DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte I

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A depressão é mais do que simplesmente sentir-se triste por alguns dias. Tristeza é apenas um dos sintomas da depressão, como veremos neste texto.

Todo mundo passa por períodos de tristeza, mas quando a pessoa está deprimida, ela se sente persistentemente triste por semanas ou meses, ao invés de apenas alguns dias.

Pensar que é um problema trivial e não uma condição de saúde genuína é errado. A depressão é uma doença real, com sintomas reais, e não é um sinal de fraqueza ou algo que a pessoa pode “pular fora” sozinha.

É uma doença que causa uma sensação persistente de tristeza e perda de interesse. Ela afeta o modo como a pessoa se sente, pensa e se comporta.

depressão

Depressão é mais do que tristeza.

Esta doença pode levar a uma variedade de problemas emocionais e físicos. A pessoa pode ter problemas para fazer atividades normais do dia-a-dia, e se sentir como se a vida não valesse a pena viver. Algumas pessoas sentem-se geralmente miseráveis ou infelizes sem saber por quê.

A depressão é uma doença crônica que geralmente requer tratamento de longo prazo, como diabetes ou pressão arterial elevada. A maioria das pessoas pode ter uma recuperação completa com medicamentos, acompanhamento psicológico e apoio.

Neste texto conversaremos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão e as complicações da doença não tratada. Este texto continua no artigo DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II, que aborda o tratamento.

Sintomas incluem:

  • Sentimentos de tristeza, infelicidade
  • Irritabilidade ou frustração, mesmo em pequenas coisas
  • Perda de interesse ou prazer nas atividades normais
  • Desejo sexual reduzido
  • Insônia ou sono excessivo
  • Alterações no apetite – depressão muitas vezes provoca diminuição do apetite e perda de peso, mas em algumas pessoas ela provoca aumento do desejo por comida e ganho de peso
  • Agitação ou inquietação
  • Irritabilidade ou acessos de raiva
  • Desaceleração ao pensar, falar ou nos movimentos do corpo
  • Fadiga, cansaço e perda de energia – até mesmo pequenas tarefas podem parecem exigir muito esforço
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa, fixar-se em erros do passado ou se culpar quando as coisas não estão indo bem
  • Dificuldade para pensar, concentrar-se, tomar decisões e lembrar das coisas
  • Pensamentos frequentes de morte ou suicídio
  • Crises de choro sem motivo aparente
  • Problemas físicos inespecíficos, como dores nas costas ou dores de cabeça

Para algumas pessoas, os sintomas são tão graves que é óbvio que algo não está certo. Para outras, os sintomas vêm de tão longo tempo que a própria pessoa e as pessoas que a cercam acreditam que é “o jeito próprio da pessoa ser”.

A depressão afeta cada pessoa de diferentes maneiras, e assim os sintomas causados por depressão variam de pessoa para pessoa. Traços herdados, idade, sexo e formação cultural, todos desempenham um papel na forma como a depressão pode afetar cada um.

Sintomas em crianças e adolescentes

depressão infantil

As crianças também podem sofrer de depressão

Os sintomas mais comuns podem ser um pouco diferentes nas crianças e nos adolescentes de como são nos adultos.

Em crianças menores, os sintomas podem incluir tristeza, irritabilidade, falta de esperança e preocupação.

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Os sintomas em adolescentes podem incluir ansiedade, raiva e evitar a interação social.

Mudanças no pensamento e sono são sinais comuns em adolescentes e adultos, mas não são tão comuns em crianças mais jovens.

Em crianças e adolescentes, a depressão muitas vezes ocorre juntamente com problemas de comportamento e outras condições de saúde mental, tais como ansiedade ou transtorno de déficit de atenção (TDA).

O rendimento escolar pode cair em crianças que estão deprimidas.

Sintomas em idosos

A depressão não é uma parte normal do envelhecimento. No entanto, a depressão pode ocorrer e ocorre em idosos. Infelizmente, muitas vezes não é diagnosticada e tratada. Muitos idosos se sentem relutantes em procurar ajuda quando eles estão se sentindo para baixo.

Em idosos, pode seguir não diagnosticada porque os sintomas – por exemplo, fadiga, perda de apetite, problemas de sono ou perda de interesse em sexo – podem parecer ser causados por outras doenças.

Idosos podem ter sintomas menos óbvios. Eles podem sentir-se insatisfeitos com a vida em geral, entediados, impotentes ou sem valor.

Eles podem sempre querer ficar em casa, em vez de sair para socializar ou fazer coisas novas.

Pensamentos suicidas em idosos são um sinal de depressão grave, especialmente nos homens. De todas as pessoas com depressão, os idosos do sexo masculino estão em maior risco de suicídio.

Quando consultar um médico

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Médico e psicólogo devem ser consultados

Uma pessoa que se sente deprimida deve fazer uma consulta com um médico assim que possível.

Sintomas de depressão não melhoram por conta própria e a depressão pode piorar se não for tratada. A depressão não tratada pode levar a outros problemas de saúde ou problemas em outras áreas de sua vida física e mental.

Sentimentos de depressão também podem levar ao suicídio.

Causas

Não se sabe exatamente o que causa a depressão. Tal como acontece com muitas doenças mentais, uma variedade de fatores pode estar envolvida. Estes fatores incluem:

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  • Diferenças biológicas: algumas pessoas com depressão parecem ter mudanças físicas em seus cérebros. O significado destas mudanças ainda é incerto.
  • Neurotransmissores: são substâncias químicas liberadas pelos neurônios no cérebro e utilizadas para a transferência de informações entre eles.  Os neurotransmissores têm papel importante na depressão. Mas falaremos disso mais adiante.
  • Hormônios: alterações no equilíbrio dos hormônios podem causar ou desencadear a depressão. Alterações hormonais podem resultar de problemas de tireóide, menopausa ou uma série de outras condições.
  • Traços herdados: a depressão é mais comum em pessoas cujos membros da família biológica também têm essa condição. Os pesquisadores estão tentando encontrar os genes que podem estar envolvidos na causa da depressão.
  • Eventos de vida: certos eventos, como a morte ou a perda de um ente querido, problemas financeiros e de alta tensão, podem desencadear a depressão em algumas pessoas.
  • Trauma na primeira infância: eventos traumáticos durante a infância, como abuso ou perda dos pais, podem causar alterações permanentes no cérebro que o tornam mais suscetível à depressão.

Fatores de risco

A depressão geralmente começa na adolescência, e no adulto jovem (20 ou 30 anos), mas pode acontecer em qualquer idade. As mulheres têm duas vezes mais esta condição que os homens, mas essa estatística pode ser devida, em parte, porque as mulheres são mais propensas a procurar tratamento e revelar o problema.

Embora a causa exata não seja conhecida, alguns fatores que parecem aumentar o risco de desenvolvimento ou desencadeamento da depressão foram identificados, incluindo:

  • Ter parentes biológicos com a depressão
  • Ser mulher
  • Experiências traumáticas na infância
  • Ter membros da família ou amigos que foram deprimidos
  • Eventos de vida estressantes, como a morte de um ente querido
  • Ter poucos amigos ou outras relações pessoais
  • Recentemente ter dado à luz (depressão pós-parto)
  • História de depressão anteriormente
  • Ter uma doença grave, tais como câncer, diabetes, doença cardíaca, doença de Alzheimer ou o HIV / SIDA
  • Tendo certos traços de personalidade, como ter baixa auto-estima e ser excessivamente dependente, auto-crítico ou pessimista
  • Abusar do álcool, nicotina ou drogas ilícitas
  • Certos medicamentos para hipertensão arterial, para dormir ou certos outros medicamentos (a pessoa deve falar com o médico antes de interromper qualquer medicação que ache que poderia estar afetando o seu estado de espírito)

Complicações

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A pessoa deprimida muitas vezes se afasta dos amigos

Complicações associadas podem incluir:

  • Abuso de álcool
  • Abuso de outras drogas
  • Ansiedade
  • Problemas no trabalho ou na escola
  • Conflitos familiares
  • Dificuldades de relacionamento
  • Isolamento social
  • Suicídio
  • Auto-mutilação, como cortes
  • Morte prematura por outras doenças

Os critérios de diagnóstico

Para ser diagnosticada com depressão, a pessoa deve ter cinco ou mais dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas. Pelo menos um dos sintomas deve ser um humor deprimido ou uma perda de interesse ou prazer. Os sintomas podem ser baseados em seus próprios sentimentos ou podem basear-se nas observações de alguém. Eles incluem:

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Alterações de humor e de comportamento são comuns

  • Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, como se sentindo triste, vazio ou choro constante (em crianças e adolescentes, humor depressivo pode aparecer como irritabilidade constante)
  • Diminuição do interesse ou não sentir prazer em todas – ou quase todas – as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias
  • Perda de peso significativa quando não estiver de dieta, ganho de peso, ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias (em crianças, a incapacidade de ganhar peso como o esperado pode ser um sinal)
  • Insônia ou aumento do desejo de dormir quase todos os dias
  • Agitação ou comportamento lento que pode ser observada por outros
  • Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias
  • Dificuldade em tomar decisões, ou problemas para pensar ou concentrar-se quase todos os dias
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio ou tentativa de suicídio

Outras condições que causam os sintomas da depressão

Existem várias outras condições com sintomas que podem incluir depressão. É importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado para sua condição particular. Um médico ou um psicólogo vai ajudar a determinar se os sintomas de depressão são causados por uma das seguintes condições:

  • Transtorno de adaptação: um transtorno de adaptação é uma reação emocional grave a um evento difícil em sua vida. É um tipo de doença mental relacionada ao stress que pode afetar os sentimentos, pensamentos e comportamentos.
  • Transtorno bipolar: este tipo de transtorno é caracterizado por mudanças de humor que alternam períodos de “tristeza profunda” com “alegria intensa”. Às vezes, é difícil distinguir entre transtorno bipolar e depressão, mas é importante obter um diagnóstico preciso para que a pessoa possa receber o tratamento adequado e medicamentos.
  • Ciclotimia: também chamada de transtorno ciclotímico, é uma forma mais branda da doença bipolar.
  • Distimia: é uma forma menos grave, mas mais crônica de depressão. Embora geralmente não seja incapacitante, a distimia pode impedir a pessoa de funcionar normalmente em sua rotina diária e de viver a vida em sua plenitude.
  • Depressão pós-parto: este é um tipo comum que ocorre em novas mães. Muitas vezes ocorre entre duas semanas e seis meses após o parto.
  • Depressão psicótica: esta é uma condição grave acompanhada por sintomas psicóticos, tais como ilusões e alucinações.
  • Transtorno afetivo sazonal: este tipo está relacionado com mudanças nas estações e exposição reduzida ao sol.

Certifique-se de entender que tipo de depressão a pessoa tem para que ela possa aprender mais sobre a sua situação específica e seus tratamentos.

Neste texto conversamos sobre os sintomas, as causas e fatores de risco e as complicações de uma depressão não tratada. Este texto continua no artigo DEPRESSÃO: Sintomas, Causas e Tratamento – parte II, que aborda o tratamento.

Referências

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