INTOLERÂNCIA À LACTOSE: a Deficiência de Lactase

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Intolerância à lactose é a incapacidade de digerir leite e derivados. Esta condição traz sintomas, de certo modo inespecíficos, como mal-estar, aumento de gases, distensão do abdome (“barriga inchada”) e até diarréia.

A intolerância à lactose nos adultos é muito comum, pois a deficiência de lactase afeta cerca de 75% da população mundial adulta.

A deficiência de lactase é a causa, pois conduz à má digestão da lactose e à consequente intolerância.

A lactase é uma enzima que hidrolisa a lactose, o açúcar predominante do leite, em glicose e galactose, para que assim seja absorvida pelo intestino.

A intolerância à lactose pode ser causada por três tipos de deficiência de lactase:

intolerância à lactose

Incapacidade de digerir leite e derivados por deficiência da enzima lactase

  1. A deficiência de lactase do tipo primária: afeta pessoas de ascendência não européia pura, com predisposição genética. Manifesta-se durante a infância, adolescência ou mesmo na idade adulta, pois a concentração dos níveis da enzima lactase é alta ao nascimento, mas diminui regularmente com o passar dos anos. Até 95% dos adultos não europeus ou de ascendência não européia pura são intolerantes à lactose em comparação com menos de 25% dos adultos de ascendência européia pura. É uma condição permanente;
  2. A deficiência de lactase secundária: uma condição causada por dano à mucosa do intestino delgado proximal que deixa de produzir lactase suficientemente, como a doença de Crohn, doença celíaca, gastroenterite viral, giardíase, síndrome do intestino curto e desnutrição. Pode ser temporária ou permanente, conforme a resolução da causa; 
  3. A forma congênita de deficiência de lactase: que é comum em prematuros nascidos com menos de trinta semanas de gravidez que nascem sem a capacidade de produzir lactase. Nos recém-nascidos de gestações completas, os casos são raros e de caráter hereditário.

Sintomas e Sinais

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Os sintomas são inespecíficos, mas cólicas, flatulência e diarréia são os mais comuns

Os portadores têm grande diversidade de sintomas clínicos, em função tanto da gravidade da deficiência de lactase e quanto da quantidade de lactose ingerida, isto é, quanto maior a quantidade de lactose ingerida, maior a probabilidade de haver sintomas.

Devido à natureza não específica destes sintomas, tanto os indivíduos que têm intolerância à lactose quanto os que não têm intolerância à lactose costumam atribuir erroneamente uma variedade de sintomas abdominais à intolerância à lactose.

Geralmente a deficiência de lactase é parcial e a maioria dos pacientes com intolerância à lactose pode beber um ou dois copos de 200 a 250 ml de leite por dia, sem sintomas, se tomados com alimentos e em intervalos de tempo grandes. Raros pacientes têm intolerância quase completa.

O que acontece é que a lactose mal absorvida é fermentada por bactérias intestinais, produzindo gás e ácidos orgânicos.

A presença de lactose não metabolizada e ácidos orgânicos resulta em um aumento da carga osmótica das fezes com consequente formação de fezes com mais água, podendo causar o que se chama diarreia osmótica, ou seja: fezes mais líquidas e, portanto, diarréia por maior quantidade de água nas fezes.

Com leve a moderada má absorção de lactose, os pacientes podem experimentar distensão abdominal (inchaço), cólicas abdominais e flatulência. Com maior ingestão de lactose, uma diarréia osmótica será o resultado. A pessoa pode se queixar de ardência anal e assadura, porque a acidez fecal passa a ser intensa (pH 6,0).

A deficiência de lactase isoladamente não resulta em outros sinais de má absorção ou perda de peso. Se outros sinais de má absorção como emagrecimento, sinais de deficiência de nutrientes, anemia ou fezes gordurosas, por exemplo, estiverem presentes, devem ser investigados outros distúrbios gastrointestinais, como doença celíaca ou outra causa de mau funcionamento da mucosa intestinal.

A intolerância à lactose pode manifestar-se na infância ou na idade de adulta, na forma primária ou secundária. Em adultos, a predisposição genética pode manifestar-se tardiamente em pessoas com deficiência de lactase parcial que aumentaram a ingestão de leite e derivados.

Os testes de laboratório

O teste laboratorial mais utilizado para o diagnóstico de intolerância à lactose é o teste de tolerância à lactose que consiste em monitorar a glicose sanguínea após uma dose oral de lactose.

O teste é considerado positivo se as medidas de glicemia não demonstrarem uma elevação de 18 mg/dL entre a glicemia de jejum inicial e as glicemias consecutivas realizadas 20, 40 e 60 minutos. Há possibilidade de erro nos diabéticos.

A ocorrência de diarréia, ainda no laboratório e ou nas primeiras horas a seguir, reforça a conclusão de diagnóstico positivo para intolerância à lactose.

Há também o teste de respiração de hidrogénio: após ingestão de 50 g de lactose, um aumento na respiração de hidrogénio maior do que 20 ppm dentro de 90 minutos é um teste positivo, indicativo do metabolismo bacteriano de carboidratos. No Brasil, embora simples e sensível, não dispomos deste teste.

Um outro teste laboratorial é o teste de acidez nas fezes: os ácidos orgânicos produzidos da fermentação da lactose no intestino podem ser detectados nas fezes.

Na prática clínica, muitos médicos prescrevem uma dieta sem lactose durante 2 semanas. Se o resultado for a resolução dos sintomas (inchaço, flatulência, diarréia) é altamente sugestiva a deficiência de lactase.

Diagnóstico diferencial

Os sintomas de intolerância à lactose tardia são inespecíficos e podem imitar um número de distúrbios gastrointestinais, tais como doença inflamatória do intestino, desordens de má absorção das mucosas, a síndrome do intestino irritável, e a insuficiência pancreática. Além disso, a deficiência de lactase desenvolve-se frequentemente secundária a outras doenças gastrointestinais (como mencionado acima). A deficiência de lactase concomitante deve ser sempre considerada nestes distúrbios gastrointestinais.

Tratamento

O objetivo do tratamento em pacientes com deficiência isolada de lactase é alcançar o conforto do paciente. Os pacientes geralmente encontram o seu “limite” de ingestão de leite e derivados que irá ocorrer sintomas. Os alimentos que são ricos em lactose incluem leite (12 g / copo), sorvete (9 g / copo), e queijo cottage (8 g / copo). Queijos envelhecidos têm um menor teor de lactose (0,5 g / ml).

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Iogurte não pasteurizado contém bactérias que produzem a lactase e é geralmente bem tolerado.

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Há diferentes graus de intolerância: deve-se evitar o leite na medida da incapacidade.

Usar preferencialmente leite integral e acrescentar chocolate ao leite podem aumentar a tolerância à lactose.

Muitos pacientes vão escolher simplesmente restringir ou eliminar produtos lácteos.

Ao distribuir a ingestão de produtos lácteos durante todo o dia, em quantidades de menos de 12 g de lactose (um copo de leite), a maioria dos pacientes pode ingerir produtos lácteos sem sintomas e não necessitam de suplementos de lactase.

A suplementação de cálcio deve ser considerada a fim de prevenir a osteoporose.

Já há, na maioria dos supermercados, leite com baixa lactose que foi pré-tratado com lactase e  tornou-se 70-100% livre de lactose.

Substitutos da enzima lactase são comercialmente disponíveis.

Cápsulas de lactase podem ser tomadas com produtos lácteos, melhorando a absorção de lactose e eliminando os sintomas.

O número de cápsulas ingeridas depende do grau de intolerância à lactose.

Para mais informações sobre intolerância à lactose recomendamos o site Sem Lactose.

Para mais informações sobre a doença celíaca, leia o nosso artigo.

Para mais informações sobre a intolerância ao glúten, leia o nosso artigo.

Referências

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