RISCOS dos MEDICAMENTOS na GRAVIDEZ

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Hoje em dia qualquer pessoa sabe que uma mulher grávida não pode tomar um medicamento sem o conhecimento de seu obstetra devido aos riscos dos medicamentos na gravidez, mas nem sempre foi assim… O conhecimento dos riscos dos medicamentos na gravidez  é um fato relativamente recente.

Não há medicamento que faça somente bem

O efeito colateral de um remédio nada mais é do que um efeito normal, porém indesejado. Portanto, em mulheres grávidas, o risco ao feto é um efeito possível e que, quando do conhecimento do médico, deve ser sempre evitado.

risco dos medicamentos na gravidez

Dentro do útero, a criança “toma” todas os medicamentos que a mãe toma, mas seu corpo ainda está em formação e podem haver danos.

Assim como há medicamentos que já foram largamente usados por mulheres grávidas e não foram relatados efeitos na formação do feto, há outros que no passado causaram desastres, como a Talidomida que muitas mulheres tomaram para enjoo no primeiro trimestre de gravidez e seu filhos nasceram com malformações.

Dentro deste espectro há medicamentos cujo risco na gravidez não se pode estudar e o médico deve avaliar a relação entre o risco potencial ao feto e o benefício à mãe: algumas vezes não tratar a mãe devido ao risco potencial da medicação ao feto pode ser uma escolha com maiores danos à mãe, à criança e à família.

O estabelecimento da segurança ou do risco de um medicamento na gravidez, na verdade, é um estudo inacabado, pois mesmo uma medicação hoje considerada segura pode mostrar futuramente relevância estatística em um risco hoje desconhecido.

Portanto, somente tome medicamentos quando prescrito por seu médico, pois ele avaliará você individualmente.

medicamentos na gravidez 2

Nunca deve-se tomar medicamentos por conta própria. O médico avaliará os benefícios e os riscos.

A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) elaborou um Manual de Drogas na Gravidez que lista 357 medicamentos, mostrando suas indicações, contra-indicações, posologia (dose e forma de tomar), efeitos adversos, uso na gravidez e na amamentação e a classificação de risco na gravidez segundo o FDA (Food and Drug Administration).

Portanto, não é útil apenas para guiar a prescrição da gestante, mas de qualquer paciente.

Para acessar o manual, clique em Manual de Medicamentos na Gravidez .

Para ler o original no site da Febrasgo clique aqui.

Classificação dos riscos dos medicamentos na gravidez

Os riscos dos medicamentos na gravidez estão classificados em cinco categorias: 

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AEstudos controlados em mulheres não demonstraram risco para o feto no primeiro ou demais trimestres. A possibilidade de dados é remota.

BNão há evidência de riscos destes medicamento na gravidez no ser humano, isto é, estudos de reprodução animal não demonstraram risco fetal, mas não há estudos controlados no ser humano; ou estudos em reprodução animal demonstraram efeitos adversos que não foram confirmados em estudos controlados no ser humano nos vários trimestres.

CO risco não pode ser afastado; aqui estão incluídos fármacos recentemente lançados no mercado e/ou ainda não estudados. Relatos em animais revelaram efeitos adversos no feto. Não há estudos controlados em mulheres ou em animais. As drogas podem ser ministradas somente se o benefício justificar o potencial de malformação no feto.

DHá evidência positiva de riscos destes medicamentos na gravidez em seres humanos, porém, os benefícios do uso em gestantes podem ser aceitáveis.

X. O fármaco está contra-indicado durante a gravidez e em mulheres que pretendam engravidar. Estudos em animais ou seres humanos revelaram efeitos deletérios sobre o concepto que ultrapassam os benefícios.

O texto de introdução do Manual de Drogas na Gravidez da Febrasgo mostra a importância de se estabelecer os riscos do uso de medicamentos durante a gravidez.

Riscos conhecidos após dolorosas constatações ao longo dos anos em medicamentos que foram usados por gestantes numa época em que os próprios médicos não conheciam as drogas como causa de malformações fetais, conforme relatado abaixo.

Embora estudos experimentais anteriormente realizados tenham demonstrado ser possível produzir malformações em peixes e pintos (Stockard, 1921; Bagg, 1922), foi Gregg (1944) que chamou a atenção para o fator ambiental no determinismo das malformações quando descreveu a síndrome fetal rubeólica.

Nesta mesma época, Warkany, referindo-se ao produto conceptual disse que a exemplo da célula nem tudo é genético, pois o citoplasma desempenha o papel de meio ambiente.

Desde então, o estudo da etiologia das malformações, além dos fatores genéticos (20%), cromossômicos (15%) e causas multifatoriais (65%) passou a incluir também os fatores ambientais (10%: irradiação e infecções, 2-3%; doença materna, 1-2%; fármacos e outros agentes químicos, 4-5%) considerados importantes na gênese das dismorfoses.

A par disso, o conceito de teratogênese também foi alterado, além do aspecto anatômico-estrutural, hoje são consideradas igualmente as alterações funcionais, a restrição do crescimento, do desenvolvimento psicomotor e/ou das anormalidades comportamentais.

medicamentos na gravidez

Manual de Drogas na Gravidez: mostra a classificação dos riscos dos medicamentos

Ainda que a incidência de teratogênese determinada por medicamentos não seja prevalente, nos parece o fator de mais fácil prevenção, pois depende do conhecimento científico e do uso terapêutico racional, inerentes ao exercício profissional.

Quando se estuda o binômio fármacos e gravidez devem ser considerados três compartimentos, cada um deles com características próprias.

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No organismo materno as modificações gravídicas gerais influem sobremaneira nos processos de absorção, distribuição e, principalmente, metabolismo e excreção das drogas.

A placenta, por sua vez, com os mecanismos de transferência bem definidos e sistemas enzimáticos ativos, também interfere no comportamento das drogas que vão para o concepto e de seus metabólitos que retornam ao organismo materno.

Quanto ao compartimento fetal, o período embriogênico compreendido entre a segunda e 12ª semanas é extremamente sensível, devido à velocidade com que ocorre a multiplicação celular; tal fato dá margem para que os fármacos promovam malformações. A partir de então, há amadurecimento progressivo dos órgãos facilitando, à medida que se aproxima o termo da gestação, as várias etapas de metabolização e excreção.

Além destes fatos, devem ser considerados o estado de saúde materno, os genótipos materno e fetal, como também as vias de introdução e as doses que podem alterar o efeito dos medicamentos.”

Para acessar o manual, clique em Manual de Medicamentos na Gravidez .

 

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