Dra. Marcia Costa

CÂNCER DE PRÓSTATA: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A próstata é uma glândula que se localiza na parte baixa do abdome, logo abaixo da bexiga e à frente do reto, e só o homem a possui.

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A próstata envolve a porção inicial da uretra (tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada).

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma) e é a quarta causa de morte por neoplasias.

O câncer de próstata é a neoplasia mais comum em homens com mais de 50 anos de idade. 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.

Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte.

A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

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Anatomia masculina destacando a próstata

Os sintomas muitas vezes só se tornam aparentes quando a próstata é grande o suficiente para afetar a uretra e dificultar a liberação da urina.

Quando isso acontece, o homem pode perceber um aumento da necessidade de urinar, esforçando-se ao urinar e uma sensação de que bexiga não foi totalmente esvaziada.

Estes sinais não significam que a pessoa tem câncer de próstata. É mais provável que eles sejam causados por outro motivo, como a hiperplasia prostática benigna (também conhecida como hiperplasia benigna da próstata ou aumento da próstata).

Fatores de risco para o câncer de próstata

As causas do câncer de próstata são em grande parte desconhecidas, mas conhece-se alguns fatores de risco:

  • Idade: as chances de desenvolver câncer de próstata aumentam à medida que o homem envelhece. A maioria dos casos se desenvolve em homens com 50 anos ou mais.
  • História familiar: homens que têm parentes masculinos de primeiro grau (como um pai ou irmão) afetados por câncer de próstata antes dos 60 anos têm um risco aumentado em 3 a 10 vezes desenvolver este câncer. Pesquisas também mostram que ter um parente próximo do sexo feminino que desenvolveu câncer de mama também pode aumentar o risco de desenvolver câncer de próstata.
  • Grupo étnico: o câncer de próstata é mais comum entre homens de ascendência africano-caribenhos e africano, é relativamente raro entre os homens de Ásia.

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    O tomate contém carotenóides que reduzem o risco de câncer de próstata

  • Alimentação: a ingestão de carne vermelha, gorduras e leite e parece aumentar o risco de câncer de próstata. Enquanto o consumo de frutas, vegetais ricos em carotenóides (como o tomate e a cenoura) e leguminosas (como feijões, ervilhas e soja) parece ter um efeito protetor. Também têm papel protetor as vitaminas (A, D e E) e os minerais (selênio). Há evidências de uma dieta rica em cálcio está associada a um risco aumentado de desenvolver câncer de próstata. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.
  • Consumo excessivo de álcool e tabagismo: alguns estudos incluem estes fatores como de risco para o câncer de próstata.
  • Obesidade: uma pesquisa recente sugere que pode haver uma ligação entre obesidade e câncer de próstata.
  • Exercício: homens que se exercitam regularmente apresentam menor risco de desenvolver câncer de próstata.

Os sintomas do câncer de próstata

O câncer de próstata geralmente não causa sintomas até que o tumor tenha crescido suficientemente para pressionar e “apertar” a uretra.
Isto normalmente resulta em problemas relacionados com a micção. Os sintomas podem incluir:

  • Necessidade de urinar com mais frequência, muitas vezes durante a noite
  • Urgência miccional (vontade súbita de urinar associada ao desconforto na bexiga)
  • Dificuldade em começar a urinar (hesitação)
  • Esforço ou tomar um longo tempo ao urinar
  • Redução da força do jato urinário
  • Sensação de que a bexiga não esvaziou totalmente

Esses sintomas não devem ser ignorados, mas eles não querem dizer que a pessoa definitivamente tem câncer de próstata. Próstatas, em muitos homens, se tornam maiores à medida que envelhecem, devido a uma condição conhecida como hiperplasia prostática benigna, que não é câncer.

Os sintomas de que o câncer esta se espalhando incluem dor nas costas e nos ossos, perda de apetite, dor nos testículos e perda de peso inexplicada.

Diagnóstico do câncer de próstata

Os testes mais utilizados para o câncer de próstata são exames de sangue, exame físico de próstata (conhecido como exame de toque retal) e biópsia.

PSA

O antígeno específico da próstata (PSA) é uma proteína produzida pela glândula da próstata. Todos os homens têm uma pequena quantidade de PSA no sangue, e aumenta com a idade.

O câncer de próstata pode aumentar a produção de PSA, e por isso um teste de PSA procura por níveis elevados de PSA no sangue que pode ser um sinal da doença em seus estágios iniciais.

Entretanto, o teste de PSA não é um teste específico para o câncer de próstata. Mais de 65% dos homens com níveis de PSA elevado não têm câncer, pois os níveis de PSA sobem em todos os homens à medida que envelhecem.

O PSA pode estar aumentado devido a um câncer de próstata, mas também devido a um grande crescimento não-canceroso da próstata, a hiperplasia prostática benigna (HPB), ou a uma infecção do trato urinário ou inflamação da próstata (prostatite). Os níveis de PSA elevados em um homem com câncer de próstata não determinam o prognóstico.

Além de não estar elevado somente nos casos de câncer de próstata, muitos homens que têm câncer de próstata não apresentam um nível de PSA elevado, portanto, um teste de PSA não pode identificar o câncer de próstata por conta própria, e as mudanças nos níveis de PSA por si só não são um bom motivo para iniciar o tratamento. Um conjunto de fatores deve ser analisado pelo médico.

O PSA não é um exame de diagnóstico, mas de rastreamento. O valor preditivo positivo do PSA, ou seja, a chance de um PSA alterado indicar que o paciente tem câncer de próstata é em torno de 28%. O que significa que cerca de 72% dos pacientes com dosagem do PSA alterada não têm câncer de próstata e muitas vezes são submetidos a biópsias desnecessárias.

Segundo o INCA, aceita-se como valores limites normais até 4 ng/ml, porém podem existir tumores com PSA abaixo deste valor. Quando o PSA estiver acima de 10 ng/ml há indicação formal para biópsia. Para valores entre 4-10 ng/ml deve-se também levar em consideração a velocidade do PSA e a relação PSA livre/total.

Enfim, o resultado do teste de PSA não é conclusivo, já que um PSA elevado não é diagnóstico de câncer de próstata, e são necessários outros testes e investigações para diagnosticar o câncer de próstata.

Exame de toque retal

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Exame de toque retal

O próximo passo é um exame de toque retal.

O reto é perto da próstata, por isso o médico pode verificar e sentir se a superfície da glândula mudou através do reto. A pessoa pode se sentir um pouco desconfortável, mas não deve ser doloroso.

O câncer de próstata pode fazer a glândula ficar dura. No entanto, na maioria dos casos, o câncer não causa alterações na glândula e um exame de toque retal pode não ser capaz de detectar o câncer.

O exame de toque retal é útil para excluir o aumento da próstata causado por hiperplasia prostática benigna, pois, na hiperplasia prostática benigna, a glândula tem consistência firme e suave.

O exame de toque retal tem suas limitações, pois somente as porções posterior e lateral da próstata podem ser palpadas, deixando 40% a 50% dos tumores fora do seu alcance. Porém, apesar disso, as estimativas de sensibilidade variam entre 55% e 68% e é um exame extremamente importante.

Isoladamente, o valor preditivo positivo do exame de toque retal é estimado entre 25% e 28%. Mas quando utilizado em associação à dosagem do PSA, sua sensibilidade pode chegar a 95%.

Biópsia

Com base em uma série de fatores, incluindo os níveis de PSA, os resultados de um exame de toque retal, a idade do homem e a história familiar, o médico indicará a realização de uma biópsia.

O teste mais comumente utilizado é a biópsia guiada por ultrassom transretal.

O procedimento pode ser desconfortável e por vezes doloroso. Como acontece com qualquer processo, pode haver complicações, incluindo sangramento e infecção.

A biópsia é um exame que, quando positivo, dá 100% de certeza do diagnóstico, porém, quando negativo, não pode dar 100% de confiança. Isto porque o local exato do câncer na próstata é desconhecido. Os médicos podem ver a próstata através do exame de ultrassom, mas não o tumor se estiver presente. Assim, são coletados fragmentos de diversos pontos da próstata para aumentar a sensibilidade, mas pode acontecer, se o tumor for muito pequeno, de este não estar presente nas amostras coletadas.

Por esta razão, uma biópsia pode ser falso negativa em um em cada cinco homens com câncer de próstata. Isso significa que pode ser necessário realizar outra biópsia se os sintomas persistirem, ou o seu nível de PSA continua a subir.

As células cancerosas são avaliadas quanto à sua semelhança com as células prostáticas normais e classificadas numa escala de graduação do câncer da próstata que varia de 1 a 5, com o grau 1 sendo a forma menos agressiva, pois quanto mais semelhante, menos agressiva.

Gleason

As amostras de tecido a partir da biópsia são estudadas e, se as células cancerosas são encontradas, é realizado um escore para estimar o quão rapidamente o câncer pode se espalhar.

Esta medida é conhecida como a pontuação de Gleason, que varia de 2 a 10. O patologista gradua de 1 a 5 as duas áreas mais frequentes do tumor e soma os resultados. Quanto mais baixo é o escore de Gleason, melhor será o prognóstico do paciente e menor a probabilidade de o câncer se espalhar.

A pontuação de Gleason de 2 a 4 significa que é improvável que o câncer se espalhe.

A pontuação de Gleason de 5 a 7 significa que há uma chance moderada de o câncer se espalhar, o que depende de outros fatores.

A pontuação de Gleason de 8 ou acima significa que há uma chance significativa de o câncer se espalhar, com dano em outros órgãos, afetando a sobrevida.

Ultrassom transretal

Pode ser usado para orientar a biópsia da próstata. Também pode ser útil na determinação do volume prostático e para avaliar a extensão local da doença.

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Cintilografia óssea

Cintilografia óssea

Uma vez diagnosticado o câncer de próstata, é fundamental no estadiamento do tumor.

A cintilografia óssea é um exame altamente sensível, porém pouco específico. É indicada em todo paciente portador de câncer da próstata com PSA > 20ng/ml e PSA entre 10-20 com graduação histológica de Gleason > 7.

Ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Os mesmos parâmetros acima devem ser utilizados para a pesquisa de metástases linfonodais utilizando-se métodos de imagem pélvica como o ultrassom, a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética.

Tratamento do câncer de próstata

O tratamento vai depender de circunstâncias individuais. Dependendo do tipo de câncer de próstata que a pessoa tem, sua vida pode ser afetada de diferentes formas.

O tratamento deve ser individualizado para cada paciente levando-se em conta a idade, o estadiamento do tumor, o grau histológico, o tamanho da próstata, as co-morbidades, a expectativa de vida, os anseios do paciente e os recursos técnicos disponíveis.

Ao contrário de muitos outros tipos, a maioria dos cânceres de próstata evolui lentamente. Os homens podem tê-lo por anos sem sintomas. Durante este tempo, os homens com câncer de próstata de baixo risco (que não se espalhou além da próstata) podem não precisar de tratamento.

O bom atendimento significa manter a observação sobre o câncer, garantindo que não se desenvolva em um câncer de rápido crescimento. Isto porque, num câncer de baixíssima probabilidade de evolução, o tratamento pode trazer muito mais dano à qualidade de vida do que o próprio tumor. Esta conduta é a chamada observação vigilante.

Observação vigilante

“Observação vigilante é uma opção frente à doença localizada, porém deve ser empregada apenas em pacientes acima de 75 anos, com expectativa de vida limitada e tumores de baixo grau histológico. “(INCA)

Cerca de um em cada cinco homens com câncer de próstata tem um câncer de rápido crescimento. Estes homens cujo câncer é mais propenso a se espalhar devem ser submetidos ao tratamento.

Todas as opções de tratamento acarretam o risco de efeitos secundários significativos, incluindo a disfunção erétil e incontinência urinária. Por esta razão, muitos homens optam por adiar o tratamento até que haja um risco de que o câncer pode se espalhar.

Quando o tratamento é necessário, o objetivo é o de curar ou controlar a doença, de modo que não reduza a expectativa de vida e afete a vida quotidiana tão pouco quanto possível. Às vezes, se o câncer já se espalhou, o objetivo não é curar, mas prolongar a vida e atrasar ou aliviar os sintomas.

As opções de tratamento incluem cirurgia para retirada da próstata, radioterapia e supressão androgênica (cirúrgica ou medicamentosa).

A quimioterapia também está indicada na doença metastática.

A quimioterapia pode causar queda de cabelo que é reversível depois do tratamento. Esse tipo de queda de cabelo é chamado de eflúvio anágeno.

Leia sobre eflúvio anágeno no artigo Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte II. Para outros tipos de queda de cabelo, recomendamos ler a primeira parte: Queda de Cabelo: Tipos de Alopecia – parte I.

Pessoas com câncer devem ser tratadas por uma equipe multidisciplinar. Esta é uma equipe de especialistas que trabalham em conjunto para oferecer o melhor tratamento e cuidados.

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Prevenção

Já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis.

Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.

Referências

MELASMA: Manchas Escuras na Pele do Rosto

Melasma é uma mancha de pele adquirida, de cor acastanhada ou marrom, nas áreas expostas ao sol, principalmente no rosto. Essa hiperpigmentação é por excesso de melanina nestas áreas.

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O melasma apresenta-se geralmente como manchas simétricas, que podem ser confluentes (como uma única grande mancha) ou ponteada (diversas manchas de pequenas dimensões).

As bochechas, a região acima do lábio superior, o queixo e a testa são os locais mais comuns, mas melasma pode ocorrer ocasionalmente em outras localidades expostas ao sol.

As mulheres são as principais afetadas, mas os homens não estão livres do problema.

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Cloasma é um termo sinônimo por vezes utilizado para descrever a ocorrência de melasma durante a gravidez.

O cloasma é derivado da palavra grega chloazein, que significa “ser verde”. Melas, também grego, significa “negro”. Como a pigmentação nunca é verde na aparência, melasma é o termo preferido.

Sol, gravidez e anticoncepcionais orais

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O risco de desenvolver manchas no rosto aumenta durante a gravidez

Em muitos casos, uma relação direta com a atividade hormonal feminina parece estar presente porque melasma ocorre com a gravidez e com o uso de pílulas anticoncepcionais orais.

Para ler sobre gravidez recomendamos o texto GRAVIDEZ: 9 sinais e sintomas precoces.

Outros fatores implicados na causa do melasma são medicamentos fotossensibilizantes, disfunção da tireóide ou ovário e certos cosméticos. Muitas mulheres desenvolvem manchas na pele sem apresentar esses históricos.

O fator mais importante no desenvolvimento de melasma é a exposição à luz solar.

A exposição intensa ou crônica à luz solar pode precipitar o surgimento do melasma ou piorar a mancha se precipitada por outros fatores, porém o desenvolvimento da pigmentação é muitas vezes lento e os pacientes podem não reconhecer a associação com a exposição solar.

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Melanoma

Essa radiação ultravioleta que pode induzir o desenvolvimento de melasma, também pode levar ao desenvolvimento de um câncer de pele extremamente maligno, o melanoma. Sobre melanoma, conversamos no artigo Melanoma: Sinais, Riscos e Prevenção.

Mais uma razão para usar protetor solar, é em quem tem “espinhas” na pele (acne). pois a radiação ultravioleta piora as manchas deixadas pela inflamação na pele, conforme pode ser lido no artigo Acne (Cravos e Espinhas): Entenda as Causas.

Epidemiologia do melasma

Raça

Pessoas de qualquer raça podem ter melasma. No entanto, melasma é muito mais comum em pessoas constitucionalmente de pele mais escura do que de pele mais clara, e isso pode ser mais comum em pessoas de pele castanho-claro, especialmente os hispânicos e asiáticos, em áreas do mundo com intensa exposição ao sol.

Sexo

Melasma é muito mais comum em mulheres do que em homens. As mulheres são afetadas em 90% dos casos. Quando os homens são afetados, o quadro clínico é idêntico.

Idade

Melasma é raro antes da puberdade e ocorre mais comumente em mulheres durante seus anos reprodutivos.

Diagnóstico

A hiperpigmentação do melasma é geralmente acastanhada ou marrom. Azul ou preta pode ser evidente em pacientes com melasma dérmico.

Existem alguns padrões distintos:

  • Padrão Centrofacial: testa, bochechas, nariz e lábio superior
  • Padrão Malar: bochechas e nariz
  • Padrão face lateral
  • Padrão Mandibular: queixo
  • Melasma tipo braquial: afeta os ombros e braços (também chamado discromatose cutânea braquial adquirida)
  • Pescoço e colo também podem ser afetados

O melasma pode ser separado em três tipos: epidérmico (mais superficial), dérmico (mais profundo) e misto.

O excesso de melanina para a epiderme ou derme pode ser localizado, visualmente, pelo uso de uma lâmpada de Wood (comprimento de onda 340-400 nm). O pigmento epidérmico é reforçado durante o exame com uma luz de Wood, enquanto o pigmento cutâneo não é. Clinicamente, uma grande quantidade de melanina dérmica é suspeita se a hiperpigmentação é preto azulado. Em indivíduos com pele mais morena, o exame com uma luz de Wood não localiza o pigmento, e estes pacientes são, portanto, classificados como indeterminado.

tipos de manchas

Normalmente, nenhum exame laboratorial é indicado para melasma. Conforme o caso, o médico pode considerar verificar a função da tireóide ou ovário.

Fatores que podem causar melasma

Predisposição genética

A predisposição genética é um fator importante no desenvolvimento de melasma. Melasma é muito mais comum em mulheres do que em homens. Pessoas com tipos castanho-claros de pele das regiões do mundo com intensa exposição ao sol são muito mais propensos ao desenvolvimento de melasma. Mais de 30% dos pacientes têm uma história familiar de melasma.

Influências hormonais

Influências hormonais desempenham um papel importante em alguns indivíduos.

A máscara da gravidez é bem conhecida das gestantes. O mecanismo exato pelo qual a gravidez causa melasma é desconhecido.

Estrogênio, progesterona e os níveis de hormônio estimulante de melanócitos (MSH) estão normalmente elevados durante o terceiro trimestre da gravidez. No entanto, há pessoas que nunca engravidaram e, portanto, nunca tiveram essa elevação de hormônios, e têm melasma.

Por outro lado, a ocorrência de melasma em mulheres que usam pílulas contraceptivas orais contendo estrogênio e progesterona e em homens em tratamento de câncer da próstata com dietilestilbestrol tem sido relatada.

A observação de que em mulheres após a menopausa que tomam progesterona desenvolvem melasma, enquanto que aquelas que tomam apenas estrogênio não desenvolvem manchas na pele, indica que a progesterona desempenha um papel crítico no desenvolvimento do melasma.

Um estudo encontrou um aumento de 4 vezes de doenças da tireóide em pacientes com melasma. Outro estudo demonstrou uma associação entre o desenvolvimento de melasma e a presença de nevos melanocíticos (um tipo de “pinta” ou “sinal” na pele) e lentigos (pequenas manchas planas ou ligeiramente elevadas com bordas bem definidas): pacientes com melasma apresentam um número significativamente maior de ambos os tipos de nevos. Isto parece indicar uma relação entre o desenvolvimento de melasma e a presença geral de pigmentação.

Exposição à luz solar

Outro fator importante no melasma é a exposição à luz solar. A radiação ultravioleta pode provocar a peroxidação de lípidos em membranas celulares, conduzindo à geração de radicais livres, o que pode estimular os melanócitos para produzir um excesso de melanina. Protetores solares que bloqueiam principalmente a radiação UV-B (290-320 nm), são insatisfatórios porque comprimentos de onda mais longos, como UV-A (320-400 nm) e radiação da luz visível (400-700 nm), também estimulam melanócitos a produzir melanina.

radiação solar

Radiações ultravioleta: tanto UVA como a UVB causam danos na pele, mas a UVA não queima e não varia a intensidade durante o ano, dando a falsa impressão de que “não há sol”. Sol é luz!

As influências genéticas e hormonais, em combinação com a radiação ultravioleta são as duas causas mais importantes de melasma.

Ainda, medicamentos fototóxicos e fotoalérgicos e certos cosméticos têm sido relatados como causa de melasma.

Tratamento do melasma

Melasma podem ser difíceis de tratar. O pigmento do melasma se desenvolve gradualmente, e a resolução também é gradual. Casos resistentes ou recorrentes de melasma ocorrem frequentemente e principalmente devido a não se evitar adequadamente a luz solar. Todos os comprimentos de onda da luz solar, incluindo as do espectro visível, são capazes de induzir o melasma.

Basicamente

O melhor tratamento continua sendo o uso tópico de hidroquinona (explicado mais adiante), nenhuma exposição ao estrogênio e evitar o sol (uso de protetor solar e de chapéus).

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Peelings químicos, laser e outros métodos

Peelings químicos ou laser podem ajudar em cerca de um terço dos casos, um terço dos casos permanecem não respondem, e outro terço dos casos mostram hiperpigmentação, ou seja: pioram.

Soluções rápidas por métodos que agridem a pele para promover a troca de células (por exemplo, crioterapia, peelings químicos de média profundidade, lasers e luz intensa pulsada) produzem resultados imprevisíveis e estão associados a uma série de efeitos adversos potenciais, incluindo necrose epidérmica, hiperpigmentação pós-inflamatória (mais mancha), e cicatrizes hipertróficas.

Os casos certos em que estes métodos podem ser utilizados ainda não foram completamente determinados.

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O laser pode ser opção de tratamento

Laser Nd:Yag, laser CO2 fracionado, laser Q-S ruby e laser Q-S Alexandrite não são mais recomendados por causa do alto risco de piorar o melasma. No entanto, em mãos experientes, podem ser considerados relativamente seguros e eficazes e produzir resultados muito mais rápidos do que os medicamentos tópicos.

A fim de alcançar melhores resultados com esses métodos descritos, um tratamento tópico com uma combinação de hidroquinona, ácido retinóico e corticoide deve ser iniciado previamente e, no caso do laser, pelo menos 8 semanas antes.

Dermoabrasão e microdermoabrasão não são recomendados, pois podem também causar hiperpigmentação pós-inflamatória.

Estudos mais cuidadosos são necessários para que o laser possa ser recomendado como tratamento padrão.

Tratamento tópico (com “cremes”)

A hidroquinona tópica permanece o medicamento padrão para o tratamento. A eficácia é diretamente ligada à concentração, mas a incidência de efeitos adversos também aumenta com a concentração. Mesmo em concentrações de 4% ou menos, alguns pacientes experimentam efeitos adversos do tratamento tópico com hidroquinona, por isso, o uso de hidroquinona deve ser acompanhado por um médico. Todas as concentrações podem levar à irritação da pele, reações fototóxicas com hiperpigmentação pós-secundária, ocronose exógena irreversível (uma descoloração cinzenta azulada relatada mesmo com o uso a longo prazo de 2%) e hipopigmentação indesejada.

A utilização de ácido retinóico pode ser eficaz como monoterapia. Contudo, a resposta ao tratamento é menor e pode ser muito lenta.

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O tratamento com creme com hidroquinona ainda é o mais eficaz na maioria dos casos

O tratamento tópico com uma combinação de hidroquinona, ácido retinóico e corticoide é mais rápido e mais eficaz na redução da pigmentação do melasma do que o uso isolado de hidroquinona ou de ácido retinóico, e não apresenta um risco aumentado de reação adversa.

O principal efeito adverso desta combinação é a irritação da pele, em geral, leve, especialmente quando as concentrações mais elevadas são usadas. Também pode ocorrer fotossensibilidade temporária e hiperpigmentação paradoxal.

O ácido retinóico aumenta da rotatividade dos queratinócitos (células de revestimento da pele), limitando, assim, a transferência de melanossomos (corpúsculos intra-celulares que armazenam a melanina) para os queratinócitos. A hidroquinona atua nos melanócitos (células produtoras de melanina), bloqueando a produção e aumentando a degradação dos melanossomos. A hidroquinona também bloqueia a ação da enzima tirosinase, que tem participação na formação da melanina.

Ácido azeláico parece ser uma alternativa eficaz para hidroquinona no tratamento de melasma. O mecanismo de ação não é totalmente compreendido. O ácido azeláico inibe a síntese de DNA e enzimas mitocondriais para interromper melanócitos hiperativos. Melanócitos funcionando normalmente não são inibidos. Ao contrário da hidroquinona, o ácido azeláico parece visar apenas melanócitos hiperativos e, portanto, não produz clareamento na pele com melanócitos funcionando normalmente. O efeito colateral principal é a irritação da pele. Nenhuma reação fototóxica ou foto-alérgica foi relatada. É seguro mesmo durante a gravidez.

Outros agentes de despigmentação que têm sido estudados para o tratamento da melasma são 4-N-butylresorcinol, tioéter fenólico, 4-isopropylcatechol, ácido kójico e ácido ascórbico.

Tratamento por via oral

Tem-se observado que o uso de pycnogenol (uma proantocianidina que é uma classe de flavonóides) por via oral, juntamente com um regime de vitamina pode reduzir significativamente a pigmentação. Atualmente, o mecanismo deste método de tratamento não é totalmente compreendido. Significativamente mais estudos são necessários antes que este método de tratamento pode ser considerado eficaz. Um dos principais benefícios para este modo, no entanto, é que o uso de pycnogenol é um método de tratamento natural, e é uma alternativa segura para pacientes que apresentam uma reação adversa severa ou moderada a um tratamento tópico.

Prognóstico do melasma

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O pigmento dérmico pode demorar mais tempo para resolver do que o pigmento epidérmico, porque nenhum tratamento eficaz é capaz de remover a pigmentação da derme. Contudo, o tratamento não deve ser suspenso simplesmente por causa de uma preponderância de pigmento dérmico.

A fonte do pigmento dérmico é a epiderme, e, se a melanogênese (produção de melanina) epidérmica for inibida por longos períodos, o pigmento dérmico não será reposto e irá resolver lentamente.

Casos resistentes ou recorrências de melasma ocorrem frequentemente por não se evitar corretamente a luz solar.

Enfim, para tentar evitar o surgimento do melasma, melhorar a eficácia do tratamento e manter o resultado de tratamento por mais tempo, evite a exposição solar intensa: use chapéu de abas largas no verão e use protetor solar que proteja da luz visível e das radiações UVB (FPS 30) e UVA durante o ano inteiro.

As preocupações com a deficiência de vitamina D são superadas com suplementos que contenham pelo menos 1000 UI de vitamina D por dia. 

Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Referências

DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I

A depressão é mais do que simplesmente sentir-se triste por alguns dias. Tristeza é apenas um dos sintomas da depressão, como veremos neste texto.

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Todo mundo passa por períodos de tristeza, mas quando a pessoa está deprimida, ela se sente persistentemente triste por semanas ou meses, ao invésde apenas alguns dias.

Pensar que é um problema trivial e não uma condição de saúde genuína é errado. A depressão é uma doença real, com sintomas reais, e não é um sinal de fraqueza ou algo que a pessoa pode “pular fora” sozinha.

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Depressão é mais do que tristeza.

É uma doença que causa uma sensação persistente de tristeza e perda de interesse.

Ela afeta o modo como a pessoa se sente, pensa e se comporta.

Esta doença pode levar a uma variedade de problemas emocionais e físicos. A pessoa pode ter problemas para fazer atividades normais do dia-a-dia, e se sentir como se a vida não valesse a pena viver. Algumas pessoas sentem-se geralmente miseráveis ou infelizes sem saber por quê.

A depressão é uma doença crônica que geralmente requer tratamento de longo prazo, como diabetes ou pressão arterial elevada. A maioria das pessoas pode ter uma recuperação completa com medicamentos, acompanhamento psicológico e apoio.

Neste texto conversaremos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações da doença não tratada. Este texto continua no artigo DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II, que aborda o tratamento.

Sintomas incluem:

  • Sentimentos de tristeza, infelicidade
  • Irritabilidade ou frustração, mesmo em pequenas coisas
  • Perda de interesse ou prazer nas atividades normais
  • Desejo sexual reduzido
  • Insônia ou sono excessivo
  • Alterações no apetite – depressão muitas vezes provoca diminuição do apetite e perda de peso, mas em algumas pessoas ela provoca aumento do desejo por comida e ganho de peso
  • Agitação ou inquietação
  • Irritabilidade ou acessos de raiva
  • Desaceleração ao pensar, falar ou nos movimentos do corpo
  • Fadiga, cansaço e perda de energia – até mesmo pequenas tarefas podem parecem exigir muito esforço
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa, fixar-se em erros do passado ou se culpar quando as coisas não estão indo bem
  • Dificuldade para pensar, concentrar-se, tomar decisões e lembrar das coisas
  • Pensamentos frequentes de morte ou suicídio
  • Crises de choro sem motivo aparente
  • Problemas físicos inespecíficos, como dores nas costas ou dores de cabeça

Para algumas pessoas, os sintomas são tão graves que é óbvio que algo não está certo. Para outras, os sintomas vêm de tão longo tempo que a própria pessoa e as pessoas que a cercam acreditam que é “o jeito próprio da pessoa ser”.

A depressão afeta cada pessoa de diferentes maneiras, e assim os sintomas causados por depressão variam de pessoa para pessoa. Traços herdados, idade, sexo e formação cultural, todos desempenham um papel na forma como a depressão pode afetar cada um.

Sintomas em crianças e adolescentes

Os sintomas mais comuns podem ser um pouco diferentes nas crianças e nos adolescentes de como são nos adultos.

Em crianças menores, os sintomas podem incluir tristeza, irritabilidade, falta de esperança e preocupação.

Os sintomas em adolescentes podem incluir ansiedade, raiva e evitar a interação social.

Mudanças no pensamento e sono são sinais comuns em adolescentes e adultos, mas não são tão comuns em crianças mais jovens.

depressão infantil

As crianças também podem sofrer de depressão

Em crianças e adolescentes, a depressão muitas vezes ocorre juntamente com problemas de comportamento e outras condições de saúde mental, tais como ansiedade ou transtorno de déficit de atenção (TDA).

O rendimento escolar pode cair em crianças que estão deprimidas.

Sintomas em idosos

A depressão não é uma parte normal do envelhecimento. No entanto, a depressão pode ocorrer e ocorre em idosos. Infelizmente, muitas vezes não é diagnosticada e tratada. Muitos idosos se sentem relutantes em procurar ajuda quando eles estão se sentindo para baixo.

Em idosos, pode seguir não diagnosticada porque os sintomas – por exemplo, fadiga, perda de apetite, problemas de sono ou perda de interesse em sexo – podem parecer ser causados por outras doenças.

Idosos podem ter sintomas menos óbvios. Eles podem sentir-se insatisfeitos com a vida em geral, entediados, impotentes ou sem valor.

Eles podem sempre querer ficar em casa, em vez de sair para socializar ou fazer coisas novas.

Pensamentos suicidas em idosos são um sinal de depressão grave, especialmente nos homens. De todas as pessoas com depressão, os idosos do sexo masculino estão em maior risco de suicídio.

Quando consultar um médico

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Médico e psicólogo devem ser consultados

Uma pessoa que se sente deprimida deve fazer uma consulta com um médico assim que possível.

Sintomas de depressão não melhoram por conta própria e a depressão pode piorar se não for tratada. A depressão não tratada pode levar a outros problemas de saúde ou problemas em outras áreas de sua vida física e mental.

Sentimentos de depressão também podem levar ao suicídio.

Causas

Não se sabe exatamente o que causa a depressão. Tal como acontece com muitas doenças mentais, uma variedade de fatores pode estar envolvida. Estes fatores incluem:

  • Diferenças biológicas: algumas pessoas com depressão parecem ter mudanças físicas em seus cérebros. O significado destas mudanças ainda é incerto.
  • Neurotransmissores: são substâncias químicas liberadas pelos neurônios no cérebro e utilizadas para a transferência de informações entre eles.  Os neurotransmissores têm papel importante na depressão. Mas falaremos disso mais adiante.
  • Hormônios: alterações no equilíbrio dos hormônios podem causar ou desencadear a depressão. Alterações hormonais podem resultar de problemas de tireóide, menopausa ou uma série de outras condições.
  • Traços herdados: a depressão é mais comum em pessoas cujos membros da família biológica também têm essa condição. Os pesquisadores estão tentando encontrar os genes que podem estar envolvidos na causa da depressão.
  • Eventos de vida: certos eventos, como a morte ou a perda de um ente querido, problemas financeiros e de alta tensão, podem desencadear a depressão em algumas pessoas.
  • Trauma na primeira infância: eventos traumáticos durante a infância, como abuso ou perda dos pais, podem causar alterações permanentes no cérebro que o tornam mais suscetível à depressão.

Fatores de risco

A depressão geralmente começa na adolescência, e no adulto jovem (20 ou 30 anos), mas pode acontecer em qualquer idade. As mulheres têm duas vezes mais esta condição que os homens, mas essa estatística pode ser devida, em parte, porque as mulheres são mais propensas a procurar tratamento e revelar o problema.

Embora a causa exata não seja conhecida, alguns fatores que parecem aumentar o risco de desenvolvimento ou desencadeamento da depressão foram identificados, incluindo:

  • Ter parentes biológicos com a depressão
  • Ser mulher
  • Experiências traumáticas na infância
  • Ter membros da família ou amigos que foram deprimidos
  • Eventos de vida estressantes, como a morte de um ente querido
  • Ter poucos amigos ou outras relações pessoais
  • Recentemente ter dado à luz (depressão pós-parto)
  • História de depressão anteriormente
  • Ter uma doença grave, tais como câncer, diabetes, doença cardíaca, doença de Alzheimer ou o HIV / SIDA
  • Tendo certos traços de personalidade, como ter baixa auto-estima e ser excessivamente dependente, auto-crítico ou pessimista
  • Abusar do álcool, nicotina ou drogas ilícitas
  • Certos medicamentos para hipertensão arterial, para dormir ou certos outros medicamentos (a pessoa deve falar com o médico antes de interromper qualquer medicação que ache que poderia estar afetando o seu estado de espírito)

Há associação entre deficiência de vitamina D e depressão. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Complicações

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A pessoa deprimida muitas vezes se afasta dos amigos

Complicações associadas podem incluir:

  • Abuso de álcool
  • Abuso de outras drogas
  • Ansiedade
  • Problemas no trabalho ou na escola
  • Conflitos familiares
  • Dificuldades de relacionamento
  • Isolamento social
  • Suicídio
  • Auto-mutilação, como cortes
  • Morte prematura por outras doenças

Os critérios de diagnóstico

Para ser diagnosticada com depressão, a pessoa deve ter cinco ou mais dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas. Pelo menos um dos sintomas deve ser um humor deprimido ou uma perda de interesse ou prazer. Os sintomas podem ser baseados em seus próprios sentimentos ou podem basear-se nas observações de alguém. Eles incluem:

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Alterações de humor e de comportamento são comuns

  • Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, como se sentindo triste, vazio ou choro constante (em crianças e adolescentes, humor depressivo pode aparecer como irritabilidade constante)
  • Diminuição do interesse ou não sentir prazer em todas – ou quase todas – as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias
  • Perda de peso significativa quando não estiver de dieta, ganho de peso, ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias (em crianças, a incapacidade de ganhar peso como o esperado pode ser um sinal)
  • Insônia ou aumento do desejo de dormir quase todos os dias
  • Agitação ou comportamento lento que pode ser observada por outros
  • Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias
  • Dificuldade em tomar decisões, ou problemas para pensar ou concentrar-se quase todos os dias
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio ou tentativa de suicídio

Outras condições que causam os sintomas da depressão

Existem várias outras condições com sintomas que podem incluir depressão. É importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado para sua condição particular. Um médico ou um psicólogo vai ajudar a determinar se os sintomas de depressão são causados por uma das seguintes condições:

  • Transtorno de adaptação: um transtorno de adaptação é uma reação emocional grave a um evento difícil em sua vida. É um tipo de doença mental relacionada ao stress que pode afetar os sentimentos, pensamentos e comportamentos.
  • Transtorno bipolar: este tipo de transtorno é caracterizado por mudanças de humor que alternam períodos de “tristeza profunda” com “alegria intensa”. Às vezes, é difícil distinguir entre transtorno bipolar e depressão, mas é importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado e medicamentos.
  • Ciclotimia: também chamada de transtorno ciclotímico, é uma forma mais branda da doença bipolar.
  • Distimia: é uma forma menos grave, mas mais crônica de depressão. Embora geralmente não seja incapacitante, a distimia pode impedir a pessoa de funcionar normalmente em sua rotina diária e de viver a vida em sua plenitude.
  • Depressão pós-parto: este é um tipo comum que ocorre em novas mães. Muitas vezes ocorre entre duas semanas e seis meses após o parto.
  • Depressão psicótica: esta é uma condição grave acompanhada por sintomas psicóticos, tais como ilusões e alucinações.
  • Transtorno afetivo sazonal: este tipo está relacionado com mudanças nas estações e exposição reduzida ao sol.

Certifique-se de entender que tipo de depressão a pessoa tem para que ela possa aprender mais sobre a sua situação específica e seus tratamentos.

Referências

DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II

A emoção humana normal que às vezes chamamos “depressão” é uma resposta comum a uma perda, fracasso ou decepção.

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Todas as faixas etárias e todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos podem experimentar depressão..

A depressão doença é diferente. É uma doença biológica e emocional que afeta os pensamentos, os sentimentos, o comportamento, o humor e a saúde física.

A depressão é uma condição ao longo da vida na qual períodos de bem-estar alternam com recorrências de doença e pode necessitar de tratamento de longo prazo para evitar o retorno dos sintomas, assim como em qualquer outra doença crônica.

Todas as faixas etárias e todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos podem experimentar depressão. Alguns indivíduos podem ter apenas um episódio de depressão na vida, mas muitas vezes as pessoas têm episódios recorrentes.

Se não tratada, os episódios geralmente duram de alguns meses a muitos anos.

No texto anterior,  DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I, conversamos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações de uma depressão não tratada. Neste texto abordamos o tratamento da depressão.

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A depressão pode e deve ser tratada o mais cedo possível

Tratamento da depressão

Inúmeros tratamentos de depressão estão disponíveis. Medicamentos e acompanhamento psicológico (psicoterapia) são muito eficazes para a maioria das pessoas.

Em alguns casos, um médico generalista ou de outra especialidade que acompanha a pessoa por outros motivos, como o ginecologista, pode receitar medicamentos para aliviar os sintomas de depressão. No entanto, muitas pessoas precisam ver um psiquiatra.

Muitas pessoas com depressão também podem se beneficiar do acompanhamento com um psicólogo. Normalmente, o tratamento mais eficaz para a depressão é uma combinação de medicamentos e psicoterapia.

Se a pessoa tem depressão grave, um responsável pode ter de guiar o seu cuidado até que esteja bem o suficiente para participar na tomada de decisão. A pessoa pode precisar de uma internação hospitalar, ou acompanhamento ambulatorial até que os sintomas melhorem.

Mas o que são neurotransmissores?

A célula que compõe o Sistema Nervoso é o neurônio e a atividade neuronal representa a comunicação entre os neurônios. Toda atividade cerebral se dá através da atividade dos neurônios.

A forma de comunicação entre os neurônios se faz por substâncias químicas e por estímulos elétricos. As substâncias químicas são os neurotransmissores.

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Neurotransmissores são substâncias químicas que fazem transferência de informações entre os neurônios

Os neurotransmissores são produzidos pelos próprios neurônios e fazem a transferência de informações entre eles.

A irregularidade na produção de neurotransmissores afeta a transmissão de informações entre os neurônios e, portanto, afeta o pensamento, sendo um fator importante na depressão.

Opções de tratamento da depressão

Medicamentos

Diversos medicamentos antidepressivos estão disponíveis para tratar a depressão. Existem vários tipos diferentes de antidepressivos. Os antidepressivos regulam os neurotransmissores para mudar o humor.

Tipos de antidepressivos incluem:

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina – muitos médicos iniciam o tratamento da depressão por prescrever um inibidor seletivo da recaptação da serotonina. Estes medicamentos são mais seguros e geralmente causam menos efeitos colaterais incômodos do que os outros tipos de antidepressivos. Os efeitos colaterais mais comuns incluem a diminuição do desejo sexual e orgasmo retardado. Outros efeitos secundários podem desaparecer à medida que o seu corpo ajusta à medicação. Eles podem incluir problemas digestivos, nervosismo, agitação, dor de cabeça e insônia.

Inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina – Os efeitos colaterais são semelhantes aos causados pelos inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Estes medicamentos podem causar aumento da sudorese, boca seca, ritmo cardíaco acelerado e constipação.

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Os medicamentos antidepressivos restabelecem os níveis normais de neutransmissores e regularizam o funcionamento dos neurônios

Antidepressivos atípicos – estes medicamentos são chamados de atípicos, porque eles não se encaixam perfeitamente em outra categoria antidepressivo. Alguns destes antidepressivos são sedativos e são normalmente tomados à noite. Em alguns casos, um destes medicamentos é adicionado a outros antidepressivos para ajudar com o sono.

Antidepressivos tricíclicos – estes antidepressivos têm sido usados por muitos anos e são geralmente tão eficazes como os novos medicamentos. Mas porque eles tendem a ter mais efeitos colaterais e de maior gravidade, os antidepressivos tricíclicos, em geral, não são prescritos a menos que a pessoa já tenha tentado um inibidor seletivo da recaptação da serotonina primeiro sem uma melhora na sua depressão. Os efeitos colaterais podem incluir boca seca, visão turva, constipação, retenção urinária, taquicardia e confusão. Os antidepressivos tricíclicos também são conhecidos por causar ganho de peso.

Inibidores da monoamina oxidase (IMAO) – IMAO são geralmente prescritos como um último recurso, quando outros medicamentos não funcionaram. Isso porque IMAO podem ter graves efeitos secundários nocivos. Eles exigem uma dieta rigorosa por causa de interações perigosas (ou mesmo mortal) com alimentos, como certos queijos, conservas e vinhos, e alguns medicamentos, incluindo descongestionantes. Estes medicamentos não podem ser combinados com os inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

Outras estratégias de medicação – o médico pode sugerir outros medicamentos para tratar sua depressão. Estes podem incluir estimulantes, medicamentos estabilizadores do humor, medicamentos contra a ansiedade ou medicamentos antipsicóticos. Em alguns casos, o médico pode recomendar a combinação de dois ou mais antidepressivos ou outros medicamentos para melhor efeito.

Encontrar o remédio certo

Todo mundo é diferente, assim, encontrar o medicamento ou medicamentos para a pessoa provavelmente pode levar a algumas tentativas e erros até encontrar o tratamento certo. Isso requer paciência, pois alguns medicamentos precisam de oito semanas ou mais para chegar ao efeito máximo e/ou para aliviar os efeitos colaterais. Se a pessoa tiver efeitos colaterais incômodos, não deve deixar de tomar o antidepressivo sem consultar o médico primeiro. Alguns antidepressivos podem causar sintomas de abstinência. A dose deve ser reduzida lentamente, pois parar de repente pode causar um súbito agravamento da depressão.

Antidepressivos e gravidez

Se a pessoa estiver grávida ou a amamentando, alguns antidepressivos podem representar um risco de saúde para o feto ou para a criança. A pessoa deve conversar com o médico se engravidar ou estiver pensando em engravidar.

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Psicoterapia: colocando o pensamento nos “eixos”

Psicoterapia

Acompanhamento psicológico é outro tratamento chave da depressão. A psicoterapia é um termo geral para uma forma de tratar a depressão, falando sobre a sua condição e as questões relacionadas com um psicólogo.

Através das sessões de psicoterapia, a pessoa aprenderá sobre as causas da depressão para que possa se entender melhor. A pessoa também aprenderá a identificar e fazer alterações no comportamento ou pensamentos, explorar as relações e experiências, encontrar melhores maneiras de lidar e resolver problemas e estabelecer metas realistas para a sua vida.

A psicoterapia pode ajudar a recuperar um sentimento de felicidade e de controle em sua vida e ajudar a aliviar os sintomas de depressão, tais como desespero e raiva. Ela também pode ajudar a pessoa a ajustar-se a uma crise ou outra dificuldade atual.

Existem vários tipos de psicoterapia que são eficazes para a depressão.

Terapia cognitivo-comportamental é uma das terapias mais utilizadas. Este tipo de terapia ajuda a identificar as crenças e comportamentos negativos e substituí-los por saudáveis e positivos. Ele é baseado na idéia de que seus próprios pensamentos – e não outras pessoas ou situações – determinam como a pessoa se sente ou se comporta. Mesmo se uma situação indesejada não mudar, a pessoa pode mudar a maneira de pensar e se comportar de uma forma positiva.

O psicólogo definirá qual o melhor tipo de terapia, conforme a pessoa.

A eletroconvulsoterapia (ECT)

Em ECT, correntes eléctricas são passados através do cérebro. Este procedimento afeta os níveis de neurotransmissores no cérebro. Embora muitas pessoas desconfiem da ECT e seus efeitos colaterais, a ECT normalmente oferece alívio imediato na depressão grave quando outros tratamentos não funcionam. O efeito secundário mais comum é a confusão, a qual pode durar de poucos minutos a várias horas. Algumas pessoas também têm perda de memória, que normalmente é temporário.

A eletroconvulsoterapia é indicada para pessoas com depressão grave que não melhoram com medicamentos e para aqueles com alto risco de suicídio.

Hospitalização

Em algumas pessoas, a depressão é tão grave que é necessária uma internação hospitalar. Hospitalização pode ser necessária se a pessoa não é capaz de cuidar de si mesmo corretamente ou quando a pessoa está em perigo imediato de prejudicar a si mesmo ou alguém. Receber tratamento psiquiátrico em um hospital pode ajudar a mantê-lo calmo e seguro até o seu humor melhorar.

Estilo de vida

A depressão não é uma doença que a pessoa pode se tratar por conta própria. Mas a pessoa pode fazer algumas coisas para si mesmo. Além do tratamento profissional, ela deve fazer as seguintes coisas:

  • Ser firme no seu plano de tratamento: não faltar às sessões de psicoterapia e aos compromissos, mesmo que não sinta vontade de ir. Mesmo se a pessoa estiver se sentindo bem, resistir a qualquer tentação de ignorar os seus medicamentos. Se a pessoa parar, os sintomas de depressão podem voltar, e a pessoa também pode experimentar sintomas de abstinência semelhantes.
  • Saber mais sobre a depressão: educação sobre a condição pode capacitar a pessoa e motivá-la a manter o seu plano de tratamento.
  • Prestar atenção aos sinais de alerta: trabalhar com o médico ou terapeuta para saber o que pode desencadear os sintomas de depressão. Fazer um plano para que a pessoa saiba o que fazer se os sintomas se agravarem. Contactar o médico ou terapeuta se detectar quaisquer alterações nos sintomas ou como a pessoa se sente. Pedir aos membros da família ou amigos para ajudar na atenção aos sinais de alerta.
  • Fazer exercício físico: a atividade física reduz sintomas de depressão. Considerar caminhada, corrida, natação, jardinagem ou assumir outra atividade que a pessoa goste.
  • Evitar álcool e drogas ilegais: pode parecer que álcool ou drogas diminuam os sintomas de depressão, mas, no longo prazo, eles geralmente agravam os sintomas e tornam a depressão difícil de tratar. Conversar com o médico ou terapeuta, se a pessoa precisar de ajuda com álcool ou abuso de substâncias.
  • Dormir: dormir bem é importante para o bem-estar tanto o físico e o mental. Se a pessoa está tendo problemas para dormir, deve conversar com o médico sobre o que fazer.

Conexões mente-corpo

A conexão entre a mente e o corpo foi estudada por séculos. Praticantes da medicina alternativa acreditam que o corpo e a mente devem estar em harmonia para a pessoa ficar saudável.

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Buscar o equilíbrio entre mente e corpo

Técnicas mente-corpo que podem ser tentadas para aliviar os sintomas de depressão incluem:

  • Ioga
  • Acupuntura
  • Meditação
  • Imaginação guiada
  • Massagem terapêutica

Basear-se unicamente sobre essas terapias não é suficiente para tratar a depressão.

Enfrentamento e apoio

Lidar com a depressão pode ser um desafio.

  • Simplificar a vida: diminuir as obrigações quando possível, e definir metas razoáveis para si mesmo. Dar-se permissão para fazer menos quando se sentir para baixo.
  • Participar de um grupo de apoio: conectar-se com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes pode ajudar a lidar com isso. Grupos de apoio locais para a depressão estão disponíveis em muitas comunidades e grupos de apoio para a depressão também são oferecidos online.
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  • Considerar escrever suas reflexões: escrever pode melhorar o humor, permitindo-lhe expressar a dor, raiva, medo ou outras emoções.
  • Ler livros e sites respeitáveis de auto-ajuda: o médico ou terapeuta pode ser capaz de recomendar livros para ler.
  • Não ficar isolado: tentar participar de atividades sociais, e se reunir com a família ou amigos regularmente.
  • Cuidar-se: comer uma dieta saudável, fazer exercícios regularmente e dormir bem.
  • Aprender maneiras de relaxar e controlar o stress: exemplos incluem meditação, ioga e tai chi.
  • Estruturar o tempo: planejar o dia e atividades. A pessoa pode achar que é útil fazer uma lista de tarefas diárias, usar notas como lembretes ou usar um planejador para manter-se organizada.
  • Não tomar decisões importantes quando está para baixo: evitar tomar decisões quando muito deprimida, pois a pessoa não pode pensar claramente.

Prevenção

Não há nenhuma maneira de prevenir. No entanto, controlar o estresse, aumentar a sua capacidade de resistência e aumentar a auto-estima podem ajudar.

Há associação entre deficiência de vitamina D e depressão. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Amizade e apoio social, especialmente em tempos de crise, pode ajudar a enfrentar períodos difíceis. Além disso, o tratamento ao primeiro sinal de um problema pode ajudar a prevenir a piora da depressão.

Tratamento de manutenção no longo prazo também pode ajudar a prevenir uma recaída dos sintomas de depressão.

No texto anterior,  DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I, conversamos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações de uma depressão não tratada. Neste texto abordamos o tratamento da depressão.

Para ler mais sobre antidepressivo recomendamos o artigo Antidrepressivos da Psiquiweb

Referências