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HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte II

A hepatite C atinge silenciosamente quase 6 milhões de brasileiros, pois a doença não mostra sintomas. Os sintomas, quando aparecem, já são decorrentes da cirrose hepática, que é irreversível e pode caminhar para o câncer de fígado.

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A pessoa somente saberá se tem hepatite C através de exame de sangue específico, o anti-HCV.

Após o diagnóstico, a evolução da hepatite C também somente pode ser conhecida por exames, geralmente de imagem, pois a doença, como já dito, evolui sem trazer sintomas precisos.

No texto anterior, Hepatite C: diagnóstico, evolução e tratamento – parte I, abordamos os sinais e sintomas e as complicações da hepatite C, também os fatores de risco.

hepatite c fígado

Anatomia humana, destacando o fígado.

Neste texto de continuação, conversaremos sobre o diagnóstico, a prevenção e o tratamento da hepatite C.

Diagnóstico

Como a hepatite C crônica é assintomática durante as primeiras décadas, é mais comumente descoberta na sequência da investigação de níveis elevados de enzimas hepáticas ou durante um exame de rotina de indivíduos de alto risco. Os testes não são capazes de distinguir entre infecções agudas e crônicas.

As enzimas do fígado são variáveis durante a parte inicial da infecção e, em média, começam a subir, até sete semanas após a infecção. As alterações das enzimas hepáticas são pouco correlacionadas com a gravidade da doença.

Sorologia: Anti-HCV

O diagnóstico é sorológico, pela detecção de anticorpos contra o vírus da hepatite C: o anti-HCV (ELISA).

Um teste chamado PCR (HCV-RNA) pode também ser usado.

A detecção de anticorpos para a hepatite C pode ser negativa por alguns meses após a infecção, pois o desenvolvimento destes anticorpos contra a infecção pode levar algum tempo, normalmente alguns meses.

Teste rápido para hepatite C

O Sistema Único de Saúde disponibiliza o teste rápido para detecção de hepatite C. O exame mostra o resultado em 20 minutos.O teste rápido é um teste de triagem e deve ser confirmado por outros exames de sangue.

A sensibilidade do teste é de 99,0% e a especificidade de 99,4%.

É importante destacar que, em razão da sensibilidade do teste rápido, algumas pessoas testadas poderão não conhecer sua real condição sorológica de portador do vírus C, pois com sensibilidade de 99%, 1% das pessoas com resultado que deveria ser positivo terá o teste negativo, o que é denominado um teste falso negativo.

Assim, pessoas com algum risco de terem adquirido a hepatites C, podem vir a estar entre os 1% e devem ser submetida aos outros exames de sangue (ELISA).

Testes moleculares – o teste PCR (HCV-RNA)

O teste qualitativo de PCR (Polymerase Chain Reaction) do vírus da hepatite C (HCV-RNA qualitativo) é aplicado para detectar a presença da reprodução e multiplicação do vírus da hepatite C no corpo.

Um teste positivo é relatado como detectável e indica que a infecção evoluiu para uma fase crônica (de longo prazo).

Este teste geralmente leva em torno de duas semanas para processo. Genotipagem e testes PCR quantitativos do vírus da hepatite C (HCV-RNA quantitativo), isto é, a carga viral, são realizados antes do tratamento.

Genótipos

O vírus da hepatite C possui variações chamadas de genótipos. Cada genótipo apresenta uma resposta terapêutica ao tratamento com o Interferon e a Ribavirina.

Existem até 11 tipos de genótipos da hepatite em todo o mundo (embora a maioria das referências, incluindo o Ministério da Saúde, citem seis genótipos), porém os três tipos mais comuns no Brasil são os genótipos: os tipos 1, 2 e o 3. Os genótipos são divididos em vários subtipos.

Muitos médicos os chamam de respondedores lentos ou não respondedores.O genótipo 1 é o mais comum entre os pacientes infectados com o vírus HCV e é o mais resistente e mais difícil de tratar. Normalmente os pacientes com genótipo 1 submetidos ao tratamento com o Interferon e Ribavirina não respondem ao tratamento, tendo que fazer o re-tratamento posterior.

Os genótipos 2 e 3 são mais fáceis de tratar, ou seja, respondem melhor ao tratamento porém, o genótipo 3 é considerado o mais agressivo em relação a velocidade da formação de fibroses e cirrose.

Cerca de 40% a 50% das pessoas com o genótipo 1 serão curados com ribavirina e interferon peguilado, e cerca de 80% das pessoas com genótipos 2 e 3 serão curados.

Novos medicamentos podem elevar a chance de cura para o genótipo I para 90%.

hepatite c biopsia

Na biópsia de fígado, o médico retira um fragmento deste para análise

Biópsia

As biópsias do fígado são utilizadas para determinar o grau de dano hepático presente, no entanto, existem riscos decorrentes do procedimento. O risco mais comum é o sangramento que ocorre a partir do local onde a agulha foi inserida no fígado.

As mudanças típicas vistas são linfócitos dentro do parênquima, folículos linfóides na tríade portal, alterações dos ductos biliares e fibrose.

A fibrose provocada por hepatite C pode atingir do grau 0 ao 4 (cirrose), conforme a classificação METAVIR:

  • F0 = tem fígado normal;
  • F1 = alargamento por fibrose restrito ao espaço porta (fibrose discreta);
  • F2 = fibrose em espaço porta e com septos incompletos no parênquima hepático (fibrose clinicamente significante);
  • F3 = fibrose com septos completos e esboço de nódulos (fibrose avançada);
  • F4 = formação de nódulos completos, com distorção significativa da morfologia do parênquima hepático, caracterizando cirrose).

A partir do METAVIR F2, com nível de atividade inflamatória também 2 (pode ir de 0 a 3), o paciente já pode ser indicado para tratamento anti-viral.

Fibroscan

Fibroscan é o aparelho no qual realiza-se o exame elastografia transitória hepática, que mede a fibrose do fígado de forma não invasiva, substituindo a biópsia hepática em muitos caso. Com base em uma tecnologia denominada elastografia transitória, o FibroScan avalia velocidade da onda de cisalhamento do fígado (expressa em metros por segundo) e a rigidez equivalente (expressa em quilopascal) a 50 Hz de uma forma rápida, simples, não invasiva e totalmente indolor.

Já está liberado pela anvisa, mas são poucos os locais disponíveis e ainda não está no rol da ANS, portanto, não tem cobertura pelos planos de saúde. Realizado em consultório médico, não invasivo e indolor, é parecido com a ultrassonografia . Tem duração de cerca de 5 a 10 minutos.

Outros Exames

As pesquisas prosseguem a fim de tornar os exames cada vez mais fáceis de serem realizados.

Com o tempo, os exames serão menos invasivos, ou seja, menos agressivos.

Em futuro próximo, segundo pesquisadores da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), as dosagens de marcadores biológicos no soro dos pacientes com hepatite C poderão detectar o grau de fibrose e atividade inflamatória no fígado.

Com a aplicação dos marcadores biológicos de fibrose espera-se diminuir a realização de biópsia hepática no paciente portador de hepatite C, que hoje é obrigatória, já que depende do grau da atividade inflamatória e da fibrose, para que o Ministério da Saúde libere os medicamentos necessários ao tratamento.

Prevenção

hepatite c vacina

“Hepatite C… Não é aquela para a qual eu fui vacinada?  NÃO”  – Não existe vacina contra a hepatite C

Estratégias de redução de danos, tais como o fornecimento de novas agulhas e seringas, diminuem o risco de hepatite C em usuários de drogas injetáveis em cerca de 75%.

Sempre deve ser realizada triagem de doadores de sangue e órgãos para transplante.

Os estabelecimentos que manipulam equipamentos e materiais que têm contato real ou potencial com sangue devem sempre seguir as normas estabelecidas pela vigilância sanitária para a esterilização de materiais.

Estes estabelecimentos incluem hospitais, clínicas, consultórios de odontologia, salões de manicure, cabeleireiros, tatuadores e aplicadores de piercing.

Na dúvida quanto à necessidade, pratique sexo com camisinha.

Materiais de uso comum, se contaminados com sangue infectado, podem transmitir o vírus da hepatite C

Materiais de uso comum, se contaminados com sangue infectado, podem transmitir o vírus da hepatite C

Não compartilhe lâminas de barbear, tesouras e alicates de unha, escovas de dentes ou toalhas que possam estar contaminados com sangue.

Leve seu próprio material quando for à manicure.

Destacamos que materiais de manicure e pedicure também podem estar contaminados com fungos e causar micose de unha. Leia MICOSE DE UNHA: Sinais e Tipos de Onicomicose.

Tratamento

Cerca de 40-80% dos pacientes com hepatite C crônica fica curada com o tratamento. Em casos raros, a infecção pode desaparecer sem tratamento.

É aconselhável evitar álcool e medicamentos tóxicos para o fígado, além de proceder à vacinação contra a hepatite A e hepatite B.

O tratamento da hepatite C tem como objetivo a negativação da carga viral, ou seja, um teste PCR qualitativo do vírus da hepatite C com resultado indetectável (a erradicação do vírus) o que teria com consequência secundária a redução da inflamação do fígado, a prevenção da progressão da fibrose hepática para cirrose e câncer.

O genótipo 1 é o menos sensível ao tratamento em comparação com outros genótipos.

A cura, com o genótipo 1, ocorre em apenas metade das pessoas tratadas com a terapia combinada. Aqueles infectados com outros genótipos podem apresentar chance de cura com a terapia combinada de 75% a 80%.

O sucesso do tratamento é certificado quando ocorre a resposta virológica sustentada (RVS), ou seja: níveis não detectáveis de HCV-RNA (PCR qualitativo) 6 meses após o término do tratamento.

Medicamentos para hepatite C

Até há relativamente pouco tempo, para o tratamento para a hepatite C crónica eram sempre necessários tomar dois medicamentos principais: interferon peguilado, que é a versão sintética do interferon, uma proteína que ocorre naturalmente no corpo, que estimula o sistema imune a atacar as partículas de vírus; e ribavirina – um medicamento antiviral que impede a reprodução do vírus.

Estes medicamentos eram tomados em conjunto, mas hoje em dia eles são muitas vezes combinados com uma terceira medicação, como simeprevir ou sofosbuvir. Estes são os medicamentos mais recentes de hepatite C que fazem o tratamento mais eficaz.

Em alguns casos, uma combinação destes novos medicamentos pode ser feita sem a necessidade de tomar o interferon peguilado e / ou ribavirina.

hepatite c Interferon peguilado

Interferon peguilado

Interferon peguilado e ribavirina

Interferon peguilado é administrado como uma injeção semanal.

Em geral, o tratamento dura 48 semanas ou até mais, dependendo da análise do médico.

A ribavirina está disponível na forma de cápsulas, comprimidos ou em solução oral. É normalmente tomado duas vezes por dia com alimentos. Ele deve ser tomado junto com interferon peguilado.

Novos medicamentos

Há também alguns novos medicamentos que são utilizados para tratar a hepatite C.

Alguns deles devem ser tomados junto com interferon peguilado e / ou ribavirina, enquanto alguns podem ser tomados isoladamente ou em combinação com outros novos medicamentos.

Estes medicamentos incluem:

  • simeprevir
  • sofosbuvir
  • Daclatasvir
  • uma combinação de ledipasvir e sofosbuvir
  • uma combinação de ombitasvir, paritaprevir e ritonavir, tomado com ou sem dasabuvir

    hepatite c novos tratamentos em comprimidos

    Novos tratamentos em comprimidos

Estes medicamentos são tomados como comprimidos uma ou duas vezes por dia, por entre 8 a 48 semanas, dependendo do medicamento, o genótipo do vírus da hepatite C e a gravidade do caso.

Estes medicamentos são geralmente usados para tratar as pessoas com genótipo 1 ou genótipo 4 da hepatite C, embora às vezes eles também sejam usados para tratar pacientes com outros genótipos.

O tratamento no Brasil

Em 2015 o Ministério da Saúde publicou o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções, que revê e atualiza o que foi publicado em 2011.

Sobre o tratamento no Brasil, leia HEPATITE C: Tratamento Conforme o Protocolo do Ministério da Saúde de 2015.

 

Qual a eficácia do tratamento?

A eficácia do tratamento de hepatite C depende do genótipo do vírus.

O genótipo 1 costumava ser mais difícil de tratar e, até há pouco tempo, somente menos de metade das pessoas tratadas era curada.

No entanto, com os medicamentos mais recentes, as possibilidades de cura podem ser muito maiores. As combinações de comprimidos podem agora ter uma taxa de cura de mais de 90%.

Este percentual é mais elevado do que as chances de cura da maioria dos outros genótipos da hepatite C!

O tratamento para o genótipo 3 geralmente envolve o tratamento padrão de interferon peguilado e ribavirina. Cerca de 70-80% dos indivíduos tratados irão ser curados.

A erradicação do vírus é constatada com o resultado de HCV-RNA indetectável na 12ª ou 24ª semana de seguimento pós-tratamento, conforme o regime terapêutico instituído. Essa condição caracteriza a Resposta Virológica Sustentada (RVS).

Se o vírus é eliminado com sucesso com o tratamento, é importante estar ciente de que a pessoa não está imune à infecção. Isto significa, por exemplo, que a pessoa pode ser infectada novamente se continuar a se expor aos riscos de contaminação.

Se o tratamento não funcionar, pode ser repetido, estendido ou tentado usar uma combinação diferente de medicamentos.

Efeitos colaterais do tratamento

hepatite c efeitos colaterais

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais da terapia de combinação envolvendo interferon são bastante comuns.

Os novos tratamentos em comprimido têm muito menos efeitos colaterais e a maioria das pessoas não se sente afetado pelo tratamento.

Interferon peguilado – efeitos colaterais

  • sintomas de gripe, como dor de cabeça, fadiga (cansaço extremo) e febre
  • anemia
  • lesões na pele
  • depressão
  • coceira
  • adinamia (sensação de estar doente, sem energia)
  • prisão de ventre ou diarréia
  • problemas para dormir (insônia)
  • perda de apetite
  • perda de peso

Medicamentos para tratar hepatite C podem ter reações imprevisíveis quando tomados com outros medicamentos ou remédios.

Quaisquer efeitos secundários podem melhorar com o tempo conforme o corpo se acostume com os medicamentos.

Lidar com os efeitos colaterais pode ser um desafio, mas o tratamento deve ser continuado conforme as instruções para não reduzir as chances de cura.

Protocolo do Ministério da Saúde

Para informações mais completas sobre o o protocolo do Ministério da Saúde de 2015, leia em HEPATITE C: Protocolo do Ministério da Saúde de 2018 – Linhas Gerais].

Para informações adicionais recomendamos o Grupo Otimismo em www.hepato.com e a ABPH – Associação de Portadores de Hepatite

Referências

HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte I

A hepatite C é uma doença infecciosa causada pelo vírus da hepatite C. A pessoa com hepatite C geralmente não apresenta sintomas. Devido a isso, muitas pessoas desconhecem que estão infectadas pelo vírus da hepatite C.

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A infecção pelo vírus da hepatite C é uma das causas mais frequentes de doença crônica do fígado.

A infecção crônica pode conduzir à formação de cicatrizes no fígado e, finalmente, à cirrose, a qual geralmente é aparente depois de muitos anos. Em alguns casos, as pessoas com cirrose ainda desenvolvem insuficiência hepática e hepatocarcinoma.

O vírus da hepatite C é responsável por 70% das hepatites crônicas, 40% dos casos de cirrose e 60% dos hepatocarcinomas (câncer de fígado). Além disso, a hepatite C é a primeira causa de transplante hepático no mundo.

hepatite c

A hepatite C é uma infecção viral

A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue infectado no uso de drogas intravenosas, equipamentos mal esterilizados e transfusões de sangue.

Estima-se que até 200 milhões de pessoas, ou cerca de 3% da população mundial, vivem com hepatite C. Cerca de 3 a 4 milhões de pessoas são infectadas por ano, e mais de 350 mil pessoas morrem anualmente de doenças relacionadas com a hepatite C.

No Brasil, aproximadamente 70.000 casos de hepatite crônica C foram confirmados entre os anos de 1999 e 2010. A taxa média de detecção foi de 4,5 casos por 100 mil habitantes no ano de 2010, sendo as maiores taxas identificadas nas regiões Sul e Sudeste.

A maioria dos casos ocorreu nas faixas etárias superiores a 35 anos de idade (80,7%). Se 3% da população está infectada, significa que quase 6 milhões de brasileiros estão com hepatite C e, dentre esses, apenas alguns milhares têm consciência disso.

O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) publicou um relatório em 2012 que mostrou que, desde 2007, a hepatite C ultrapassou a AIDS em número de mortes por ano nos EUA.

Os sinais e sintomas

Tanto na infecção aguda quanto na crônica, a hepatite C pode não apresentar sintomas. Quando ocorrem sintomas, eles são muitas vezes vagos e podem ser facilmente confundidos com uma outra condição.

A infecção aguda

A infecção aguda por hepatite C provoca sintomas algumas semanas após a infecção, durante os primeiros seis meses, em apenas 15% a 25% dos casos.

Os sintomas podem incluir febre, cansaço, perda de apetite, dores musculares ou articulares, perda de peso, dores abdominais e mal estar inespecífico. A maioria das pessoas com infecção aguda não apresenta icterícia (amarelo no “branco dos olhos”).

A infecção se resolve espontaneamente em 10-50% dos casos, mais frequentemente em indivíduos jovens e do sexo feminino.

A infecção crônica

A definição de hepatite C crônica é a presença de anti-HCV reagente por mais de 6 meses com confirmação diagnóstica com  HCV-RNA detectável. Explicaremos melhor estes exames em HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte II.

Cerca de 85% das pessoas expostas ao vírus desenvolvem a infecção crônica.

Na maioria dos casos, a hepatite C crônica não provoca sintomas até que o fígado esteja danificado de forma significativa.

Os sintomas da hepatite C crônica podem variar muito de caso para caso. Em algumas pessoas, os sintomas podem ser pouco perceptíveis. Em outros casos, eles podem ter um impacto significativo na qualidade de vida.

Os sintomas também podem desaparecer por longos períodos de tempo (remissão) e depois voltar.

Alguns dos sintomas mais comumente relatados de hepatite C incluem: sentir-se cansado o tempo todo (dormir não parece ajudar a melhorar os níveis de energia), dores de cabeça, depressão, problemas com a memória no curto prazo (afeta a capacidade de concentração e de completar tarefas mentais relativamente complexas tais como cálculos aritméticos “de cabeça” – muitas pessoas descrevem esta combinação de sintomas como “tendo uma névoa do cérebro”), mudanças de humor, indigestão, dores musculares e articulares, coceira na pele, sintomas de gripe (como os que ocorrem na fase aguda da infecção), dor abdominal, dor na região do fígado (que está localizado na parte superior direita do abdome).

Complicações da hepatite C crônica

A progressão da hepatite C crônica até a fase de cirrose hepática ocorre usualmente de maneira assintomática em média entre 20 e 30 anos de evolução da doença.

hepatite c cirrose cancer

Evolução da infecção pelo vírus da hepatite C: inflamação crônica (hepatite), cirrose e carcinoma hepatocelular (câncer de fígado)

Sem tratamento, aproximadamente 20% dos doentes desenvolvem cirrose e destes, 20 a 30% progridem para o hepatocarcinoma ou para a insuficiência hepática com indicação de transplante.

Estudos mostram que há uma configuração para o desenvolvimento da progressão da doença, considerando a evolução da fibrose, ou seja, há um espectro variável em que cada um terço dos casos se comportará:

  • progressores rápidos, que evoluem para cirrose em menos de 20 anos;
  • progressores intermediários, que evoluem para cirrose em 20 a 50 anos;
  • progressores lentos ou não progressores, que podem levar mais de 50 anos para desenvolver cirrose.

O que influencia a progressão da doença é a progressão da fibrose que a inflação desenvolve no fígado.

Fatores influenciam a progressão da fibrose:

  • idade superior a 40 anos no momento da infecção;
  • sexo masculino;
  • etilismo;
  • coinfecção como vírus da hepatite B (HBV) e/ou HIV;
  • imunossupressão;
  • esteatose hepática;
  • resistência à insulina;
  • e atividade necroinflamatória na primeira biópsia hepática

A cirrose é mais comum em pessoas também infectadas com hepatite B, esquistossomose, ou HIV, em alcoólatras e aqueles do sexo masculino.

A hepatite C afeta de forma negativa a evolução clínica de outras doenças, como a infecção pelo HIV.

O quadro clínico é complicado pelo álcool e o risco de desenvolver cirrose torna-se de 100 vezes maior.

Cirrose por hepatite C é uma razão comum para transplante de fígado.

Transmissão

O vírus da hepatite C está presente no sangue e, em muito menor extensão, na saliva, no esperma e fluido vaginal de uma pessoa infectada. É particularmente concentrada no sangue, de modo que normalmente é transmitida através de contato do sangue com sangue.

A principal via de transmissão no mundo desenvolvido é através de materiais contaminados, principalmente no uso de drogas injetáveis, enquanto nos países em desenvolvimento os principais meios são as transfusões de sangue e procedimentos médicos de risco.

A causa da transmissão permanece desconhecida em 20% dos casos.

Fatores de risco

  • Uso de drogas injetáveis: é um importante fator de risco em muitas partes do mundo devido à possibilidade do compartilhamento de agulhas e seringas;

    hepatite c causa

    Os fatores de risco relacionam-se ao possível contato com sangue contaminado pelo vírus da hepatite C

  • Transfusão de sangue: a transfusão de hemoderivados ou transplante de órgãos, sem triagem para vírus da hepatite C apresenta riscos significativos de infecção. Este risco é maior nas pessoas que receberam transfusão de sangue ou transplante de órgãos antes do início da década de 1990, quando ainda não havia testes para detectar a infecção pelo vírus da hepatite C;
  • Exposição em profissionais de saúde: sofrer uma lesão por agulha contaminada tem uma chance de 1,8% de contrair a hepatite C. O risco é maior se a agulha é oca e o ferimento é profundo. Há um risco de exposição das mucosas ao sangue, mas este risco é reduzido, e não há nenhum risco se a exposição ao sangue ocorre na pele intacta.
  • Exposição a equipamento perfurante (hospitalar, odontológico): é um método de transmissão de hepatite C por reutilização de equipamentos sem correta esterilização.
  • Tatuagem e piercing: está associado com duas a três vezes maior risco de hepatite C devido à exposição de qualquer equipamento inadequadamente esterilizado ou contaminação dos corantes utilizados;
  • Itens pessoais compartilhados: lâminas de barbear e materiais de manicure ou pedicure (tesouras, alicates) podem estar contaminados com o sangue por cortes mínimos e que não tiveram sangramento aparente. Estes materiais podem transmitir o vírus da hepatite C se não forem corretamente esterilizados, caso não sejam descartáveis. Escova de dentes não é um material compartilhável, mas, por descuido, pode ser usada por outra pessoa da família;

    hepatite c uso3

    Cuidado com materiais que podem estar contaminados com sangue, mesmo que não seja visível, e pareçam limpos

  • Relações sexuais inseguras: Se a hepatite C pode ser transmitida por meio da atividade sexual é controverso. A maioria das evidências suporta que não há risco para os casais heterossexuais monogâmicos. As práticas sexuais que envolvem níveis elevados de traumatismo da mucosa anogenital, como, por exemplo, penetração sexual anal, ou quando há infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, ou ulceração genital, apresentam risco. O governo dos Estados Unidos recomenda o uso de preservativos para prevenir a transmissão da hepatite C apenas em pacientes com múltiplos parceiros.
  • Transmissão vertical de uma mãe infectada para o filho: ocorre em menos de 10% das gestações. Pode ocorrer tanto durante a gestação e no parto.
  • Amamentação: não há evidências de que a amamentação transmita o vírus da hepatite C, no entanto, por cautela, a uma mãe infectada é aconselhável evitar a amamentação, se os mamilos estiverem rachados e sangrando, ou se as cargas virais forem elevadas.

Destacamos que materiais de manicure e pedicure também podem estar contaminados com fungos e causar micose de unha.

Leve o seu próprio material para fazer as unhas. É mais seguro.

Leia em MICOSE DE UNHA: Sinais e Tipos de Onicomicose.

Hepatite C não é transmitida através do contato casual, como abraços, beijos ou utensílios de cozinha e o uso de vaso sanitário. Também não é transmitida através de alimentos ou água.

Na continuação deste artigo, em HEPATITE C: Diagnóstico, Evolução e Tratamento – parte II, conversaremos sobre o diagnóstico, a prevenção e o tratamento.

Para informações adicionais recomendamos o Grupo Otimismo em www.hepato.com e a ABPH – Associação de Portadores de Hepatite

Referências

DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I

A depressão é mais do que simplesmente sentir-se triste por alguns dias. Tristeza é apenas um dos sintomas da depressão, como veremos neste texto.

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Todo mundo passa por períodos de tristeza, mas quando a pessoa está deprimida, ela se sente persistentemente triste por semanas ou meses, ao invésde apenas alguns dias.

Pensar que é um problema trivial e não uma condição de saúde genuína é errado. A depressão é uma doença real, com sintomas reais, e não é um sinal de fraqueza ou algo que a pessoa pode “pular fora” sozinha.

depressão

Depressão é mais do que tristeza.

É uma doença que causa uma sensação persistente de tristeza e perda de interesse.

Ela afeta o modo como a pessoa se sente, pensa e se comporta.

Esta doença pode levar a uma variedade de problemas emocionais e físicos. A pessoa pode ter problemas para fazer atividades normais do dia-a-dia, e se sentir como se a vida não valesse a pena viver. Algumas pessoas sentem-se geralmente miseráveis ou infelizes sem saber por quê.

A depressão é uma doença crônica que geralmente requer tratamento de longo prazo, como diabetes ou pressão arterial elevada. A maioria das pessoas pode ter uma recuperação completa com medicamentos, acompanhamento psicológico e apoio.

Neste texto conversaremos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações da doença não tratada. Este texto continua no artigo DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II, que aborda o tratamento.

Sintomas incluem:

  • Sentimentos de tristeza, infelicidade
  • Irritabilidade ou frustração, mesmo em pequenas coisas
  • Perda de interesse ou prazer nas atividades normais
  • Desejo sexual reduzido
  • Insônia ou sono excessivo
  • Alterações no apetite – depressão muitas vezes provoca diminuição do apetite e perda de peso, mas em algumas pessoas ela provoca aumento do desejo por comida e ganho de peso
  • Agitação ou inquietação
  • Irritabilidade ou acessos de raiva
  • Desaceleração ao pensar, falar ou nos movimentos do corpo
  • Fadiga, cansaço e perda de energia – até mesmo pequenas tarefas podem parecem exigir muito esforço
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa, fixar-se em erros do passado ou se culpar quando as coisas não estão indo bem
  • Dificuldade para pensar, concentrar-se, tomar decisões e lembrar das coisas
  • Pensamentos frequentes de morte ou suicídio
  • Crises de choro sem motivo aparente
  • Problemas físicos inespecíficos, como dores nas costas ou dores de cabeça

Para algumas pessoas, os sintomas são tão graves que é óbvio que algo não está certo. Para outras, os sintomas vêm de tão longo tempo que a própria pessoa e as pessoas que a cercam acreditam que é “o jeito próprio da pessoa ser”.

A depressão afeta cada pessoa de diferentes maneiras, e assim os sintomas causados por depressão variam de pessoa para pessoa. Traços herdados, idade, sexo e formação cultural, todos desempenham um papel na forma como a depressão pode afetar cada um.

Sintomas em crianças e adolescentes

Os sintomas mais comuns podem ser um pouco diferentes nas crianças e nos adolescentes de como são nos adultos.

Em crianças menores, os sintomas podem incluir tristeza, irritabilidade, falta de esperança e preocupação.

Os sintomas em adolescentes podem incluir ansiedade, raiva e evitar a interação social.

Mudanças no pensamento e sono são sinais comuns em adolescentes e adultos, mas não são tão comuns em crianças mais jovens.

depressão infantil

As crianças também podem sofrer de depressão

Em crianças e adolescentes, a depressão muitas vezes ocorre juntamente com problemas de comportamento e outras condições de saúde mental, tais como ansiedade ou transtorno de déficit de atenção (TDA).

O rendimento escolar pode cair em crianças que estão deprimidas.

Sintomas em idosos

A depressão não é uma parte normal do envelhecimento. No entanto, a depressão pode ocorrer e ocorre em idosos. Infelizmente, muitas vezes não é diagnosticada e tratada. Muitos idosos se sentem relutantes em procurar ajuda quando eles estão se sentindo para baixo.

Em idosos, pode seguir não diagnosticada porque os sintomas – por exemplo, fadiga, perda de apetite, problemas de sono ou perda de interesse em sexo – podem parecer ser causados por outras doenças.

Idosos podem ter sintomas menos óbvios. Eles podem sentir-se insatisfeitos com a vida em geral, entediados, impotentes ou sem valor.

Eles podem sempre querer ficar em casa, em vez de sair para socializar ou fazer coisas novas.

Pensamentos suicidas em idosos são um sinal de depressão grave, especialmente nos homens. De todas as pessoas com depressão, os idosos do sexo masculino estão em maior risco de suicídio.

Quando consultar um médico

depressão

Médico e psicólogo devem ser consultados

Uma pessoa que se sente deprimida deve fazer uma consulta com um médico assim que possível.

Sintomas de depressão não melhoram por conta própria e a depressão pode piorar se não for tratada. A depressão não tratada pode levar a outros problemas de saúde ou problemas em outras áreas de sua vida física e mental.

Sentimentos de depressão também podem levar ao suicídio.

Causas

Não se sabe exatamente o que causa a depressão. Tal como acontece com muitas doenças mentais, uma variedade de fatores pode estar envolvida. Estes fatores incluem:

  • Diferenças biológicas: algumas pessoas com depressão parecem ter mudanças físicas em seus cérebros. O significado destas mudanças ainda é incerto.
  • Neurotransmissores: são substâncias químicas liberadas pelos neurônios no cérebro e utilizadas para a transferência de informações entre eles.  Os neurotransmissores têm papel importante na depressão. Mas falaremos disso mais adiante.
  • Hormônios: alterações no equilíbrio dos hormônios podem causar ou desencadear a depressão. Alterações hormonais podem resultar de problemas de tireóide, menopausa ou uma série de outras condições.
  • Traços herdados: a depressão é mais comum em pessoas cujos membros da família biológica também têm essa condição. Os pesquisadores estão tentando encontrar os genes que podem estar envolvidos na causa da depressão.
  • Eventos de vida: certos eventos, como a morte ou a perda de um ente querido, problemas financeiros e de alta tensão, podem desencadear a depressão em algumas pessoas.
  • Trauma na primeira infância: eventos traumáticos durante a infância, como abuso ou perda dos pais, podem causar alterações permanentes no cérebro que o tornam mais suscetível à depressão.

Fatores de risco

A depressão geralmente começa na adolescência, e no adulto jovem (20 ou 30 anos), mas pode acontecer em qualquer idade. As mulheres têm duas vezes mais esta condição que os homens, mas essa estatística pode ser devida, em parte, porque as mulheres são mais propensas a procurar tratamento e revelar o problema.

Embora a causa exata não seja conhecida, alguns fatores que parecem aumentar o risco de desenvolvimento ou desencadeamento da depressão foram identificados, incluindo:

  • Ter parentes biológicos com a depressão
  • Ser mulher
  • Experiências traumáticas na infância
  • Ter membros da família ou amigos que foram deprimidos
  • Eventos de vida estressantes, como a morte de um ente querido
  • Ter poucos amigos ou outras relações pessoais
  • Recentemente ter dado à luz (depressão pós-parto)
  • História de depressão anteriormente
  • Ter uma doença grave, tais como câncer, diabetes, doença cardíaca, doença de Alzheimer ou o HIV / SIDA
  • Tendo certos traços de personalidade, como ter baixa auto-estima e ser excessivamente dependente, auto-crítico ou pessimista
  • Abusar do álcool, nicotina ou drogas ilícitas
  • Certos medicamentos para hipertensão arterial, para dormir ou certos outros medicamentos (a pessoa deve falar com o médico antes de interromper qualquer medicação que ache que poderia estar afetando o seu estado de espírito)

Há associação entre deficiência de vitamina D e depressão. Leia sobre a importância da vitamina D aqui e os benefícios para a saúde aqui.

Complicações

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A pessoa deprimida muitas vezes se afasta dos amigos

Complicações associadas podem incluir:

  • Abuso de álcool
  • Abuso de outras drogas
  • Ansiedade
  • Problemas no trabalho ou na escola
  • Conflitos familiares
  • Dificuldades de relacionamento
  • Isolamento social
  • Suicídio
  • Auto-mutilação, como cortes
  • Morte prematura por outras doenças

Os critérios de diagnóstico

Para ser diagnosticada com depressão, a pessoa deve ter cinco ou mais dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas. Pelo menos um dos sintomas deve ser um humor deprimido ou uma perda de interesse ou prazer. Os sintomas podem ser baseados em seus próprios sentimentos ou podem basear-se nas observações de alguém. Eles incluem:

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Alterações de humor e de comportamento são comuns

  • Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, como se sentindo triste, vazio ou choro constante (em crianças e adolescentes, humor depressivo pode aparecer como irritabilidade constante)
  • Diminuição do interesse ou não sentir prazer em todas – ou quase todas – as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias
  • Perda de peso significativa quando não estiver de dieta, ganho de peso, ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias (em crianças, a incapacidade de ganhar peso como o esperado pode ser um sinal)
  • Insônia ou aumento do desejo de dormir quase todos os dias
  • Agitação ou comportamento lento que pode ser observada por outros
  • Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias
  • Dificuldade em tomar decisões, ou problemas para pensar ou concentrar-se quase todos os dias
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio ou tentativa de suicídio

Outras condições que causam os sintomas da depressão

Existem várias outras condições com sintomas que podem incluir depressão. É importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado para sua condição particular. Um médico ou um psicólogo vai ajudar a determinar se os sintomas de depressão são causados por uma das seguintes condições:

  • Transtorno de adaptação: um transtorno de adaptação é uma reação emocional grave a um evento difícil em sua vida. É um tipo de doença mental relacionada ao stress que pode afetar os sentimentos, pensamentos e comportamentos.
  • Transtorno bipolar: este tipo de transtorno é caracterizado por mudanças de humor que alternam períodos de “tristeza profunda” com “alegria intensa”. Às vezes, é difícil distinguir entre transtorno bipolar e depressão, mas é importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado e medicamentos.
  • Ciclotimia: também chamada de transtorno ciclotímico, é uma forma mais branda da doença bipolar.
  • Distimia: é uma forma menos grave, mas mais crônica de depressão. Embora geralmente não seja incapacitante, a distimia pode impedir a pessoa de funcionar normalmente em sua rotina diária e de viver a vida em sua plenitude.
  • Depressão pós-parto: este é um tipo comum que ocorre em novas mães. Muitas vezes ocorre entre duas semanas e seis meses após o parto.
  • Depressão psicótica: esta é uma condição grave acompanhada por sintomas psicóticos, tais como ilusões e alucinações.
  • Transtorno afetivo sazonal: este tipo está relacionado com mudanças nas estações e exposição reduzida ao sol.

Certifique-se de entender que tipo de depressão a pessoa tem para que ela possa aprender mais sobre a sua situação específica e seus tratamentos.

Referências