DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II

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A emoção humana normal que às vezes chamamos “depressão” é uma resposta comum a uma perda, fracasso ou decepção.

A depressão doença é diferente. É uma doença biológica e emocional que afeta os pensamentos, os sentimentos, o comportamento, o humor e a saúde física.

A depressão é uma condição ao longo da vida na qual períodos de bem-estar alternam com recorrências de doença e pode necessitar de tratamento de longo prazo para evitar o retorno dos sintomas, assim como em qualquer outra doença crônica.

Todas as faixas etárias e todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos podem experimentar depressão. Alguns indivíduos podem ter apenas um episódio de depressão na vida, mas muitas vezes as pessoas têm episódios recorrentes.

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Todas as faixas etárias e todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos podem experimentar depressão..

Se não tratada, os episódios geralmente duram de alguns meses a muitos anos.

No texto anterior,  DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I, conversamos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações de uma depressão não tratada. Neste texto abordamos o tratamento da depressão.

Tratamento da depressão

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A depressão pode e deve ser tratada o mais cedo possível

Inúmeros tratamentos de depressão estão disponíveis. Medicamentos e acompanhamento psicológico (psicoterapia) são muito eficazes para a maioria das pessoas.

Em alguns casos, um médico generalista ou de outra especialidade que acompanha a pessoa por outros motivos, como o ginecologista, pode receitar medicamentos para aliviar os sintomas de depressão. No entanto, muitas pessoas precisam ver um psiquiatra. Muitas pessoas com depressão também podem se beneficiar do acompanhamento com um psicólogo. Normalmente, o tratamento mais eficaz para a depressão é uma combinação de medicamentos e psicoterapia.

Se a pessoa tem depressão grave, um responsável pode ter de guiar o seu cuidado até que esteja bem o suficiente para participar na tomada de decisão. A pessoa pode precisar de uma internação hospitalar, ou acompanhamento ambulatorial até que os sintomas melhorem.

Mas o que são neurotransmissores?

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Neurotransmissores são substâncias químicas que fazem transferência de informações entre os neurônios

A célula que compõe o Sistema Nervoso é o neurônio e a atividade neuronal representa a comunicação entre os neurônios. Toda atividade cerebral se dá através da atividade dos neurônios.

A forma de comunicação entre os neurônios se faz por substâncias químicas e por estímulos elétricos. As substâncias químicas são os neurotransmissores.

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Os neurotransmissores são produzidos pelos próprios neurônios e fazem a transferência de informações entre eles.

A irregularidade na produção de neurotransmissores afeta a transmissão de informações entre os neurônios e, portanto, afeta o pensamento, sendo um fator importante na depressão.

Opções de tratamento da depressão

Medicamentos

Diversos medicamentos antidepressivos estão disponíveis para tratar a depressão. Existem vários tipos diferentes de antidepressivos. Os antidepressivos regulam os neurotransmissores para mudar o humor.

Tipos de antidepressivos incluem:

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina – muitos médicos iniciam o tratamento da depressão por prescrever um inibidor seletivo da recaptação da serotonina. Estes medicamentos são mais seguros e geralmente causam menos efeitos colaterais incômodos do que os outros tipos de antidepressivos. Os efeitos colaterais mais comuns incluem a diminuição do desejo sexual e orgasmo retardado. Outros efeitos secundários podem desaparecer à medida que o seu corpo ajusta à medicação. Eles podem incluir problemas digestivos, nervosismo, agitação, dor de cabeça e insônia.

Inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina – Os efeitos colaterais são semelhantes aos causados pelos inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Estes medicamentos podem causar aumento da sudorese, boca seca, ritmo cardíaco acelerado e constipação.

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Os medicamentos antidepressivos restabelecem os níveis normais de neutransmissores e regularizam o funcionamento dos neurônios

Antidepressivos atípicos – estes medicamentos são chamados de atípicos, porque eles não se encaixam perfeitamente em outra categoria antidepressivo. Alguns destes antidepressivos são sedativos e são normalmente tomados à noite. Em alguns casos, um destes medicamentos é adicionado a outros antidepressivos para ajudar com o sono.

Antidepressivos tricíclicos – estes antidepressivos têm sido usados por muitos anos e são geralmente tão eficazes como os novos medicamentos. Mas porque eles tendem a ter mais efeitos colaterais e de maior gravidade, os antidepressivos tricíclicos, em geral, não são prescritos a menos que a pessoa já tenha tentado um inibidor seletivo da recaptação da serotonina primeiro sem uma melhora na sua depressão. Os efeitos colaterais podem incluir boca seca, visão turva, constipação, retenção urinária, taquicardia e confusão. Os antidepressivos tricíclicos também são conhecidos por causar ganho de peso.

Inibidores da monoamina oxidase (IMAO) – IMAO são geralmente prescritos como um último recurso, quando outros medicamentos não funcionaram. Isso porque IMAO podem ter graves efeitos secundários nocivos. Eles exigem uma dieta rigorosa por causa de interações perigosas (ou mesmo mortal) com alimentos, como certos queijos, conservas e vinhos, e alguns medicamentos, incluindo descongestionantes. Estes medicamentos não podem ser combinados com os inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

Outras estratégias de medicação – o médico pode sugerir outros medicamentos para tratar sua depressão. Estes podem incluir estimulantes, medicamentos estabilizadores do humor, medicamentos contra a ansiedade ou medicamentos antipsicóticos. Em alguns casos, o médico pode recomendar a combinação de dois ou mais antidepressivos ou outros medicamentos para melhor efeito.

Encontrar o remédio certo

Todo mundo é diferente, assim, encontrar o medicamento ou medicamentos para a pessoa provavelmente pode levar a algumas tentativas e erros até encontrar o tratamento certo. Isso requer paciência, pois alguns medicamentos precisam de oito semanas ou mais para chegar ao efeito máximo e/ou para aliviar os efeitos colaterais. Se a pessoa tiver efeitos colaterais incômodos, não deve deixar de tomar o antidepressivo sem consultar o médico primeiro. Alguns antidepressivos podem causar sintomas de abstinência. A dose deve ser reduzida lentamente, pois parar de repente pode causar um súbito agravamento da depressão.

Antidepressivos e gravidez

Se a pessoa estiver grávida ou a amamentando, alguns antidepressivos podem representar um risco de saúde para o feto ou para a criança. A pessoa deve conversar com o médico se engravidar ou estiver pensando em engravidar.

Psicoterapia

Acompanhamento psicológico é outro tratamento chave da depressão. A psicoterapia é um termo geral para uma forma de tratar a depressão, falando sobre a sua condição e as questões relacionadas com um psicólogo.

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Psicoterapia: colocando o pensamento nos “eixos”

Através das sessões de psicoterapia, a pessoa aprenderá sobre as causas da depressão para que possa se entender melhor. A pessoa também aprenderá a identificar e fazer alterações no comportamento ou pensamentos, explorar as relações e experiências, encontrar melhores maneiras de lidar e resolver problemas e estabelecer metas realistas para a sua vida.

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A psicoterapia pode ajudar a recuperar um sentimento de felicidade e de controle em sua vida e ajudar a aliviar os sintomas de depressão, tais como desespero e raiva. Ela também pode ajudar a pessoa a ajustar-se a uma crise ou outra dificuldade atual.

Existem vários tipos de psicoterapia que são eficazes para a depressão.

Terapia cognitivo-comportamental é uma das terapias mais utilizadas. Este tipo de terapia ajuda a identificar as crenças e comportamentos negativos e substituí-los por saudáveis e positivos. Ele é baseado na idéia de que seus próprios pensamentos – e não outras pessoas ou situações – determinam como a pessoa se sente ou se comporta. Mesmo se uma situação indesejada não mudar, a pessoa pode mudar a maneira de pensar e se comportar de uma forma positiva.

O psicólogo definirá qual o melhor tipo de terapia, conforme a pessoa.

A eletroconvulsoterapia (ECT)

Em ECT, correntes eléctricas são passados através do cérebro. Este procedimento afeta os níveis de neurotransmissores no cérebro. Embora muitas pessoas desconfiem da ECT e seus efeitos colaterais, a ECT normalmente oferece alívio imediato na depressão grave quando outros tratamentos não funcionam. O efeito secundário mais comum é a confusão, a qual pode durar de poucos minutos a várias horas. Algumas pessoas também têm perda de memória, que normalmente é temporário.

A eletroconvulsoterapia é indicada para pessoas com depressão grave que não melhoram com medicamentos e para aqueles com alto risco de suicídio.

Hospitalização

Em algumas pessoas, a depressão é tão grave que é necessária uma internação hospitalar. Hospitalização pode ser necessária se a pessoa não é capaz de cuidar de si mesmo corretamente ou quando a pessoa está em perigo imediato de prejudicar a si mesmo ou alguém. Receber tratamento psiquiátrico em um hospital pode ajudar a mantê-lo calmo e seguro até o seu humor melhorar.

Estilo de vida

A depressão não é uma doença que a pessoa pode se tratar por conta própria. Mas a pessoa pode fazer algumas coisas para si mesmo. Além do tratamento profissional, ela deve fazer as seguintes coisas:

  • Ser firme no seu plano de tratamento: não faltar às sessões de psicoterapia e aos compromissos, mesmo que não sinta vontade de ir. Mesmo se a pessoa estiver se sentindo bem, resistir a qualquer tentação de ignorar os seus medicamentos. Se a pessoa parar, os sintomas de depressão podem voltar, e a pessoa também pode experimentar sintomas de abstinência semelhantes.
  • Saber mais sobre a depressão: educação sobre a condição pode capacitar a pessoa e motivá-la a manter o seu plano de tratamento.
  • Prestar atenção aos sinais de alerta: trabalhar com o médico ou terapeuta para saber o que pode desencadear os sintomas de depressão. Fazer um plano para que a pessoa saiba o que fazer se os sintomas se agravarem. Contactar o médico ou terapeuta se detectar quaisquer alterações nos sintomas ou como a pessoa se sente. Pedir aos membros da família ou amigos para ajudar na atenção aos sinais de alerta.
  • Fazer exercício físico: a atividade física reduz sintomas de depressão. Considerar caminhada, corrida, natação, jardinagem ou assumir outra atividade que a pessoa goste.
  • Evitar álcool e drogas ilegais: pode parecer que álcool ou drogas diminuam os sintomas de depressão, mas, no longo prazo, eles geralmente agravam os sintomas e tornam a depressão difícil de tratar. Conversar com o médico ou terapeuta, se a pessoa precisar de ajuda com álcool ou abuso de substâncias.
  • Dormir: dormir bem é importante para o bem-estar tanto o físico e o mental. Se a pessoa está tendo problemas para dormir, deve conversar com o médico sobre o que fazer.

Conexões mente-corpo

A conexão entre a mente e o corpo foi estudada por séculos. Praticantes da medicina alternativa acreditam que o corpo e a mente devem estar em harmonia para a pessoa ficar saudável.

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Buscar o equilíbrio entre mente e corpo

Técnicas mente-corpo que podem ser tentadas para aliviar os sintomas de depressão incluem:

  • Ioga
  • Acupuntura
  • Meditação
  • Imaginação guiada
  • Massagem terapêutica

Basear-se unicamente sobre essas terapias não é suficiente para tratar a depressão.

Enfrentamento e apoio

Lidar com a depressão pode ser um desafio.

  • Simplificar a vida: diminuir as obrigações quando possível, e definir metas razoáveis para si mesmo. Dar-se permissão para fazer menos quando se sentir para baixo.
  • Participar de um grupo de apoio: conectar-se com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes pode ajudar a lidar com isso. Grupos de apoio locais para a depressão estão disponíveis em muitas comunidades e grupos de apoio para a depressão também são oferecidos online.
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En-fren-ta-men-to

  • Considerar escrever suas reflexões: escrever pode melhorar o humor, permitindo-lhe expressar a dor, raiva, medo ou outras emoções.
  • Ler livros e sites respeitáveis de auto-ajuda: o médico ou terapeuta pode ser capaz de recomendar livros para ler.
  • Não ficar isolado: tentar participar de atividades sociais, e se reunir com a família ou amigos regularmente.
  • Cuidar-se: comer uma dieta saudável, fazer exercícios regularmente e dormir bem.
  • Aprender maneiras de relaxar e controlar o stress: exemplos incluem meditação, ioga e tai chi.
  • Estruturar o tempo: planejar o dia e atividades. A pessoa pode achar que é útil fazer uma lista de tarefas diárias, usar notas como lembretes ou usar um planejador para manter-se organizada.
  • Não tomar decisões importantes quando está para baixo: evitar tomar decisões quando muito deprimida, pois a pessoa não pode pensar claramente.

Prevenção

Não há nenhuma maneira de prevenir. No entanto, controlar o estresse, aumentar a sua capacidade de resistência e aumentar a auto-estima podem ajudar.

Amizade e apoio social, especialmente em tempos de crise, pode ajudar a enfrentar períodos difíceis. Além disso, o tratamento ao primeiro sinal de um problema pode ajudar a prevenir a piora da depressão.

Tratamento de manutenção no longo prazo também pode ajudar a prevenir uma recaída dos sintomas de depressão.

No texto anterior,  DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I, conversamos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações de uma depressão não tratada. Neste texto abordamos o tratamento da depressão.

Para ler mais sobre antidepressivo recomendamos o artigo Antidrepressivos da Psiquiweb

Referências

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