravidez da Febrasgo mostra a importância de se estabelecer os riscos do uso de medicamentos durante a gravidez.

Riscos conhecidos após dolorosas constatações ao longo dos anos em medicamentos que foram usados por gestantes numa época em que os próprios médicos não conheciam as drogas como causa de malformações fetais, conforme relatado abaixo.

Embora estudos experimentais anteriormente realizados tenham demonstrado ser possível produzir malformações em peixes e pintos (Stockard, 1921; Bagg, 1922), foi Gregg (1944) que chamou a atenção para o fator ambiental no determinismo das malformações quando descreveu a síndrome fetal rubeólica.

Nesta mesma época, Warkany, referindo-se ao produto conceptual disse que a exemplo da célula nem tudo é genético, pois o citoplasma desempenha o papel de meio ambiente.

Desde então, o estudo da etiologia das malformações, além dos fatores genéticos (20%), cromossômicos (15%) e causas multifatoriais (65%) passou a incluir também os fatores ambientais (10%: irradiação e infecções, 2-3%; doença materna, 1-2%; fármacos e outros agentes químicos, 4-5%) considerados importantes na gênese das dismorfoses.

A par disso, o conceito de teratogênese também foi alterado, além do aspecto anatômico-estrutural, hoje são consideradas igualmente as alterações funcionais, a restrição do crescimento, do desenvolvimento psicomotor e/ou das anormalidades comportamentais.

medicamentos na gravidez

Manual de Drogas na Gravidez: mostra a classificação dos riscos dos medicamentos

Ainda que a incidência de teratogênese determinada por medicamentos não seja prevalente, nos parece o fator de mais fácil prevenção, pois depende do conhecimento científico e do uso terapêutico racional, inerentes ao exercício profissional.

Quando se estuda o binômio fármacos e gravidez devem ser considerados três compartimentos, cada um deles com características próprias.

No organismo materno as modificações gravídicas gerais influem sobremaneira nos processos de absorção, distribuição e, principalmente, metabolismo e excreção das drogas.

A placenta, por sua vez, com os mecanismos de transferência bem definidos e sistemas enzimáticos ativos, também interfere no comportamento das drogas que vão para o concepto e de seus metabólitos que retornam ao organismo materno.

Quanto ao compartimento fetal, o período embriogênico compreendido entre a segunda e 12ª semanas é extremamente sensível, devido à velocidade com que ocorre a multiplicação celular; tal fato dá margem para que os fármacos promovam malformações. A partir de então, há amadurecimento progressivo dos órgãos facilitando, à medida que se aproxima o termo da gestação, as várias etapas de metabolização e excreção.

Além destes fatos, devem ser considerados o estado de saúde materno, os genótipos materno e fetal, como também as vias de introdução e as doses que podem alterar o efeito dos medicamentos.”

Para acessar o manual, clique em Manual de Medicamentos na Gravidez .

 

ROSÁCEA: Vermelhidão no Rosto – Causas e Tratamento

A rosácea afeta cerca de 1 em cada 10 pessoas, mais comumente pessoas com idade de 30 a 50 anos com pele clara, mas também pode afetar as pessoas de pele mais escura.

publicidade

As mulheres são mais comumente afetadas, porém os homens costumam ter quadros mais graves. Geralmente há outros casos na família.

Rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta o rosto, caracterizada por rubor facial, dilatação de vasinhos da pele (telangiectasias), pápulas (lesões elevadas de até 1cm), pústulas (lesões elevadas com pus, parecidas com “espinhas”) e, em casos graves, aumento da espessura da pele do nariz (rinofima).

Rosácea

Rosácea: vermelhidão no rosto.

Sinais e Sintomas de Rosácea

A rosácea é praticamente limitada às partes centrais da face (bochechas, testa, nariz, ao redor da boca e queixo).

O aspecto das lesões da rosácea, às vezes, se parecem com as lesões da acne. Por isso, alguns chamam inapropriadamente de “acne rosácea”. Porém, é uma condição diferente de acne.

Para ler sobre as causas e tratamento da acne (cravos e espinhas), clique ACNE (CRAVOS E ESPINHAS): Entenda as Causas.

A doença é crônica e apresenta crises de tempos em tempo, conforme a exposição aos fatores desencadeantes, e se manifesta em quatro fases:

Pré-rosácea - caracterizada por rubor facial

Pré-rosácea – caracterizada por rubor facial

Primeira fase – pré-rosácea

A primeira fase é chamada de pré-rosácea, nesta fazem acontecem episódios de rubor (“flushing”), muitas vezes acompanhados de sensação de ardência desconfortável. Estes sintomas persistem por toda as outras fases da doença.

Fase vascular da Rosácea - as áreas mais avermelhadas são as telangiectasias (vasinhos da pele dilatados)

Fase vascular – as áreas mais avermelhadas são as telangiectasias

Segunda – fase vascular

A segunda é a fase vascular, onde os pacientes desenvolvem eritema (vermelhidão) e edema (inchaço) facial com múltiplas telangiectasias (dilatação de vasinhos da pele), possivelmente como resultado da instabilidade vasomotora persistente.

Fase inflamatória - páulas e pústulas semalhantes à acne

Fase inflamatória – pápulas e pústulas semalhantes à acne

Terceira – fase inflamatória

Na terceira fase, a fase inflamatória, surgem as pápulas (lesões elevadas de até 1cm) e pústulas (lesões semelhantes a “espinhas” da acne).

Quarta – fase final

Fase final - rinofima

Fase final – rinofima

Na fase final, que se desenvolve em algumas pessoas, a inflamação da pele, a deposição de colagéno e a hiperplasia (aumento) das glândulas sebáceas levam ao espessamento da pele das bochechas e do nariz que é chamado rinofima.

O rinofima é uma complicação mais comum nos homens e se desenvolve lentamente ao longo de um período de anos.

As fases da rosácea são geralmente sequenciais, mas alguns pacientes vão diretamente para a fase inflamatória, ignorando as fases anteriores.

O tratamento pode fazer a rosácea retornar para uma fase anterior.

A progressão para a fase tardia é evitável.

Rosácea ocular

A rosácea também pode atingir os olhos – a rosácea ocular – e geralmente acompanha a rosácea facial, mas também pode precedê-la.

Rosácea ocular

Rosácea ocular

A rosácea ocular se manifesta com inflamação dos olhos (uma combinação de blefaroconjuntivite, irite, esclerite e ceratite).

O sintomas são coceira, sensação de corpo estranho (sensação de “areia nos olhos”), eritema (olhos vermelhos) e edema (inchaço) do olho.

A rosácea ocular não é comum, mas pode ser grave.

Causas e Fatores Desencadeantes

A causa é desconhecida, mas sugere-se desde alterações no controle da dilatação dos vasos sanguíneos da pele, uso de corticósteroides tópicos principalmente os fuorados, danos da radiação solar até a presença de uma quantidade elevada de ácaros nos folículos pilosos (pelos da face) chamado Demodex folliculorum. Também costuma haver uma predisposição genética.

As crises de rosácea podem ser desencadeados por:

  • exposição ao sol
  • estresse emocional
  • tempo/clima frio ou quente
  • bebidas alcoólicas ou quentes
  • alimentos condimentados
  • exercício físico intenso
  • vento
  • cosméticos
  • banhos quentes

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, ou seja, a apresentação destes sintomas é suficiente para que o médico faça o diagnóstico.

O médico somente solicitará exames, provavelmente biópsia de pele, se o quadro não for típico.

Tratamento da Rosácea

Rosácea é uma doença progressiva, o que significa que fica pior com o tempo, se não for tratada.

É uma doença crônica que não pode ser curada, mas o tratamento com medicamentos e o controle dos fatores desencadeantes podem ajudar a controlar os seus sintomas e evitar a sua progressão.

Controle dos fatores desencadeantes

É importante que cada pessoa identifique e evite os gatilhos que fazem com que a crise de rosácea aconteça.

Evitar os fatores desencadeantes conhecidos podem ajudar a reduzir a gravidade e a freqüência das crises de rosácea.

Proteção contra radiação solar

Todos nós devemos usar protetor solar diariamente a pessoa que tem rosácea não pode se descuidar desse hábito.

O filtro solar deve ser aplicado mesmo em dias nublados, pois a radiação UVA atravessa as nuvens. Quem ilumina o dia é sol!

O fator de proteção solar (FPS) deve ser 30. Pode até ser um FPS superior, mas não é necessário. Mais importante que um FPS alto é aplicar o protetor solar pela manhã e reaplicar no início da tarde, se estiver em ambiente fechado, e a cada 2 horas, se estiver exposto ao sol. A proteção de ser contra radiação UVA e UVB.

Evitar a radiação solar

Controle dos fatores desencadeantes

Para as pessoas muito sensíveis, um filtro solar para crianças pode ser melhor tolerado.

Para maior proteção, o uso de chapéu de abas largas também pode ajudar a reduzir a quantidade de radiação UV que atinge o rosto.

Cuidados na higiene

A higiene do rosto deve ser cuidadosa. Abaixo seguem algumas dicas:

  • Cosméticos e xampus podem irritar a pele e devem ser escolhidos com cuidado
  • Ao lavar o rosto, use sabonetes neutros e evite sabonetes perfumados
  • Não use esfoliantes
Cuidados na higiene

Cuidados na higiene

  • Não limpe o rosto com produtos que contenham álcool
  • Lave o rosto com água morna e deixe a pele secar completamente antes de aplicar medicação ou maquiagem
  • Procure produtos adequados para a pele sensível. Estes são geralmente descritos como hipoalergênicos, sem fragrância e não-comedogênico (não vai obstruir os poros)
  • Use um creme hidratante para acalmar a pele, se necessário, mas não use cremes que contenham óleo
  • Evite cosméticos à base de óleo ou à prova d’água que necessitem de solventes para remoção
  • Se o produto for em gel, que seja gel aquoso – não use gel alcoólico
  • Evite adstringentes, tonificadores e outros produtos faciais ou para os cabelos que contenham ingredientes que podem irritar a pele, tais como fragrâncias, álcool, mentol, hamamélis, óleo de eucalipto, cânfora, óleo de cravo, pimenta, lauril sulfato de sódio e lanolina
  • Ao secar, não esfregue a toalha no rosto, pois isso também pode irritar a pele. 

Estresse emocional

Depois da luz solar, o estresse é a segunda causa mais relatada de gatilho para a rosácea.

Alguns hábitos de vida podem reduzir o estresse, como por exemplo:

  • fazer exercícios regularmente, mas evitar o exercício extenuante  (que pode desencadear crise de rosácea)
  • manter uma alimentação saudável e equilibrada
  • ter a quantidade certa de sono
  • ou outras técnicas de relaxamento, como: exercícios de respiração profunda, meditação e ioga
rosacea condimentado

Alimentos condimentados devem ser evitados

Alimentos e bebidas

Os gatilhos alimentares e relacionados com a bebida mais comumente relatados são álcool e alimentos condimentados. Evite-os.

No entanto, cada pessoa pode apresentar sua própria sensibilidade a alimentos. Assim, cada um deve observar quais outros alimentos estão relacionados às suas crises de rosácea.

O tempo/clima frio

Cobrir o rosto e o nariz com um lenço pode ajudar a proteger a pele do frio e do vento.

Tratamento com medicamentos

Antes de tudo, é necessário alertar que os corticosteróides tópicos (creme, gel ou pomada que contém medicamentos, como hidrocortisona, dexametasona ou betametasona) não devem ser utilizados porque, apesar de trazerem alívio no curto prazo, podem piorar os sintomas a longo prazo e tornar a rosácea mais difícil de controlar com outras medicações.

Mirvaso efeito 3

Mirvaso: antese após 3 horas da aplicação

Uma variedade de tratamentos tópicos (que são aplicados na pele) e por via oral têm sido usados para a rosácea.

Eles são eficazes principalmente para o tratamento da fase inflamatória da rosácea (pápulas e pústulas). Eles não têm eficácia na fase vascular da rosácea (rubor, vermelhidão e telangiectasias). A fase vascular pode ser melhor tratada com laser e luz pulsada (ver abaixo).

E tanto a fase vascular quanto a fase pré-rosácea, desde o primeiro semestre de 2015, podem ser tratadas com um novo medicamento da Galderma, o Mirvaso (ver abaixo).

Rosácea grave

Rosácea grave

Para os pacientes com rosácea inflamatória moderada a grave ou aqueles com rosácea ocular, a combinação de medicamentos por via oral e tópicos é muitas vezes necessária. As opções por via oral incluem tetraciclinas e eritromicina.

O tratamento pode levar vários meses antes de haver qualquer melhoria significativa nos sintomas, mas alguns pacientes experimentam melhora após o primeiro mês.

Em casos graves, a isotretinoína em baixa dose pode ser eficaz.

Medicamentos tópicos

Brimonidina: Mirvaso é um gel de brimonidina que reduz o calibre dos vasos sanguíneos da pele. O medicamento é aplicado uma vez por dia, em 5 áreas de pele do rosto: testa, queixo, nariz e ambas as bochechas, evitando a área dos olhos. É aplicado a uma pequena quantidade, o equivalente a uma ervilha. O efeito pode ocorrer após apenas 30 minutos de utilização e mantido durante 12 horas. Imediatamente após a aplicação do medicamento, lave as mãos.

Brimonidina em gel: Mirvaso

Brimonidina em gel: Mirvaso

Metronidazol: em creme ou gel aquoso, com concentração até 1%, é um antibiótico geralmente recomendado para o tratamento de rosácea inflamatória leve a moderada.

O uso de metronidazol tópico deve ser uma ou duas vezes por dia, durante vários meses.

Metronidazol não costuma causar efeitos secundários, no entanto, pode irritar a pele. Isso geralmente é mais comum com géis que contenham álcool.

Ácido azeláico: em creme ou gel aquoso, com concentração de 20%, é uma alternativa ao metronidazol tópico.

O ácido azeláico ajuda a desobstruir os poros e reduzir a inflamação (vermelhidão e inchaço).

O uso do ácido azeláico deve ser duas vezes por dia, por vários meses.

Os efeitos colaterais de ácido azelaico podem incluir:

Tratamento tópico da rosácea

Tratamento tópico da rosácea

  • ardência na pele
  • coceira
  • pele seca

Cerca de um terço das pessoas que usam o ácido azeláico experimentam efeitos colaterais. No entanto, os efeitos colaterais são geralmente de curta duração.

Peróxido de benzoíla: em gel aquoso, loção ou creme, com concentração de 2,5%, aplicado uma vez ao dia (geralmente à noite), pode ser um boa opção para melhor controle  das pápulas e pústulas inflamatórias.

Outras opções, como clindamicina e eritromicina na forma de creme, gel aquoso ou loção cremosa, também podem ser utilizadas.

Medicamentos por via oral

Tratamento com antibióticos por via oral

Antibióticos por via oral

Para os sintomas mais graves de rosácea inflamatória, podem ser recomendados antibióticos por via oral. Neste caso, os antibióticos são utilizados pela sua capacidade de reduzir a inflamação da pele e não pela sua capacidade de matar as bactérias.

Tal como acontece com outros tratamentos, deve-se usar antibióticos por via oral durante várias semanas antes de notar uma melhora significativa nos sintomas. Pode ser necessário uma ou duas vezes por dia, durante vários meses.

Como o uso a longo prazo de antibióticos devem ser evitado, uma estratégia possível é diminuir gradualmente a dose dos antibióticos orais após seis a 12 semanas, ou talvez, após uma melhora inicial, mudar para medicamentos tópicos apenas.

Uma boa resposta pode ser obtida com a utilização de doxiciclina 100mg por dia administrada isoladamente ou em combinação com metronidazol ou peróxido de benzoíla tópico.

Os dois antibióticos por via oral que são mais comumente usados para tratar a rosácea são:

  • Tetraciclinas
  • Eritromicina

Tetraciclinas

Estes incluem tetraciclina, oxitetraciclina, doxiciclina, limeciclina e minociclina.

Uma contra-indicação importante é o uso em mulheres grávidas ou amamentando, pois podem causar defeitos congênitos no feto e interferir no desenvolvimento normal do osso ou alterar a cor dos dentes nas crianças amamentadas.

Esse antibiótico pode interferir com o anticoncepcional oral, causando falha durante as primeiras semanas de tratamento.

Mulheres sexualmente ativas, em idade fértil, devem usar um método contraceptivo de barreira (camisinha ou diafragma, por exemplo).

As tetraciclinas também podem tornar a pele mais sensível à luz solar. Evite se expor ao sol.

Eritromicina

A eritromicina pode ser usada em mulheres grávidas ou amamentando.

Os efeitos colaterais mais frequentes são os gastrintestinais (cólicas abdominais e mal-estar), estando relacionados com a dose.

Náuseas, vômitos e diarréia ocorrem pouco frequentemente com as doses usuais.

Isotretinoína

Isotretinoina para rosácea grave

Isotretinoina para rosácea grave

A isotretinoína é um medicamento frequentemente utilizado para tratar a acne severa. Contudo, em baixas doses, é também por vezes usado para tratar a rosácea quando outros tratamentos não obtiverem êxito.

rosacea isotret gravidez nãoA isotretinoína pode causar mal-formação do feto.

Mulheres em idade fértil só devem tomar este medicamento em uso de um método anticoncepcional seguro.

A venda é controlada.

Laser e luz intensa pulsada (IPL)

Os sintomas de vermelhidão e a diltatação dos vasos sanguíneos (telangiectasias) podem ser melhorados com laser vascular (NdYag) ou luz intensa pulsada (IPL).

Podem ser necessárias duas a seis sessões.

O tratamento com laser não traz cura e pode haver recidiva.

A eletrocoagulação é um método de custo muito menor que o laser e pode eliminar as telangiectasias, porém não resolve a vermelhidão.

Cirurgia

Rinofima: antes e após 6 meses da cirurgia. Fonte: COSTA, T. C. et al. (vide referência)

Rinofima: antes e após 6 meses da cirurgia.
Fonte: COSTA, T. C. et al. (vide referência)

O espessamento da pele (rinofima) é uma fase final da rosácea que afeta o nariz e a pele adjacente.

A cirurgia plástica pode reparar  e remodelar o nariz, sendo um tratamento simples e eficaz, com excelentes resultados estéticos.

Embora possa ser necessário mais de um tempo cirúrgico, a recorrência é extremamente rara.

Tratamento Caseiro de Alívio da Rosácea

Na fase pré-rosácea (rubor) e vascular (vermelhidão e dilatação dos vasinhos da pele), compressas com chá de camomila frio, ou de água e leite em partes iguais, ou de água com amido de milho, aplicando-se três vezes ao dia durante 15 minutos, podem aliviar os sintomas.

Referências

HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte II

A hepatite C atinge silenciosamente quase 6 milhões de brasileiros, pois a doença não mostra sintomas. Os sintomas, quando aparecem, já são decorrentes da cirrose hepática, que é irreversível e pode caminhar para o câncer de fígado.

publicidade

A pessoa somente saberá se tem hepatite C através de exame de sangue específico, o anti-HCV.

Após o diagnóstico, a evolução da hepatite C também somente pode ser conhecida por exames, geralmente de imagem, pois a doença, como já dito, evolui sem trazer sintomas precisos.

No texto anterior, Hepatite C: diagnóstico, evolução e tratamento – parte I, abordamos os sinais e sintomas e as complicações da hepatite C, também os fatores de risco.

hepatite c fígado

Anatomia humana, destacando o fígado.

Neste texto de continuação, conversaremos sobre o diagnóstico, a prevenção e o tratamento da hepatite C.

Diagnóstico

Como a hepatite C crônica é assintomática durante as primeiras décadas, é mais comumente descoberta na sequência da investigação de níveis elevados de enzimas hepáticas ou durante um exame de rotina de indivíduos de alto risco. Os testes não são capazes de distinguir entre infecções agudas e crônicas.

As enzimas do fígado são variáveis durante a parte inicial da infecção e, em média, começam a subir, até sete semanas após a infecção. As alterações das enzimas hepáticas são pouco correlacionadas com a gravidade da doença.

Sorologia: Anti-HCV

O diagnóstico é sorológico, pela detecção de anticorpos contra o vírus da hepatite C: o anti-HCV (ELISA).

Um teste chamado PCR (HCV-RNA) pode também ser usado.

A detecção de anticorpos para a hepatite C pode ser negativa por alguns meses após a infecção, pois o desenvolvimento destes anticorpos contra a infecção pode levar algum tempo, normalmente alguns meses.

Teste rápido para hepatite C

O Sistema Único de Saúde disponibiliza o teste rápido para detecção de hepatite C. O exame mostra o resultado em 20 minutos.O teste rápido é um teste de triagem e deve ser confirmado por outros exames de sangue.

A sensibilidade do teste é de 99,0% e a especificidade de 99,4%.

É importante destacar que, em razão da sensibilidade do teste rápido, algumas pessoas testadas poderão não conhecer sua real condição sorológica de portador do vírus C, pois com sensibilidade de 99%, 1% das pessoas com resultado que deveria ser positivo terá o teste negativo, o que é denominado um teste falso negativo.

Assim, pessoas com algum risco de terem adquirido a hepatites C, podem vir a estar entre os 1% e devem ser submetida aos outros exames de sangue (ELISA).

Testes moleculares – o teste PCR (HCV-RNA)

O teste qualitativo de PCR (Polymerase Chain Reaction) do vírus da hepatite C (HCV-RNA qualitativo) é aplicado para detectar a presença da reprodução e multiplicação do vírus da hepatite C no corpo.

Um teste positivo é relatado como detectável e indica que a infecção evoluiu para uma fase crônica (de longo prazo).

Este teste geralmente leva em torno de duas semanas para processo. Genotipagem e testes PCR quantitativos do vírus da hepatite C (HCV-RNA quantitativo), isto é, a carga viral, são realizados antes do tratamento.

Genótipos

O vírus da hepatite C possui variações chamadas de genótipos. Cada genótipo apresenta uma resposta terapêutica ao tratamento com o Interferon e a Ribavirina.

Existem até 11 tipos de genótipos da hepatite em todo o mundo (embora a maioria das referências, incluindo o Ministério da Saúde, citem seis genótipos), porém os três tipos mais comuns no Brasil são os genótipos: os tipos 1, 2 e o 3. Os genótipos são divididos em vários subtipos.

Muitos médicos os chamam de respondedores lentos ou não respondedores.O genótipo 1 é o mais comum entre os pacientes infectados com o vírus HCV e é o mais resistente e mais difícil de tratar. Normalmente os pacientes com genótipo 1 submetidos ao tratamento com o Interferon e Ribavirina não respondem ao tratamento, tendo que fazer o re-tratamento posterior.

Os genótipos 2 e 3 são mais fáceis de tratar, ou seja, respondem melhor ao tratamento porém, o genótipo 3 é considerado o mais agressivo em relação a velocidade da formação de fibroses e cirrose.

Cerca de 40% a 50% das pessoas com o genótipo 1 serão curados com ribavirina e interferon peguilado, e cerca de 80% das pessoas com genótipos 2 e 3 serão curados.

Novos medicamentos podem elevar a chance de cura para o genótipo I para 90%.

hepatite c biopsia

Na biópsia de fígado, o médico retira um fragmento deste para análise

Biópsia

As biópsias do fígado são utilizadas para determinar o grau de dano hepático presente, no entanto, existem riscos decorrentes do procedimento. O risco mais comum é o sangramento que ocorre a partir do local onde a agulha foi inserida no fígado.

As mudanças típicas vistas são linfócitos dentro do parênquima, folículos linfóides na tríade portal, alterações dos ductos biliares e fibrose.

A fibrose provocada por hepatite C pode atingir do grau 0 ao 4 (cirrose), conforme a classificação METAVIR:

  • F0 = tem fígado normal;
  • F1 = alargamento por fibrose restrito ao espaço porta (fibrose discreta);
  • F2 = fibrose em espaço porta e com septos incompletos no parênquima hepático (fibrose clinicamente significante);
  • F3 = fibrose com septos completos e esboço de nódulos (fibrose avançada);
  • F4 = formação de nódulos completos, com distorção significativa da morfologia do parênquima hepático, caracterizando cirrose).

A partir do METAVIR F2, com nível de atividade inflamatória também 2 (pode ir de 0 a 3), o paciente já pode ser indicado para tratamento anti-viral.

Fibroscan

Fibroscan é o aparelho no qual realiza-se o exame elastografia transitória hepática, que mede a fibrose do fígado de forma não invasiva, substituindo a biópsia hepática em muitos caso. Com base em uma tecnologia denominada elastografia transitória, o FibroScan avalia velocidade da onda de cisalhamento do fígado (expressa em metros por segundo) e a rigidez equivalente (expressa em quilopascal) a 50 Hz de uma forma rápida, simples, não invasiva e totalmente indolor.

Já está liberado pela anvisa, mas são poucos os locais disponíveis e ainda não está no rol da ANS, portanto, não tem cobertura pelos planos de saúde. Realizado em consultório médico, não invasivo e indolor, é parecido com a ultrassonografia . Tem duração de cerca de 5 a 10 minutos.

Outros Exames

As pesquisas prosseguem a fim de tornar os exames cada vez mais fáceis de serem realizados.

Com o tempo, os exames serão menos invasivos, ou seja, menos agressivos.

Em futuro próximo, segundo pesquisadores da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), as dosagens de marcadores biológicos no soro dos pacientes com hepatite C poderão detectar o grau de fibrose e atividade inflamatória no fígado.

Com a aplicação dos marcadores biológicos de fibrose espera-se diminuir a realização de biópsia hepática no paciente portador de hepatite C, que hoje é obrigatória, já que depende do grau da atividade inflamatória e da fibrose, para que o Ministério da Saúde libere os medicamentos necessários ao tratamento.

Prevenção

hepatite c vacina

“Hepatite C… Não é aquela para a qual eu fui vacinada?  NÃO”  – Não existe vacina contra a hepatite C

Estratégias de redução de danos, tais como o fornecimento de novas agulhas e seringas, diminuem o risco de hepatite C em usuários de drogas injetáveis em cerca de 75%.

Sempre deve ser realizada triagem de doadores de sangue e órgãos para transplante.

Os estabelecimentos que manipulam equipamentos e materiais que têm contato real ou potencial com sangue devem sempre seguir as normas estabelecidas pela vigilância sanitária para a esterilização de materiais.

Estes estabelecimentos incluem hospitais, clínicas, consultórios de odontologia, salões de manicure, cabeleireiros, tatuadores e aplicadores de piercing.

Na dúvida quanto à necessidade, pratique sexo com camisinha.

Materiais de uso comum, se contaminados com sangue infectado, podem transmitir o vírus da hepatite C

Materiais de uso comum, se contaminados com sangue infectado, podem transmitir o vírus da hepatite C

Não compartilhe lâminas de barbear, tesouras e alicates de unha, escovas de dentes ou toalhas que possam estar contaminados com sangue.

Leve seu próprio material quando for à manicure.

Destacamos que materiais de manicure e pedicure também podem estar contaminados com fungos e causar micose de unha. Leia MICOSE DE UNHA: Sinais e Tipos de Onicomicose.

Tratamento

Cerca de 40-80% dos pacientes com hepatite C crônica fica curada com o tratamento. Em casos raros, a infecção pode desaparecer sem tratamento.

É aconselhável evitar álcool e medicamentos tóxicos para o fígado, além de proceder à vacinação contra a hepatite A e hepatite B.

O tratamento da hepatite C tem como objetivo a negativação da carga viral, ou seja, um teste PCR qualitativo do vírus da hepatite C com resultado indetectável (a erradicação do vírus) o que teria com consequência secundária a redução da inflamação do fígado, a prevenção da progressão da fibrose hepática para cirrose e câncer.

O genótipo 1 é o menos sensível ao tratamento em comparação com outros genótipos.

A cura, com o genótipo 1, ocorre em apenas metade das pessoas tratadas com a terapia combinada. Aqueles infectados com outros genótipos podem apresentar chance de cura com a terapia combinada de 75% a 80%.

O sucesso do tratamento é certificado quando ocorre a resposta virológica sustentada (RVS), ou seja: níveis não detectáveis de HCV-RNA (PCR qualitativo) 6 meses após o término do tratamento.

Medicamentos para hepatite C

Até há relativamente pouco tempo, para o tratamento para a hepatite C crónica eram sempre necessários tomar dois medicamentos principais: interferon peguilado, que é a versão sintética do interferon, uma proteína que ocorre naturalmente no corpo, que estimula o sistema imune a atacar as partículas de vírus; e ribavirina – um medicamento antiviral que impede a reprodução do vírus.

Estes medicamentos eram tomados em conjunto, mas hoje em dia eles são muitas vezes combinados com uma terceira medicação, como simeprevir ou sofosbuvir. Estes são os medicamentos mais recentes de hepatite C que fazem o tratamento mais eficaz.

Em alguns casos, uma combinação destes novos medicamentos pode ser feita sem a necessidade de tomar o interferon peguilado e / ou ribavirina.

hepatite c Interferon peguilado

Interferon peguilado

Interferon peguilado e ribavirina

Interferon peguilado é administrado como uma injeção semanal.

Em geral, o tratamento dura 48 semanas ou até mais, dependendo da análise do médico.

A ribavirina está disponível na forma de cápsulas, comprimidos ou em solução oral. É normalmente tomado duas vezes por dia com alimentos. Ele deve ser tomado junto com interferon peguilado.

Novos medicamentos

Há também alguns novos medicamentos que são utilizados para tratar a hepatite C.

Alguns deles devem ser tomados junto com interferon peguilado e / ou ribavirina, enquanto alguns podem ser tomados isoladamente ou em combinação com outros novos medicamentos.

Estes medicamentos incluem:

  • simeprevir
  • sofosbuvir
  • Daclatasvir
  • uma combinação de ledipasvir e sofosbuvir
  • uma combinação de ombitasvir, paritaprevir e ritonavir, tomado com ou sem dasabuvir

    hepatite c novos tratamentos em comprimidos

    Novos tratamentos em comprimidos

Estes medicamentos são tomados como comprimidos uma ou duas vezes por dia, por entre 8 a 48 semanas, dependendo do medicamento, o genótipo do vírus da hepatite C e a gravidade do caso.

Estes medicamentos são geralmente usados para tratar as pessoas com genótipo 1 ou genótipo 4 da hepatite C, embora às vezes eles também sejam usados para tratar pacientes com outros genótipos.

O tratamento no Brasil

Em 2015 o Ministério da Saúde publicou o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções, que revê e atualiza o que foi publicado em 2011.

Sobre o tratamento no Brasil, leia HEPATITE C: Tratamento Conforme o Protocolo do Ministério da Saúde de 2015.

 

Qual a eficácia do tratamento?

A eficácia do tratamento de hepatite C depende do genótipo do vírus.

O genótipo 1 costumava ser mais difícil de tratar e, até há pouco tempo, somente menos de metade das pessoas tratadas era curada.

No entanto, com os medicamentos mais recentes, as possibilidades de cura podem ser muito maiores. As combinações de comprimidos podem agora ter uma taxa de cura de mais de 90%.

Este percentual é mais elevado do que as chances de cura da maioria dos outros genótipos da hepatite C!

O tratamento para o genótipo 3 geralmente envolve o tratamento padrão de interferon peguilado e ribavirina. Cerca de 70-80% dos indivíduos tratados irão ser curados.

A erradicação do vírus é constatada com o resultado de HCV-RNA indetectável na 12ª ou 24ª semana de seguimento pós-tratamento, conforme o regime terapêutico instituído. Essa condição caracteriza a Resposta Virológica Sustentada (RVS).

Se o vírus é eliminado com sucesso com o tratamento, é importante estar ciente de que a pessoa não está imune à infecção. Isto significa, por exemplo, que a pessoa pode ser infectada novamente se continuar a se expor aos riscos de contaminação.

Se o tratamento não funcionar, pode ser repetido, estendido ou tentado usar uma combinação diferente de medicamentos.

Efeitos colaterais do tratamento

hepatite c efeitos colaterais

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais da terapia de combinação envolvendo interferon são bastante comuns.

Os novos tratamentos em comprimido têm muito menos efeitos colaterais e a maioria das pessoas não se sente afetado pelo tratamento.

Interferon peguilado – efeitos colaterais

  • sintomas de gripe, como dor de cabeça, fadiga (cansaço extremo) e febre
  • anemia
  • lesões na pele
  • depressão
  • coceira
  • adinamia (sensação de estar doente, sem energia)
  • prisão de ventre ou diarréia
  • problemas para dormir (insônia)
  • perda de apetite
  • perda de peso

Medicamentos para tratar hepatite C podem ter reações imprevisíveis quando tomados com outros medicamentos ou remédios.

Quaisquer efeitos secundários podem melhorar com o tempo conforme o corpo se acostume com os medicamentos.

Lidar com os efeitos colaterais pode ser um desafio, mas o tratamento deve ser continuado conforme as instruções para não reduzir as chances de cura.

Protocolo do Ministério da Saúde

Para informações mais completas sobre o o protocolo do Ministério da Saúde de 2015, leia em HEPATITE C: Protocolo do Ministério da Saúde de 2018 – Linhas Gerais].

Para informações adicionais recomendamos o Grupo Otimismo em www.hepato.com e a ABPH – Associação de Portadores de Hepatite

Referências

HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte I

A hepatite C é uma doença infecciosa causada pelo vírus da hepatite C. A pessoa com hepatite C geralmente não apresenta sintomas. Devido a isso, muitas pessoas desconhecem que estão infectadas pelo vírus da hepatite C.

publicidade

A infecção pelo vírus da hepatite C é uma das causas mais frequentes de doença crônica do fígado.

A infecção crônica pode conduzir à formação de cicatrizes no fígado e, finalmente, à cirrose, a qual geralmente é aparente depois de muitos anos. Em alguns casos, as pessoas com cirrose ainda desenvolvem insuficiência hepática e hepatocarcinoma.

O vírus da hepatite C é responsável por 70% das hepatites crônicas, 40% dos casos de cirrose e 60% dos hepatocarcinomas (câncer de fígado). Além disso, a hepatite C é a primeira causa de transplante hepático no mundo.

hepatite c

A hepatite C é uma infecção viral

A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue infectado no uso de drogas intravenosas, equipamentos mal esterilizados e transfusões de sangue.

Estima-se que até 200 milhões de pessoas, ou cerca de 3% da população mundial, vivem com hepatite C. Cerca de 3 a 4 milhões de pessoas são infectadas por ano, e mais de 350 mil pessoas morrem anualmente de doenças relacionadas com a hepatite C.

No Brasil, aproximadamente 70.000 casos de hepatite crônica C foram confirmados entre os anos de 1999 e 2010. A taxa média de detecção foi de 4,5 casos por 100 mil habitantes no ano de 2010, sendo as maiores taxas identificadas nas regiões Sul e Sudeste.

A maioria dos casos ocorreu nas faixas etárias superiores a 35 anos de idade (80,7%). Se 3% da população está infectada, significa que quase 6 milhões de brasileiros estão com hepatite C e, dentre esses, apenas alguns milhares têm consciência disso.

O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) publicou um relatório em 2012 que mostrou que, desde 2007, a hepatite C ultrapassou a AIDS em número de mortes por ano nos EUA.

Os sinais e sintomas

Tanto na infecção aguda quanto na crônica, a hepatite C pode não apresentar sintomas. Quando ocorrem sintomas, eles são muitas vezes vagos e podem ser facilmente confundidos com uma outra condição.

A infecção aguda

A infecção aguda por hepatite C provoca sintomas algumas semanas após a infecção, durante os primeiros seis meses, em apenas 15% a 25% dos casos.

Os sintomas podem incluir febre, cansaço, perda de apetite, dores musculares ou articulares, perda de peso, dores abdominais e mal estar inespecífico. A maioria das pessoas com infecção aguda não apresenta icterícia (amarelo no “branco dos olhos”).

A infecção se resolve espontaneamente em 10-50% dos casos, mais frequentemente em indivíduos jovens e do sexo feminino.

A infecção crônica

A definição de hepatite C crônica é a presença de anti-HCV reagente por mais de 6 meses com confirmação diagnóstica com  HCV-RNA detectável. Explicaremos melhor estes exames em HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte II.

Cerca de 85% das pessoas expostas ao vírus desenvolvem a infecção crônica.

Na maioria dos casos, a hepatite C crônica não provoca sintomas até que o fígado esteja danificado de forma significativa.

Os sintomas da hepatite C crônica podem variar muito de caso para caso. Em algumas pessoas, os sintomas podem ser pouco perceptíveis. Em outros casos, eles podem ter um impacto significativo na qualidade de vida.

Os sintomas também podem desaparecer por longos períodos de tempo (remissão) e depois voltar.

Alguns dos sintomas mais comumente relatados de hepatite C incluem: sentir-se cansado o tempo todo (dormir não parece ajudar a melhorar os níveis de energia), dores de cabeça, depressão, problemas com a memória no curto prazo (afeta a capacidade de concentração e de completar tarefas mentais relativamente complexas tais como cálculos aritméticos “de cabeça” – muitas pessoas descrevem esta combinação de sintomas como “tendo uma névoa do cérebro”), mudanças de humor, indigestão, dores musculares e articulares, coceira na pele, sintomas de gripe (como os que ocorrem na fase aguda da infecção), dor abdominal, dor na região do fígado (que está localizado na parte superior direita do abdome).

Complicações da hepatite C crônica

A progressão da hepatite C crônica até a fase de cirrose hepática ocorre usualmente de maneira assintomática em média entre 20 e 30 anos de evolução da doença.

hepatite c cirrose cancer

Evolução da infecção pelo vírus da hepatite C: inflamação crônica (hepatite), cirrose e carcinoma hepatocelular (câncer de fígado)

Sem tratamento, aproximadamente 20% dos doentes desenvolvem cirrose e destes, 20 a 30% progridem para o hepatocarcinoma ou para a insuficiência hepática com indicação de transplante.

Estudos mostram que há uma configuração para o desenvolvimento da progressão da doença, considerando a evolução da fibrose, ou seja, há um espectro variável em que cada um terço dos casos se comportará:

  • progressores rápidos, que evoluem para cirrose em menos de 20 anos;
  • progressores intermediários, que evoluem para cirrose em 20 a 50 anos;
  • progressores lentos ou não progressores, que podem levar mais de 50 anos para desenvolver cirrose.

O que influencia a progressão da doença é a progressão da fibrose que a inflação desenvolve no fígado.

Fatores influenciam a progressão da fibrose:

  • idade superior a 40 anos no momento da infecção;
  • sexo masculino;
  • etilismo;
  • coinfecção como vírus da hepatite B (HBV) e/ou HIV;
  • imunossupressão;
  • esteatose hepática;
  • resistência à insulina;
  • e atividade necroinflamatória na primeira biópsia hepática

A cirrose é mais comum em pessoas também infectadas com hepatite B, esquistossomose, ou HIV, em alcoólatras e aqueles do sexo masculino.

A hepatite C afeta de forma negativa a evolução clínica de outras doenças, como a infecção pelo HIV.

O quadro clínico é complicado pelo álcool e o risco de desenvolver cirrose torna-se de 100 vezes maior.

Cirrose por hepatite C é uma razão comum para transplante de fígado.

Transmissão

O vírus da hepatite C está presente no sangue e, em muito menor extensão, na saliva, no esperma e fluido vaginal de uma pessoa infectada. É particularmente concentrada no sangue, de modo que normalmente é transmitida através de contato do sangue com sangue.

A principal via de transmissão no mundo desenvolvido é através de materiais contaminados, principalmente no uso de drogas injetáveis, enquanto nos países em desenvolvimento os principais meios são as transfusões de sangue e procedimentos médicos de risco.

A causa da transmissão permanece desconhecida em 20% dos casos.

Fatores de risco

  • Uso de drogas injetáveis: é um importante fator de risco em muitas partes do mundo devido à possibilidade do compartilhamento de agulhas e seringas;

    hepatite c causa

    Os fatores de risco relacionam-se ao possível contato com sangue contaminado pelo vírus da hepatite C

  • Transfusão de sangue: a transfusão de hemoderivados ou transplante de órgãos, sem triagem para vírus da hepatite C apresenta riscos significativos de infecção. Este risco é maior nas pessoas que receberam transfusão de sangue ou transplante de órgãos antes do início da década de 1990, quando ainda não havia testes para detectar a infecção pelo vírus da hepatite C;
  • Exposição em profissionais de saúde: sofrer uma lesão por agulha contaminada tem uma chance de 1,8% de contrair a hepatite C. O risco é maior se a agulha é oca e o ferimento é profundo. Há um risco de exposição das mucosas ao sangue, mas este risco é reduzido, e não há nenhum risco se a exposição ao sangue ocorre na pele intacta.
  • Exposição a equipamento perfurante (hospitalar, odontológico): é um método de transmissão de hepatite C por reutilização de equipamentos sem correta esterilização.
  • Tatuagem e piercing: está associado com duas a três vezes maior risco de hepatite C devido à exposição de qualquer equipamento inadequadamente esterilizado ou contaminação dos corantes utilizados;
  • Itens pessoais compartilhados: lâminas de barbear e materiais de manicure ou pedicure (tesouras, alicates) podem estar contaminados com o sangue por cortes mínimos e que não tiveram sangramento aparente. Estes materiais podem transmitir o vírus da hepatite C se não forem corretamente esterilizados, caso não sejam descartáveis. Escova de dentes não é um material compartilhável, mas, por descuido, pode ser usada por outra pessoa da família;

    hepatite c uso3

    Cuidado com materiais que podem estar contaminados com sangue, mesmo que não seja visível, e pareçam limpos

  • Relações sexuais inseguras: Se a hepatite C pode ser transmitida por meio da atividade sexual é controverso. A maioria das evidências suporta que não há risco para os casais heterossexuais monogâmicos. As práticas sexuais que envolvem níveis elevados de traumatismo da mucosa anogenital, como, por exemplo, penetração sexual anal, ou quando há infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, ou ulceração genital, apresentam risco. O governo dos Estados Unidos recomenda o uso de preservativos para prevenir a transmissão da hepatite C apenas em pacientes com múltiplos parceiros.
  • Transmissão vertical de uma mãe infectada para o filho: ocorre em menos de 10% das gestações. Pode ocorrer tanto durante a gestação e no parto.
  • Amamentação: não há evidências de que a amamentação transmita o vírus da hepatite C, no entanto, por cautela, a uma mãe infectada é aconselhável evitar a amamentação, se os mamilos estiverem rachados e sangrando, ou se as cargas virais forem elevadas.

Destacamos que materiais de manicure e pedicure também podem estar contaminados com fungos e causar micose de unha.

Leve o seu próprio material para fazer as unhas. É mais seguro.

Leia em MICOSE DE UNHA: Sinais e Tipos de Onicomicose.

Hepatite C não é transmitida através do contato casual, como abraços, beijos ou utensílios de cozinha e o uso de vaso sanitário. Também não é transmitida através de alimentos ou água.

Na continuação deste artigo, em HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte II, conversaremos sobre o diagnóstico, a prevenção e o tratamento.

Para informações adicionais recomendamos o Grupo Otimismo em www.hepato.com e a ABPH – Associação de Portadores de Hepatite

Referências

LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES): Diagnóstico e Tratamento

Há duas formas principais de lúpus – o lúpus eritematoso sistêmico e o lúpus cutâneo.

publicidade

O lúpus eritematoso sistêmico pode afetar quase todos os órgãos do corpo, incluindo o seu articulações, pele, rins, células do sangue, cérebro, coração e pulmões.

O lúpus cutâneo afeta apenas a pele, principalmente rosto, couro cabeludo e as áreas expostas à luz solar.

Este texto abordará o lúpus eritematoso sistêmico (LES).

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória crônica que ocorre quando o sistema imunológico, que é o sistema de defesa, ataca os órgãos do próprio corpo. Essa agressão ao próprio corpo é o que é chamado de doença autoimune.

lupus-butterfly

A borboleta é o símbolo do lúpus devido à mancha característica que ocorre no rosto que lembra uma borboleta.

O sistema imunológico, que é o sistema de defesa do corpo, deve combater infecções e outros perigos para a saúde. Para isso, o sistema imunológico deve reconhecer o que é um material interno ou externo. E reconhecer, do que é externo, o que é amigo ou inimigo.

Quando o sistema de defesa reage ao que é interno, acontece uma doença auto-imune, como o lupus eritematoso sistêmico.

Quando o sistema de defesa reage a um material externo inofensivo como a um inimigo, identificando-o como um perigo e provoca uma resposta protetora, acontece a alergia (leia sobre alergia alimentar em ALERGIA ALIMENTAR: Sintomas e Tratamento).

Essa autoimunidade é contra o tecido conjuntivo dos órgãos do corpo, o colágeno. O lúpus eritematoso sistêmico, portanto, é uma colagenose. Há outras colagenoses, como esclerodermia ou dermatomiosite. Nem sempre há um limite nítido entre cada doença e as colagenoses podem ocorrer simultaneamente. Mas esses assunto é muito extenso, voltemos para o lúpus eritematosos sistêmico.

A inflamação causada pelo lúpus eritematoso sistêmico pode afetar muitos órgãos e sistemas diferentes do corpo, incluindo as articulações, pele, rins, células do sangue, cérebro, coração e pulmões. Por causa disso, os sinais e sintomas do lúpus eritematoso sistêmico muitas vezes imitam os de outras doenças, o que faz esta doença ser difícil de diagnosticar.

O sinal mais característico de lúpus eritematoso sistêmico é uma lesão de pele no centro do rosto e que se distribui simetricamente em ambos os lados e, assim, se assemelha às asas de uma borboleta. Este sinal é muito comum no lúpus eritematoso sistêmico, mas algumas pessoas podem não apresentá-lo.

Algumas pessoas nascem com tendência a desenvolver lúpus, o que pode ser desencadeada por infecções, certos medicamentos ou até mesmo luz solar.

Não há cura para o lúpus eritematoso sistêmico, mas os tratamentos podem ajudar a controlar os sintomas.

Causas de lúpus eritematoso sistêmico

Como já dito, o lúpus eritematoso sistêmico ocorre quando o sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis do corpo.

A causa exata do lúpus eritematoso sistêmico, na maioria dos casos, é desconhecida e provavelmente a causa é uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais. Sendo assim, alguns gatilhos potenciais incluem:

  • Luz do sol: a exposição ao sol pode desencadear as manchas na pele peculiares ao lúpus ou mesmo uma resposta interna em pessoas suscetíveis.
  • Medicamentos: lúpus eritematoso sistêmico pode ser desencadeado por certos tipos de medicamentos, como clorpromazina, metildopa, hidralazina, isoniazida, d-penicilamina e minociclina. O lúpus induzido por drogas costuma desaparecer quando a medicação que desencadeou é suspensa.

Fatores de risco

Os fatores que podem aumentar o risco de lúpus eritematoso sistêmico incluem:

  • Sexo feminino: a doença é mais comum em mulheres, na proporção de 9 mulheres para 1 homem.
  • Idade: embora o lúpus eritematoso sistêmico afete pessoas de todas as idades, a doença acontece com mais freqüência entre as idades de 15 e 40 anos.
  • Raça: o lúpus eritematoso sistêmico é mais comum em afro-descendentes, hispânicos e asiáticos.

Sinais e sintomas

Como o lúpus eritematoso sistêmico pode afetar diversos órgãos do corpo, as manifestações da doença são diferentes para cada pessoa.

Os sinais e sintomas podem surgir subitamente, em conjunto, ou se desenvolverem lentamente quase que “um a um”. No início, eles podem ser confundidos com outros problemas, já que existem muitas causas possíveis para dores nas articulações e cansaço. Os sintomas variam de leve a grave.

Geralmente, a maioria das pessoas tem doença leve caracterizada por episódios de piora de tempos em tempos. Os sinais e sintomas dependem de quais os sistemas do corpo são afetados pela doença.

Os sinais e sintomas mais comuns, conforme as alterações nos órgãos do corpo, incluem:

  • Fadiga persistente, perda de peso e febre sem infecção;
  • Alterações dermatológicas:
    • no rosto: mancha em forma de borboleta que cobre as bochechas e a ponte do nariz (eritema malar);
    • no corpo: lesões eritematosas (avermelhadas), infiltradas, com escamas ceratolíticas aderidas e tampões foliculares, que evolui com cicatriz atrófica e discromia (rash discóide)
    • fotossensibilidade: manchas de pele (exantema) como reação exagerada à exposição ao sol;

      Mancha no rosto que lembra o desenho de uma borboleta

      Mancha que lembra o desenho de uma borboleta

    • queda de cabelo (para causas de alopecia veja: Queda de cabelo: tipos de alopecia – parte I e Queda de cabelo: tipos de alopecia – parte II;
    • pequenas úlceras na boca ou nasofaringe e região genital. As úlceras na boca podem ser grandes, múltiplas e não dolorosas;
  • Alterações oculares: sensação de olhos secos;
  • Alterações cardíacas: como hipertensão arterial sistêmica (pressão alta), endocardite não infecciosa (Libman-Sacks) e risco aumentado de doença cardíaca coronária;
  • Alterações pulmonares: inflamação nos pulmões e embolia pulmonar;
  • Serosites (inflamação nas membranas que envolvem o coração e os pulmões, pericárdio e pleura): ocorrendo falta de ar e dor no peito que piora quando a pessoa faz uma respiração profunda;
  • Alterações hematológicas: anemia é muito comum, mas também pode haver redução dos leucócitos e das plaquetas.A tendência de formar coágulos de sangue é uma complicação rara. Algumas gânglios linfáticos podem aumentar de tamanho;

    Fenômeno de Raynaud no lúpus eritematoso sistêmico

    Fenômeno de Raynaud

  • Alterações na circulação: dedos das mãos e pés que tornam-se branco ou azul quando expostos ao frio ou durante períodos de estresse (fenômeno de Raynaud). O fenômeno de Raynaud ocorre em cerca de um quinto dos pacientes, mas muitas vezes é suave;
  • Alterações gastrointestinais: por exemplo, náusea, má-digestão, dor abdominal
  • Alteração na função dos rins: cerca de 1 em cada 3 pessoas com lúpus eritematoso sistêmico pode desenvolver inflamação dos rins, o que pode levar a perda de proteína e sangue na urina. Em casos graves, pode ocorrer insuficiência renal, mas é uma complicação rara. Sinais e sintomas de problemas nos rins podem incluir prurido generalizado, dor no peito, náusea, vômito e inchaço nas pernas (edema);
  • Alterações neurológicas e psiquiátricas: dor de cabeça, crises convulsivas, confusão mental e perda de memória, além depressão e ansiedade e até mesmo psicose;
  • Inflamação na articulações: dor, rigidez e inchaço (artrite), com duração de algumas semanas em duas ou mais articulações, principalmente nas mãos, punhos e joelhos.

Principais sinais e sintomas de lúpus eritematoso sistêmico

Exames complementares

Como o lúpus eritematoso sistêmico é uma doença que pode afetar diversos órgãos e sistemas do corpo, os exames solicitados dependerão do quadro clínico que a pessoa apresenta. Então, é impossível descrever todos os exames que devem ser realizados para o diagnóstico e acompanhamento de um paciente com lúpus eritematoso sistêmico. A seguir, citaremos os mais comuns.

Os exames de sangue podem incluir:

Hemograma completo: O hemograma pode indicar anemia (baixa de hemácias – glóbulos vermelhos), dado comum no lúpus eritematoso sistêmico. Os leucócitos (glóbulos brancos) ou plaquetas podem ser afetados e reduzidos em pacientes com lúpus também. Assim, no hemograma, pode haver anemia hemolítica ou leucopenia (contagem de leucócitos menor que 4.000/mm3 em duas ou mais ocasiões) ou linfopenia (contagem de linfócitos menor que 1.500/mm3 em duas ou mais ocasiões) ou plaquetopenia (contagem de plaquetas menor que 100.000/mm3 na ausência de outra causa).

Velocidade de hemossedimentação (VHS): Este teste de sangue determina a taxa à qual as células vermelhas do sangue se depositam no fundo de um tubo dentro de uma hora. Uma taxa mais rápida do que a taxa normal pode indicar uma doença sistêmica, como o lúpus eritematoso sistêmico. A taxa de sedimentação não é específica para qualquer uma doença. Ele pode ser elevada no lúpus e em outra condição inflamatória, câncer ou uma infecção.

Avaliação da função renal e da função hepática: Exames de sangue para avaliar como os rins e fígado estão funcionando são úteis, já que o lúpus eritematoso sistêmico pode afetar esses órgãos. Para observar a função renal solicita-se a dosagem de ureia e de creatinina. Para a função hepática, TGO, TGO G-GT e bilirrubinas, geralmente.

Fator Anti-Núcleo (FAN): também conhecido por teste de anticorpos antinucleares (ANA), é um exame para detectar os anticorpos que o sistema imunológico produz contra as células do próprio corpo, ou seja: indica autoimunidade. Embora a maioria das pessoas com lúpus eritematoso sistêmico tenha FAN positivo, a maioria das pessoas com FAN positivo não têm lúpus eritematoso sistêmico. Em outras palavras: ter FAN positivo isoladamente não indica lúpus e ter FAN negativo não descarta lúpus. O FAN positivo pode ocorrer em outras colagenoses e também pode existir na população normal.

Auto-anticorpos: diversos auto-anticorpos estão associados ao lúpus eritematoso sistêmico, não cabendo aqui descrever todos. Destacamos o anti-DNA, anti-Sm e anticorpos antifosfolípides, estes caracterizados por níveis anormais de IgG ou IgM anticardiolipina; ou teste positivo para anticoagulante lúpico; ou teste falso-positivo para sífilis (VDRL positivo) por, no mínimo, seis meses.

Relação entre padrões de FAN x colagenoses x auto-anticorpos

Nem todo FAN positivo é sinal de colagenose. Quase 20% da população normal tem FAN positivo, predominantemente nos idosos.

Não cabe aqui falar tudo sobre FAN, pois ficaria muito extenso. Comentaremos alguns padrões de FAN e suas implicações:

  • Padrão homogêneo: três auto-anticorpos devem ser lembrados
    • Anti-DNA: específico para lúpus eritematoso sistêmico, mas com sensibilidade relativamente baixa. Pode indicar lúpus eritematoso sistêmico com risco de lesão renal e neurológica.
    • Anti-Histona: pode aparecer em todas as colagenoses – típico em lúpus eritematoso sistêmico induzido por drogas.
    • Anti-nucleossoma: específico para lúpus eritematoso sistêmico. Indica risco de doença renal.
  • Padrão pontilhado – dois tipos:
    • Pontilhado fino: Observar auto-anticorpos anti-Ro/SSA e anti-Ro/SSB – todas as colagenoses com boa sensibilidade e síndrome SICA
    • Pontilhado grosso: Observar auto-anticorpos anti-RNP e anti-Sm.
      • Anti-RNP: pode ocorrer em todas as colagenoses e sempre ocorre em doença mista do tecido conjuntivo. Em apresentações com Raynaud.
      • Ant-Sm: específico para lúpus eritematoso sistêmico.
    • Pontilhado fino + nucleolar: Observar auto-anticorpo anti-SCL70 (esclerodermia).
  • Padrão nucleolar: esclerodermia
  • Centrômero: esclerodermia limitada e CREST
  • Padrão pontilhado fino denso: não tem significado clínico, ou seja: não é específico para qualquer doença. Se o resultado for este padrão, deve-se repetir o exame para confirmar. Se confirmado, manter somente em observação. Pode ocorrer em pessoas sem doença.

Exame de urina

O exame de urina pode mostrar um nível de proteína aumentado ou células vermelhas do sangue na urina. Observa-se proteinúria persistente (> 0,5 g/dia ou 3+) ou cilindrúria anormal.

Radiografia da mão

Radiografia da mão

Outros exames

Radiografia do tórax: pode revelar líquido na pleura (membrana que recobre os pulmões) ou inflamação nos pulmões

Radiografia das mãos: pode revelar alterações nas tecidos que envolvem os ossos (partes moles) e alterações nas articulações.

Ecocardiograma: pode verificar se há problemas nas válvulas e outras partes do coração e também no pericárdio (membrana que recobre o coração).

Biópsia: em alguns casos, é necessário testar uma pequena amostra de tecido renal para determinar qual a extensão do dano no rim. A amostra pode ser obtida com uma agulha, ou através de uma pequena incisão.

Diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico

Diagnosticar lúpus eritematoso sistêmico é difícil porque os sinais e sintomas variam muito de pessoa para pessoa. Sinais e sintomas de lúpus podem variar ao longo do tempo e se sobrepõem com os de muitas outras doenças. Não há um teste específico para diagnosticar lúpus eritematoso sistêmico.

O diagnóstico da doença é baseado numa combinação de achados clínicos e evidências laboratoriais.

O Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology) classificou 11 critérios e a presença de 4 dos 11 critérios produz uma sensibilidade de 85% e uma especificidade de 95% para o diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico.

A seguir estão os critérios de diagnóstico do Colégio Americano de Reumatologia:

  1. Serosite
  2. Úlceras orais
  3. Artrite
  4. Fotossensibilidade
  5. Alterações hematológicas
  6. Alterações renais
  7. FAN positivo
  8. Alterações imunológicas – presença de auto-anticorpos
  9. Alterações neurológicas
  10. Eritema malar
  11. Rash discóide

Outros tipos de complicações

O lúpus eritematoso sistêmico também aumentar o risco de:

  • Infecção: pessoas com lúpus eritematoso sistêmico são mais vulneráveis à infecções, pois tanto a doença e quanto os tratamentos enfraquecem o sistema imunológico. As infecções que mais comumente afetam as pessoas com lúpus eritematoso sistêmico incluem infecções do trato urinário, respiratórias, fúngicas, intestinais por Salmonella e também herpes.
  • Câncer: lúpus eritematoso sistêmico parece aumentar o risco de câncer.
  • Morte do tecido do osso (necrose avascular): isso ocorre quando o suprimento de sangue a um osso diminui, muitas vezes levando a pequenas rachaduras no osso e, eventualmente, ao colapso do osso. A articulação do quadril é a mais comumente afetada.
  • Complicações na gravidez: mulheres com lúpus eritematoso sistêmico têm um risco aumentado de aborto espontâneo. Lúpus eritematoso sistêmico aumenta o risco de pressão alta durante a gravidez (pré-eclâmpsia) e parto prematuro. Para reduzir o risco dessas complicações, recomenda-se adiamento da gravidez até que a doença esteja sob controle por pelo menos 6 meses.
  • Aterosclerose: O acúmulo de placas de gordura na parede interna dos vasos é precoce e agravado pelo uso crônico de corticosteróides, hipertensão arterial, menopausa precoce e dislipidemias (aumento de colesterol e triglicerídeos). A inflamação crônica nos vasos sanguíneos favorece também a formação da placa aterosclerótica. No lúpus eritematoso sistêmico há maior risco de infarto agudo do miocárdio (7 vezes maior que a população normal).

Tratamento do lúpus eritematoso sistêmicolupus comprimidos 3

A doença não tem cura e o objetivo do tratamento é o controle.

Cada pessoa, em cada fase necessitará de um tipo de tratamento. Somente o médico reumatologista, conforme sua avaliação, poderá definir a melhor conduta.

Os medicamentos mais comumente usados para controlar o lúpus incluem:

Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs): são comumente prescritos para aliviar dores articulares ou musculares. Exemplos destes são o ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco. Os principais possíveis efeitos colaterais são dor ou sangramento no estômago e alterações renais. Se necessário, outros medicamentos podem ser prescritos para proteger o estômago da agressão dos anti-inflamatórios.

Drogas antimaláricas: os medicamentos comumente usados para tratar a malária, como a cloroquina, também podem ajudar a controlar o lúpus eritematoso sistêmico. Não está claro como este medicamento funciona no lúpus. Pode demorar 6-12 semanas para se tornar plenamente eficaz. Os efeitos colaterais são raros. O mais sério é o dano ao olho (retina), o que é incomum. Geralmente é solicitada uma avaliação oftalmológica antes do início do tratamento e, em seguida, a cada 6 meses.

Corticosteróides: prednisona e outros tipos de corticosteróides podem combater a inflamação do lúpus, mas muitas vezes produzem efeitos colaterais a longo prazo – incluindo ganho de peso, fácil contusões, enfraquecimento dos ossos (osteoporose), pressão alta, diabetes, perda de massa muscular, glaucoma, catarata, úlceras gástricas e aumento do risco de infecção. O risco de efeitos secundários aumenta com doses mais elevadas e a terapia a longo prazo. Apesar dos efeitos colaterais, em casos graves de lúpus eritematoso sistêmico, o benefício do resultado compensa o risco dos efeitos colaterais e o uso do corticosteróide pode salvar a vida do paciente. Nunca se deve tomar corticosteóide por conta própria.

Imunossupressores: as drogas que suprimem o sistema imunológico podem ser úteis em casos graves de lúpus eritematoso sistêmico. Exemplos incluem a ciclofosfamida , azatioprina, micofenolato mofetil, leflunomida e metotrexato. Os efeitos colaterais potenciais podem incluir um risco aumentado de infecção, danos no fígado e nos rins, diminuição da fertilidade e aumento do risco de câncer.

Imunobiológicos: medicamentos recentes que agem modulando o sistema imunológico.

Outras Medidas

  1. Informação: o paciente e sua família devem estar bem informados pelo médico quanto às características da doença, sua evolução e complicações.
  2. Apoio psicológico: conhecendo a doença e seus risco, deve lidar com o lúpus eritematoso sistêmico como um desafio a ser vencido e estar motivado para o tratamento e saber tirar proveito da mudança de vida que traz.
  3. Atividade física: deve manter repouso nos períodos de crise da doença. Mas, por causa da redução da capacidade aeróbica, deve buscar medidas visando a melhora do condicionamento físico. A atividade física regular reduz o risco cardiovascular e promove melhora da fadiga e da qualidade de vida.
  4. Alimentação: não há evidência científica de que os alimentos possam influenciar o desencadeamento ou a evolução da doença.
  5. Purple awareness ribbon and shadowMas alimentação deve ser balanceada, evitando-se excessos de sal, carboidratos e gorduras.
  6. Suplementação da vitamina D: a suplementação de vitamina D deve ser considerada devido ao déficit de vitamina D que pode ocorrer com a fotoproteção e o uso de antimaláricos.
  7. Fotoproteção: contra luz solar e outras formas de irradiação ultravioleta. O paciente deve usar filtro solar FPS 30 a cada 2 a 3 horas, ou, pelo meno, pela manhã e no início da tarde, todos os dia, durante todo o ano, mesmo em ambiente fechado.
  8. Não fumar: além de ser fator de risco para aterosclerose, diminui a eficácia dos antimaláricos, favorecendo a manutenção ou a piora das lesões na pele.
  9. Controlar os fatores de risco cardiovascular: glicemia, hipertensão arterial, dislipidemia e obesidade.

Referências: